Não consigo parar de falar sobre isso

Na última semana uma garota de 16 anos foi estuprada por 33 homens no Rio de Janeiro.

Fiquei sabendo na quarta-feira (25/05), quando um post foi compartilhado em um grupo, a notícia veio como um soco no estômago. Mais ainda porque, além dessas informações, li que foi feito um vídeo que expunha o corpo desacordado da vítima, e que além de tudo, mostrava sua vagina machucada e sangrando. Li também os comentários de quem compartilhou o vídeo no Twitter e o deboche diante de tamanha violência fez meu coração sangrar.

estupro-coletivo-rio-de-janeiro-culpabilizacao-feminismo-ocabide (6)

Me prometi que jamais veria o vídeo, qualquer foto ou print relacionado. Apesar de muitos pensarem como eu (em evitar a exposição de uma mulher em tal situação), não demorou para que esse vídeo circulasse em outras redes e a vítima tivesse seu corpo nu, arrasado e humilhado, exposto para milhares de pessoas em todo o país.

Desde que li essa notícia não consegui pensar em nada além disso, não havia nada, nenhuma outra notícia que pudesse afastar de mim o misto de medo e preocupação que essa barbárie deixou.

Desde que li essa notícia não consigo parar de falar sobre isso, e não deveria.

estupro-coletivo-rio-de-janeiro-culpabilizacao-feminismo-ocabide (8)

Não bastasse tanta violência, a vítima ainda vai ter que lidar com o julgamento de pessoas que buscam de alguma forma usar seu comportamento como justificativa para o ocorrido.

Se não usasse roupas curtas não, seria estuprada.
Se estivesse na igreja não seria, estuprada.
Se não fosse para a balada não seria, estuprada.

Trinta e três homens estupram uma jovem e é ela quem é julgada.

estupro-coletivo-rio-de-janeiro-culpabilizacao-feminismo-ocabide (1)

A cada onze minutos uma mulher é estuprada no Brasil. Não precisa procurar muito entre as notícias para ver que mulheres de todas as idades são estupradas em casa, no trabalho, na igreja, ma escola, na rua ou no metrô. Não existe um local sem medo, não existe sensação plena de segurança.

É muita loucura ficar pensando em coisas que uma mulher deve fazer para evitar o estupro, nós temos que falar sobre o estuprador, temos que falar sobre como a mulher é objetificada, sobre como a cultura machista da sociedade em que vivemos permite que violências como essa sejam impunes.

estupro-coletivo-rio-de-janeiro-culpabilizacao-feminismo-ocabide (5)

Olhe ao seu redor, pense em quantas mulheres você conhece que já sofreram algum tipo de assédio.
Quantas mais vão ter que sofrer para lutarmos contra
Quantas mais vão chorar sozinhas?Quantas mais vão ser ridicularizadas por não aceitar?

Sabe porque essa notícia te deixa mal? Porque a vítima poderia ser você, e esse medo nos une.

Uma foto publicada por O Cabide (@ocabide) em

Somos irmãs e devemos lutar juntas.

Somos nós que vamos mudar essa cultura, somos nós que vamos encontrar formas de nos proteger e somos nós, unidas, que vamos inundar a internet, a mídia, o ministério público, as festas de família, os happy hours, a mesa de boteco e até a fila do pão, com denúncias.

Se você achava o feminismo chato antes, se prepare, nós mal começamos.

*imagens: reprodução

Fundadora e editora do O Cabide, formada em moda, fotógrafa iniciante, apaixonada por figurinos e história da moda. Futura jetsetter, feminista, gayzista, abortista, gorda, patrona do amor próprio e entusiasta da maquiagem para beleza e para a arte.

Carta para Karlinha

“Querida Karlinha,

eu gostaria de ter estado ao seu lado quando sua beleza era questionada, quando você se sentia fora dos padrões, quando se sentir bonita parecia uma utopia.

Queria ter dito para você que você é linda, sempre foi, que o seu tamanho (e o meu tamanho) não servem como medida para beleza e que mesmo parecendo impossível, um dia você iria se aceitar e ser feliz sendo quem você é, e que iluminaria a vida de outras mulheres que como nós, precisam encontrar o amor próprio.

Mas agora que você vê a auto estima com outros olhos e se ama, como deveria ter se amado sempre, eu gostaria de te agradecer. Obrigada por contribuir para uma nova definição de sensualidade, obrigada por mostrar que a beleza de mulheres gordas deve ser livre – como a beleza de todas as outras mulheres e obrigada por enfrentar as regras de um mundo que tenta engessar o significado de ser mulher.

Continue sendo um exemplo de que só nos mesmas podemos determinar o que nos empodera e que isso pode vir com a força da palavra assim como poder vir com a força da nudez.

E que essa carta seja um exemplo de que nós devemos reconhecer a beleza de outras mulheres sem desvalorizar a nossa própria beleza.

Não há nada nesse mundo mais bonito do que uma mulher sendo ela mesma, sem se desculpar, confortável com quem ela é e com sua imperfeição perfeita. Essa é a verdadeira essência da beleza e eu sei que você a carrega com você!

Com carinho, Nic.”

 

A Karlinha é uma pessoa real, é uma das nossas leitores e já teve uma de suas fotos postadas em nosso Instagram. Essa semana ela nos enviou uma mensagem falando sobre o quanto ela considera importante para outras mulheres a forma como abordamos aceitação e amor próprio. Devo confessar que fiquei emocionada, quando eu comecei a falar sobre questões relacionadas ao peso e a autoestima eu o fiz por mim mesma. É claro que seria maravilhoso servir de exemplo para alguém, mas oque eu estava precisando era desabafar mesmo. Agora eu vejo que as minhas palavras estão ganhando força e que muitas de nós estamos precisando desabafar. Mas a coisa mais importante para mim agora é falar sobre sororidade, sobre derrubar a rivalidade feminina e unir nossos desejos e aflições em um só.

Essa é a Karlinha:

karlinha-ferreira-sororidade-ocabide

karlinha-ferreira-sororidade-ocabide-2

 

Nós somos todas lindas e é muito mais fácil lutar contra o que nos é imposto unidas.

 

*imagens: reprodução

 

Fundadora e editora do O Cabide, formada em moda, fotógrafa iniciante, apaixonada por figurinos e história da moda. Futura jetsetter, feminista, gayzista, abortista, gorda, patrona do amor próprio e entusiasta da maquiagem para beleza e para a arte.

Procuram-se voluntárias

A Equipe Base Warmis é grupo de mulheres voluntárias missão facilitar e estimular o diálogo entre as culturas, denunciar e lutar contra toda forma de discriminação e todo tipo de violência.

Vi através de uma publicação no Facebook que elas estão precisando de voluntárias e achei que divulgar o projeto e o anúncio aqui n’O Cabide seria bacana para elas e para vocês.

equipe-base-warmis-voluntarias-ocabide

 

 

Acredita na não violência e na não discriminação?
Gosta da diversidade de culturas?
Gostaria de ajudar as mulheres imigrantes a se empoderar?

Então escreva no contato@warmis.org ou entre no www.warmis.org/contato.html e vamos te contar como.
Vamos avançar juntas nesta caminhada em prol dos direitos e a qualidade de vida das mulheres imigrantes 🙂

 

Saiba mais sobre a Equipe Base Warmis <3

 

*imagem: divulgação

Fundadora e editora do O Cabide, formada em moda, fotógrafa iniciante, apaixonada por figurinos e história da moda. Futura jetsetter, feminista, gayzista, abortista, gorda, patrona do amor próprio e entusiasta da maquiagem para beleza e para a arte.

BEDA | Coisas que aprendi com Amy Schumer

Amy Schumer é humorista e roteirista e tem estado cada vez mais em pauta na mídia por conta de seu novo filme, Trainwreck.

amy-schumer-trainwreck-humor-citacao-feminismo-ocabide

Eu tenho visto espalhadas pela internet entrevistas e citações, todas com o mesmo toque do humor que ela leva para o palco em seus shows de stand up, ou seja, muita acidez, muito questionamento sobre padrões de beleza, sobre o estrelismo hollywoodiano e sobre o lugar da mulher na sociedade.

Com base no que tinha visto até aqui, estava gostando bastante da Amy e estava ansiosa para assistir ao filme. Mas eu precisava saber se ela era realmente tão engraçada quanto parece e se o seu discurso feminista também tinha espaço no palco, então assisti ao show Mostly Sex Stuff, feito para o Comedy Central em 2012, e percebi que o humor dela é do tipo mais agressivo e que nessa época as questões de igualdade ainda estavam começando a surgir em seus shows. Mas mesmo achando que algumas piadas poderiam ser facilmente dispensadas, não consigo deixar de me enxergar no que ela diz, afinal faço o mesmo tipo de piadas, a diferença é que as dela de fato tem graça.

amy-schumer-mostly-sex-stuff-humor-citacao-feminismo-ocabide

O que me fez relevar algumas dessas piadas que achei desnecessárias foi ver uma mulher falando TÃO abertamente sobre a sua vida sexual, com humor e aceitação, sem se importar com o que vão pensar dela. Eu não sei se vocês já tentaram falar da vida sexual de vocês, seja lá com quem for, dessa forma. Não é fácil! Nós temos medo dos julgamentos até dos nossos amigos mais intímos.

Por conta de tudo isso, decidi juntar algumas das melhores frases ditas por Amy (na minha opinião), quem sabe não ajude a nos libertar mais um pouquinho?

“Eu direi se sou eu bonita. Eu direi se eu sou forte. Você não vai determinar a minha história – Eu vou.”

amy-schumer-humor-citacao-feminismo-ocabide-2

“Eu vou falar e compartilhar e foder e amar e não vou me desculpar com as milhares de pessoas assustadas  e cheias de ressentimento por nunca terem coragem de fazer o mesmo. Eu não sou a minha lista de amantes. Eu não sou o meu peso. Eu não sou a minha mãe. Eu sou eu mesma.”amy-schumer-humor-citacao-feminismo-ocabide-3

“Eu sou uma lutadora de sangue quente e destemida.”

“Não, eu não vou me desculpar por ser quem eu sou, e eu realmente vou amar a pele em que estou. Eu não vou batalhar para ser uma versão diferente de mim.”

amy-schumer-humor-citacao-feminismo-ocabide-4

 

“Não se sinta mal por mim, eu me acho tão bonita.” 

 

*imagens: reprodução

**Saiba mais sobre o BEDA

badge_post_01

Fundadora e editora do O Cabide, formada em moda, fotógrafa iniciante, apaixonada por figurinos e história da moda. Futura jetsetter, feminista, gayzista, abortista, gorda, patrona do amor próprio e entusiasta da maquiagem para beleza e para a arte.

BEDA | Nathanael Lark e o amor próprio

Nas minhas andaças pelo Instagram eu venho descobrindo trabalhos lindíssimos relacionados ao plus size. Marcas, fotos, vídeos e principalmente ilustrações que me tocaram profundamente, como é o caso do ilustrador Nathanael Lark.

O trabalho de Lark é carregado de positividade e diversidade, exaltando a beleza real das mulheres de todos os tamanhos, mas principalmente das plus size. Além disso suas postagens no blog e no Instagram falam muito sobre união e sororidade, questionando a rivalidade feminina. Além criou ilustrações para desafiar  o limite da beleza em que mulheres aparecem com estrias, celulites e barrigas flácidas, por exemplo.

nathanael-lark-ilustracao-plus-size-ocabide

 

nathanael-lark-ilustracao-plus-size-ocabide-2

nathanael-lark-ilustracao-plus-size-ocabide-3

nathanael-lark-ilustracao-plus-size-ocabide-4

nathanael-lark-ilustracao-plus-size-ocabide-5

nathanael-lark-ilustracao-plus-size-ocabide-6

nathanael-lark-ilustracao-plus-size-ocabide-7

nathanael-lark-ilustracao-plus-size-ocabide-8

nathanael-lark-ilustracao-plus-size-ocabide-9

Como se tudo isso não bastasse ele ainda compartilha com seus seguidores os seus próprios questionamentos, seu crescimento pessoal e a maneira como ele vê o mundo e como ele pode melhorá-lo exibindo sua evolução pessoal, sem vergonha dos próprios erros e sem esfregar seus acertos na cara de ninguém.

 

Para acompanhar o trabalho do ilustrador:

https://instagram.com/nathanaellark

https://twitter.com/nathanaellark

https://www.facebook.com/nathanaellark

www.nathanaellark.com

 

*imagens: reprodução

**Saiba mais sobre o BEDA

badge_post_01

Fundadora e editora do O Cabide, formada em moda, fotógrafa iniciante, apaixonada por figurinos e história da moda. Futura jetsetter, feminista, gayzista, abortista, gorda, patrona do amor próprio e entusiasta da maquiagem para beleza e para a arte.