Consultoria da magreza

Hoje vi vários posts nas redes sociais sobre um curso de consultoria de imagem plus size que estava causando polêmica.

O motivo?

O foco do curso é treinar consultores de imagem para disfarçar, emagrecer e criar ilusões de ótica que transformem o corpo gordo.

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Eu não vejo problema algum em usar a moda para criar outras silhuetas, mas um curso voltado para esse público não pode ter somente esse objetivo.

Ou seja, eles querem ganhar dinheiro com o plus size (o curso dura 24h e custa R$1000), mas não vão fazer o menor esforço para compreender o público que ele atende?

 

Vou deixar aqui as minhas sugestões para a Panamericana (escola paulista responsável por tal curso):

Que tal fazer um curso de consultoria de imagem plus size que ensine pessoas gordas a amarem e vestirem os corpos que têm, sem disfarçá-lo?

Que tal usar temas como empoderamento, aceitação e representatividade, como apoio para autoestima de quem contrata um consultor de moda?

Que tal chamar alguém com vivência nesse meio para dar essa aula?

Que tal não fazer um curso para propagar padrões estéticos que nos aprisionam?

Que tal parar de enxergar o corpo gordo como algo que precisa ser transformado?

Que tal identificar as necessidades de um mercado antes de criar um curso sobre ele?

Que tal entender que “plus size” é um termo mercadológico e que não dever ser usado para designar mulheres, ou homens, de qualquer tamanho?

 

Melhorem.

*imagens: reprodução

Fundadora e editora do O Cabide, formada em moda, fotógrafa iniciante, apaixonada por figurinos e história da moda. Futura jetsetter, feminista, gayzista, abortista, gorda, patrona do amor próprio e entusiasta da maquiagem para beleza e para a arte.

A nudez da mulher gorda

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Fundadora e editora do O Cabide, formada em moda, fotógrafa iniciante, apaixonada por figurinos e história da moda. Futura jetsetter, feminista, gayzista, abortista, gorda, patrona do amor próprio e entusiasta da maquiagem para beleza e para a arte.

Jossana Lauria, da marca Joss, fala sobre mercado plus size e empreendedorismo

Se você acompanha o o blog há algum tempo, deve ter percebido que estão rolando mudanças no que publicamos e até em nossa aparência. Como parte dessas mudanças quero trazer para vocês um conteúdo mais sólido sobre empreendedorismo, desenvolvimento de produtos, processos criativos, etapas de confecção e tudo mais que seja relevante para compreendermos melhor a indústria da moda e seus segmentos.

Para isso vou conversar com profissionais que administrem suas próprias marcas, confecções ou projetos relacionados ao consumo ou a cultura da moda.

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Para o post de hoje conversei com a Jossana Lauria, estilista e proprietária da marca plus size Joss. Em nosso bate papo falamos sobre como surgiu sua marca e quais são os desafios em manter um negócio dentro desse segmento, confira:

  • Como surgiu a Joss?

A Joss surgiu com o meu sonho de montar a minha marca plus size com preços acessíveis para todos. Desde criança via que as roupas para gordos (as) não eram bacanas e me sentia muito mal com aquilo, pois também era uma gorda que consumia moda. Como desde pequena sempre sonhei em ser estilista, me formei em moda, me especializei em moda plus size e cá estou com esse sonho realizado, de ser estilista da minha própria marca!

  •  Como designer, você acredita que suas experiências pessoais com o mercado plus size influenciam nas decisões que você toma para sua marca?
Sim, com certeza absoluta! Como designer consigo ter o discernimento de como uma modelagem pode influenciar uma peça e o design também. Como gorda e consumidora, consigo juntar o útil ao agradável para criar meus produtos.
  •  Como você vê a questão da representatividade na apresentação de produtos em catálogos e campanhas de moda plus size?
Vejo que a cada dia mais marcas tendem a diminuir o plus size, chegando a numerações um tanto quanto ridículas, além de colocarem modelos de tamanho mediano em catálogos, logo acabam não representando as mulheres gordas que buscam isso atualmente. Realmente há uma necessidade enorme de gordas representativas nesse meio (como a Tess Holliday, por exemplo), e ainda são poucas as marcas que trabalham com essa representatividade, mas acredito que isso irá mudar um dia!
  • Além dos desafios típicos desse segmento, quais são suas dificuldades como mulher empreendedora?
A dificuldade é essa crise que o Brasil está passando, para empresários está sendo a morte. Mas isso vai se acertar (assim espero)!
  •  Tem algum conselho para quem deseja se aventurar nesse mercado?
Sim, seja diferente, inovador, esse é o diferencial!
  • Quais são seus planos para o futuro da Joss?
Bom, pretendemos abrir uma loja física em breve e ampliar os nossos produtos, temos planos gigantescos, mas é segredo! 😝 hahahaha
Gostaria de agradecer a Jossana pelo bate-papo, ela tem uma energia incrível e é uma querida! Desejo boa sorte com os seus planos e muito sucesso para sua marca! ♥
Conheça a Joss e seus produtos: www.jossplus.com.br
Compartilhe suas experiências conosco, deixe nos comentários sua visão sobre o mercado de moda plus e nos digam quem mais vocês gostariam que entrevistássemos.
*imagens: reprodução
Fundadora e editora do O Cabide, formada em moda, fotógrafa iniciante, apaixonada por figurinos e história da moda. Futura jetsetter, feminista, gayzista, abortista, gorda, patrona do amor próprio e entusiasta da maquiagem para beleza e para a arte.

Mulheres gordas também transam

Quando se fala da sexualidade da mulher gorda na internet o resultado é fetichismo e pornografia.

Quando se fala da sexualidade da mulher gorda em uma conversa casual é comum ouvir coisas como: “É mais fácil transar com mulheres gordas porque elas são desesperadas”, “Mulheres gordas se dedicam mais no sexo oral porque querem te convencer de que vale a pena transar com elas” ou “Transo com ‘gordinhas’ para praticar e ficar bom de cama para quem realmente merece”.

E quando é a vez do TV ou do cinema falar sobre a sexualidade da mulher gorda, nossa libido é vista como algo cômico, digno de deboche e ridicularização.

A sociedade como um todo não enxerga mulheres gordas como indivíduos completos e funcionais,  e nada na nossa cultura nos faz pensar que elas têm vidas sexuais que incluam experiências ricas e cheia de variação como as de qualquer outra pessoa.

Ou seja, não importa em qual situação, somos fetichizadas, objetificadas ou ignoradas, e inevitavelmente a nossa sexualidade sempre acaba parecendo um tabu.

artista desconhecido

A vida sexual da mulher gorda funciona como a de qualquer outra mulher, sentimos tesão, nos masturbamos, transamos em várias posições, temos fantasias, compramos brinquedinhos, usamos lingerie sensual e escolhemos nossos parceiros (ou parceiras) com base em afinidades e química.

Parem de tentar categorizar nossas transas, não existe “sexo gordo”!

Parem de presumir que por sermos gordas não somos confiantes, e não temos autoestima e controle sobre nossos corpos.

E parem de tentar enfiar (sem trocadilhos) o nosso tesão em moldes engessados e patriarcais, nosso corpo não existe para atender suas necessidades, nosso prazer não é condicionado por padrões estéticos e assim como qualquer outro ser humano, nós transamos para gozar.

 

*imagem: reprodução

 

 

 

Fundadora e editora do O Cabide, formada em moda, fotógrafa iniciante, apaixonada por figurinos e história da moda. Futura jetsetter, feminista, gayzista, abortista, gorda, patrona do amor próprio e entusiasta da maquiagem para beleza e para a arte.

Pop plus

Acontece no próximo final de semana, em São Paulo, a maior edição do Pop Plus! O evento que reúne as principais marcas do segmento plus size, e que está em sua 13ª edição, ocupará o Salão Nobre do Club Homs na Avenida Paulista e contará com a presença de 55 marcas, entre elas você poderá encontrar moda feminina jovem, urbana, contemporânea, clássica, básica, fitness, retrô, jeans, lingerie, moda praia, sleepwear, calçados, acessórios e moda masculina.

Desde as últimas edições venho percebendo o esforço da Flávia Durante, criadora do evento, para tornar o Pop Plus em algo mais completo e inclusivo, e é graças a esse esforço que a moda masculina está cada vez mais presente nos eventos.

Junto com a divulgação o evento lançou um editorial belíssimo estrelado por Nana Moura e Genize Ribeiro, mulheres incrivelmente lindas, que eu acompanho nas redes sociais e admiro bastante, com fotografia de Gabriel Quintão, styling de Samyra Oliveira e maquiagem da minha musa Alessandra Lira!

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Veja o ensaio completo!

Marcas que participarão:

Moda feminina: ChicaBolacha, Oh,Querida!, Lollaboo, Maria Abacaxita (jovem), La Lolitta, Melinde Brasil, Gracia Alonso Plus Size, Antonieta Plus Size, AsobimodeJapan AsobimodeJapan, Atual Plus e Nina Vazquez Moda E Estilo (contemporânea); For Love – Plus Size, Attribute Denim (jeans); Gamaia Esportes (fitness); Assens, NaBeca Tamanhos Reais (casual); Fashion4me Plus Size (premium); UPSY, Madeleines (retrô); Ela Desfila Moda Feminina (ponta de estoque); True E-motion (urbana); Coletivo de Dois, Ateliê Cretismo, Fleur Rose Blusas Bordadas (artesanal); Africa Plus Size Fashion Week, Rainha Nagô (afro); Flaminga, ZUYA+size, ClubPlus (multimarcas) e WE Love Ateliê (sob medida).

Moda masculina: BRUTO (camisetas); Rainha Nagô (afro); Loja Chico (jovem); Lili da ena: camisas e acessórios (camisas) e Coletivo de Dois (artesanal).

Lingerie/Moda Praia/Sleepwear: GG.rie, Morisco Lingerie (lingerie); For All Types (lingerie e moda praia); Vincullus (pijamas) e Cor de Jambo moda praia (moda praia).

Acessórios/Bijuteria: Mary Help! Acessórios Criativos (acessórios), Korukru by Lu Oliva – Cintos e Acessórios (cintos), Retalho Riscado (bolsas), Couro & Cores (calçados), Thalita Laleme, BASFONDQBela Biju (bijuterias).

O que mais vai rolar:

O evento também contará com apresentações de DJs, de dança (salsa, American Tribal Style, dança do ventre, burlesca) e de drag queens, uma exposição com fotos do Projeto Cada Uma e poesias de Rack Land (@historiadefogo), um desfile do Africa Plus Size Fashion Week Brasil e no encerramento (domingo, a partir das 19h)um show com a cantora Karla da Silva.

Estou ansiosa para ver as peças da Lollaboo, que acabou de lançar uma coleção linda:


 As lingeries super sensuais da GG.Rie:

Uma foto publicada por Loja GG.rie (@gg.rie) em


E as peças ultra modernas do Coletivo de Dois:


O evento é totalmente planejado para acolher, empoderar e divertir o público – feminino e masculino – que veste acima do 46. Vamos?

Clique aqui para ler algumas dicas para aproveitar o evento!

13º Pop Plus
Data: 18 e 19 de junho (sábado e domingo)
Horário: 10h às 20h
Local: Club Homs (Salão Nobre)
Endereço: Avenida Paulista, 735 – Jardim Paulista – São Paulo/SP (próximo ao Metro Brigadeiro)
Entrada: R$ 5,00 (somente em dinheiro)

Redes sociais: ‪#‎popplus‬
Fanpage www.facebook.com/popplusBR
Instagram www.instagram.com/popplusBR
Twitter www.twitter.com/popplusBR
Tumblr http://popplusBR.tumblr.com

 

Todas as últimas vezes em que eu me programei para ir ao Pop Plus tive imprevistos e não consegui ir, vamos torcer para que nessa edição dê tudo certo, eu compareça e traga de lá um conteúdo bem bacana para vocês!

 

*imagens: reprodução

Fundadora e editora do O Cabide, formada em moda, fotógrafa iniciante, apaixonada por figurinos e história da moda. Futura jetsetter, feminista, gayzista, abortista, gorda, patrona do amor próprio e entusiasta da maquiagem para beleza e para a arte.