Pontudinho

Você sabe como se começou a usar sapatos de bico fino?

scarpín

Muito antes de suas aparições glamourosas na séria “Sex and theCity”, sapatos de bico fino eram os favoritos dos nobres poloneses, que introduziu a moda à Inglaterra em uma visita diplomática em 1300. Os sapatos, apelidados de “crackowes” ou “poulaines” –  inspirado em Cracóvia, Polônia – eram tão longos que uma corrente que vai do pé ao joelho era usada muitas vezes para evitar que eles se arrastassem. Em 1363 o inglês tentou controlar a moda através da lei, a atribuiu uso correto que cada tipo de sapato para cada  classe social.Plebeus poderiam usar o calçado com ponta de até seis centímetros, enquanto que aqueles da nobreza foram autorizados a usar a ponta fina em seu tamanho total de dois metros de comprimento.

*imagem: reprodução

Fundadora e editora do O Cabide, formada em moda, fotógrafa iniciante, apaixonada por figurinos e história da moda. Futura jetsetter, feminista, gayzista, abortista, gorda, patrona do amor próprio e entusiasta da maquiagem para beleza e para a arte.

12 amores

Amor e relacionamentos já inspiraram a arte na música, na poesia e na literatura em todo o mundo. Não foi diferente para o artista Sebastian Errazuri com o seu tributo para 12 ex amores entitulado 12 shoes for 12 lovers.

Apesar de atuar em Nova York, Sebastian é chileno, e foi o responsável pela criação de 12 incríveis sapatos com detalhes em 3D para contar a história de 12 relacionamentos amorosos. Cada sapato foi desenhado para encapsular os traços dominantes e memórias associados a cada uma das garotas.

O resultado foi esse:

Heart breaker Laura

Sebastian ErrazurizCry baby Alexandria

Sebastian Errazuriz

The Virgin Anna

Sebastian Errazuriz

The Boss Rachel

Sebastian Errazuriz

The Ghost Valentina

Sebastian Errazuriz  The Rock Alice

Sebastian Errazuriz Hot B Caroline

Sebastian Errazuriz

Gold digger Alison

Sebastian Errazuriz

GI Jane Barbara

Sebastian Errazuriz

Honey Natasha

Sebastian Errazuriz

Ice queen Sophie

Sebastian Errazuriz

Jetsettter Jessia

Sebastian Errazuriz

http://meetsebastian.com/

*imagens: reprodução

Fundadora e editora do O Cabide, formada em moda, fotógrafa iniciante, apaixonada por figurinos e história da moda. Futura jetsetter, feminista, gayzista, abortista, gorda, patrona do amor próprio e entusiasta da maquiagem para beleza e para a arte.

Livro do dia: Eu quero aquele sapato!

Sim mulheres amam sapato.

Sim isso pode se tornar em uma obssessão.

Sim, nós temos plena consciência sobre estes fatos.

Temos tanta consciência que já até existe leitura sobre nosso vício/paixão/obssessão!

Eu quero aquele sapato!

A autora Paola Jacobbi escreveu o livro Eu quero aquele sapato! – Tudo sobre uma obssessão feminina, o livro conta a historia de diversos modelos de calçados e descreve o fascínio por esse acessório. “O sapato de salto alto é o objeto que mais diferencia os homens das mulheres da nossa espécie. Só para esclarecer: você já viu algum transexual de sapatilhas? E por mais que se diga que os homens do novo milênio se tornaram grandes narcisistas cheios de vaidade, ainda não os vimos de salto agulha.” diz Paola.

O objeto da paixão feminina tem estado presente na história da humanidade desde seus primórdios, em algumas pinturas rupestres, já se viam calçados confeccionados com peles de animais, olha aí o animal print como tendência desde o início da civilização!

Não tem jeito, o amor por sapatos está instinto da mulher que cria modas e mitos em torno dos sapatos, apaixonando-se por sandálias e botas, saltos assassinos e sapatilhas ultra confortáveis.

Confira um trecho do livro:

“Em italiano, minha língua materna, para dizer que uma pessoa não vale nada, se usa a expressão “metade de uma meia”. Metade de uma meia, nunca metade de um sapato. E há uma razão para isso: o sapato é uma sinédoque, a parte pelo todo (ou seja, a mulher que está em cima dele). No meu país, que tem forma de bota e é terra dos melhores sapateiros do mundo, não se rebaixa um sapato, nem por insulto.

Em italiano, também falamos: “Meu moral está abaixo do sapato”, para dizer que estamos tão pra baixo, que nem o sapato tem forças para arrastar nossa alma.

Dizemos “tirar o sapato de alguém”, que significa passar a perna, levar vantagem sobre o outro, tirando os dois objetos indispensáveis para que se “siga em frente”.

Dizemos: “Não é digno nem de amarrar o sapato dele”, uma humilde honra para aqueles que mereceriam mais.

Dizem que alguns políticos napolitanos, nos anos 50, presenteavam seus potenciais eleitores com um único sapato, dando o outro pé só depois da eleição. Porque o sapato é o simulacro perfeito do casal, como evidencia tristemente a expressão de muitas mulheres abandonadas: “Me deixou como um sapato velho”, já que o sapato velho é o símbolo do objeto inutilizável. Ainda mais quando resta só um pé. Nesse estágio, sapato ou mulher não fazem a menor diferença.

Em italiano, também se diz “falar com os pés”, “escrever com os pés”, “agir com os pés”. Ou seja, muito mal, sem atenção, sem boa vontade ou conhecimento de causa. Essa conotação negativa nasce da contraposição entre as mãos (nobres) e os pés (ignóbeis). É um arcaísmo que acredita serem as mãos mais próximas da mente e do coração, ao passo que os pés ficam lá embaixo, meios de transporte acéfalos.

Em inglês, em compensação, é evidente que os calçados (e, portanto, os pés que abrigam) são o fundamento da personalidade de quem os usa. De fato, fala-se em “se colocar nos sapatos” de alguém. E considero essa expressão muito feliz. Imagine só: calçar o sapato de alguém é realmente um gesto íntimo, muito mais íntimo do que pegar uma roupa emprestada.

Para as mulheres, em especial, é algo tão íntimo, que é um dos primeiros gestos que fazemos quando crianças, assim que conseguimos nos manter em posição ereta. Mal queremos nos sentir “grandes”, e já colocamos o sapato da mamãe, de preferência de salto. Assim, subimos em um pedestal que imediatamente enaltece nossa feminilidade. Aquele sapato “roubado”, ainda que por poucos instantes, nos faz crescer, em todos os sentidos.

Os psicanalistas explicam que se trata de um ritual de “projeção”, mas eu me lembro dele como um momento mágico. Todas as fantasias que usávamos para brincar de casinha começavam ali.

Para os adultos, ver uma menina de sapato de salto alto é algo doce e cômico, mas, para a menina, representa a entrada em um mundo de aspirações e sonhos. Sentir aquela extremidade liliputiana e gorducha navegando pelos objetos com que a mamãe leva a si mesma para passear cria na menina a ilusão de que, em breve, ela também poderá fazer aquelas coisas “de adulto” que, nessa idade, são proibidas.

Sigmund Freud diria que a apropriação infantil do sapato materno é quase uma tentativa de seduzir o pai, o desafio, por parte da criança, de assumir o papel da mãe.

E depois? Depois crescemos de verdade, atingimos a mesma altura da mãe, começamos a distinguir a nossa personalidade, comprando sozinhas o primeiro sapato. Quando crescemos, queremos que os sapatos nos representem. O interessante é que eles irão nos definir para sempre. Eles denotam idade, estado de espírito, desejos para os vários momentos da vida e, até mesmo, do dia. O sapato conta tudo sobre uma mulher.

A atriz Penélope Cruz confessa: “Nunca consegui estudar um novo personagem sem antes escolher, junto com o diretor, o sapato que usa a mulher que iremos levar à tela. Tudo começa lá embaixo.”

Então, a pergunta é: do que falam as mulheres quando falam com os pés?”

Eu quero aquele sapato! Tudo sobre uma obssessão feminina.

Autora: Paola Jacobbi

Editora: Objetiva

*imagem: reprodução

Fundadora e editora do O Cabide, formada em moda, fotógrafa iniciante, apaixonada por figurinos e história da moda. Futura jetsetter, feminista, gayzista, abortista, gorda, patrona do amor próprio e entusiasta da maquiagem para beleza e para a arte.