Eu e a Chica

Nos últimos anos vocês acompanharam toda a minha jornada com o peso. Desde quando eu comecei a engordar, até as dietas malucas (nunca vou deletar esses posts, mesmo sabendo que eles não representam coisas positivas, eles fazem parte de uma história de amor próprio muito bem sucedida) e o momento no qual eu finalmente enxerguei meu corpo como ele era e comecei um processo de aceitação não só da minha aparência, mas de quem eu realmente sou.

Se você realmente acompanha o blog, lembra dos primeiros posts sobre moda plus size e da busca por referências e marcas que me ajudassem a formar um estilo que realmente fosse a minha cara. Até porque, foi só quando eu me aceitei como mulher gorda que eu realmente passei a buscar formas de me expressar através da moda. Eu passei toda a adolescência e a maior parte da minha vida adulta tentando entender o meu estilo e sentindo que no geral, eu fracassava miseravelmente em mostrar quem eu era através da moda.

E se era difícil quando eu era magra, imagina como foi quando eu engordei e não encontrava roupa em lugar nenhum? Eu passei um bom tempo me espremendo nas roupas que tinha no guarda-roupa, misturando-as com algumas das peças que encontrava em lojas de departamento que servissem em mim. Eu até me virei bem, mas era bem difícil me identificar com o que eu vestia.

Mas eu lembro exatamente quando tudo isso mudou. Eu me credenciei para cobrir uma edição do Fashion Weekend Plus Size, após alguns anos sem visitar o evento, e rolou um desfile da marca Chica Bolacha. Eu assisti ao desfile no pit, sentada aos pés dos fotógrafos e acompanhei todos os detalhes de perto. Conforme as modelos entravam na passarela, gordas, lindas, dançando e sorrindo eu finalmente senti que eu pertencia a algo, que eu podia me afastar da insegurança e do medo, pois dali para frente eu conseguiria ser eu mesma, por dentro e por fora.

A Chica Bolacha não só fazia roupas para mulheres gordas, como fazia roupas para mulheres gordas como eu. Com um pezinho no rock’n’roll, um pezinho no alternativo e muito humor e personalidade!

Hoje em dia, para quem já viveu o processo de aceitação, já visitou os Pop Plus e Hashtag Bazar da vida, isso parece algo óbvio e fácil de conquistar, mas há 2 ou 3 anos atrás não era bem assim.

Pouco depois houve um bazar da Chica aqui em São Paulo e com a ajuda da minha mãe (eu estava muito sem grana na época) comprei 5 peças que uso até hoje. Seriam essas peças que fariam com que eu finalmente pudesse imaginar um estilo só meu e começasse a colocá-lo em prática.

Alguns dos looks que fiz com essas peças:

 

31/10/2015

 

18/07/2016

 

27/07/2016

Aos poucos deixei de ser a menina que tinha um blog sobre moda, mas que tinha vergonha de postar looks, para a content creator dedicada, com parceria fixa com uma fotógrafa maravilhosa, que produz e dirige a criação de fotos de looks super especiais, cheios de atitude e que transbordam minha essência.

Pouco tempo depois de começar a trabalhar com a Thaysa nas fotos que fazemos para O Cabide, tive a oportunidade de ser parceira da Chica Bolacha na divulgação das coleções Rebel e Vibes, e para mim foi uma sensação de full circle. Eu iniciei minha jornada na moda plus size me apoiando na Chica Bolacha e começo uma nova jornada da minha vida profissional sendo um apoio (mesmo que singelo) para a marca.

Eu já postei as fotos de todos os looks que essa parceria rendeu lá no Instagram, mas hoje vou mostrar TODAS as fotos que fizemos (inclusive algumas inéditas):

O amuleto

*Fotos: Thaysa Wandeur

Esse vestido é poesia

*Fotos: Thaysa Wandeur

Only good vibes are welcome here! 

*Fotos: Thaysa Wandeur

Geralmente eu espero o Pop Plus para poder ver de perto os lançamentos da marca, mas neste final de semana acontecerá em São Paulo o “Chica Bolacha Festival Plus Size”:

E a programação está linda!

– Lançamento da NOVA COLEÇÃO, promos, jeanswear plus size Levi’s, MODA PRAIA e  Adidas (Nossa Senhora do Nubank nos proteja!)
– Acessórios, posters, buttons & patches.
-CONVIDADOS MAIS QUE ESPECIAIS:
Loja Chico – camisetas masculinas até o 6G
BASFOND – os brincos e pins mais incríveis que você respeita
Empório Quintal da Vó – prepare-se para a melhor cerveja artesanal da cidade – feita por mulheres! ♥
adidas Originals – Aqueles tênis lindos que vocês namoram online!

Além disso o evento contará com o DESFILE DE CHICAS, com participação especial das próprias clientes da marca!

Formas de pagamento:
– Todos os cartões em até 6x
– 10% desconto em dinheiro

Quais tamanhos a marca oferece?
– Até o 5G! 

Onde:
Local: Rua Augusta, 792 (e-DJs Institute)

Quando:
24 de Novembro (sexta) – das 10h às 20h
25 de Novembro (sábado) – das 10h às 20h

Entrada Franca

Estarei lá no sábado e quero ver vocês, portanto deixem a timidez de lado e venham me abraçar! ♥

P.S.: O sonho de conhecer a loja da marca em Porto Alegre continua em pé!

 *Não é publi, é amor!

Fundadora e editora do O Cabide, formada em moda, fotógrafa iniciante, apaixonada por figurinos e história da moda. Futura jetsetter, feminista, gayzista, abortista, gorda, patrona do amor próprio e entusiasta da maquiagem para beleza e para a arte.

Consultoria da magreza

Hoje vi vários posts nas redes sociais sobre um curso de consultoria de imagem plus size que estava causando polêmica.

O motivo?

O foco do curso é treinar consultores de imagem para disfarçar, emagrecer e criar ilusões de ótica que transformem o corpo gordo.

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Eu não vejo problema algum em usar a moda para criar outras silhuetas, mas um curso voltado para esse público não pode ter somente esse objetivo.

Ou seja, eles querem ganhar dinheiro com o plus size (o curso dura 24h e custa R$1000), mas não vão fazer o menor esforço para compreender o público que ele atende?

 

Vou deixar aqui as minhas sugestões para a Panamericana (escola paulista responsável por tal curso):

Que tal fazer um curso de consultoria de imagem plus size que ensine pessoas gordas a amarem e vestirem os corpos que têm, sem disfarçá-lo?

Que tal usar temas como empoderamento, aceitação e representatividade, como apoio para autoestima de quem contrata um consultor de moda?

Que tal chamar alguém com vivência nesse meio para dar essa aula?

Que tal não fazer um curso para propagar padrões estéticos que nos aprisionam?

Que tal parar de enxergar o corpo gordo como algo que precisa ser transformado?

Que tal identificar as necessidades de um mercado antes de criar um curso sobre ele?

Que tal entender que “plus size” é um termo mercadológico e que não dever ser usado para designar mulheres, ou homens, de qualquer tamanho?

 

Melhorem.

*imagens: reprodução

Fundadora e editora do O Cabide, formada em moda, fotógrafa iniciante, apaixonada por figurinos e história da moda. Futura jetsetter, feminista, gayzista, abortista, gorda, patrona do amor próprio e entusiasta da maquiagem para beleza e para a arte.

A nudez da mulher gorda

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Fundadora e editora do O Cabide, formada em moda, fotógrafa iniciante, apaixonada por figurinos e história da moda. Futura jetsetter, feminista, gayzista, abortista, gorda, patrona do amor próprio e entusiasta da maquiagem para beleza e para a arte.

Jossana Lauria, da marca Joss, fala sobre mercado plus size e empreendedorismo

Se você acompanha o o blog há algum tempo, deve ter percebido que estão rolando mudanças no que publicamos e até em nossa aparência. Como parte dessas mudanças quero trazer para vocês um conteúdo mais sólido sobre empreendedorismo, desenvolvimento de produtos, processos criativos, etapas de confecção e tudo mais que seja relevante para compreendermos melhor a indústria da moda e seus segmentos.

Para isso vou conversar com profissionais que administrem suas próprias marcas, confecções ou projetos relacionados ao consumo ou a cultura da moda.

jossana-lauria-moda-plus-size-joss-entrevista-ocabide

Para o post de hoje conversei com a Jossana Lauria, estilista e proprietária da marca plus size Joss. Em nosso bate papo falamos sobre como surgiu sua marca e quais são os desafios em manter um negócio dentro desse segmento, confira:

  • Como surgiu a Joss?

A Joss surgiu com o meu sonho de montar a minha marca plus size com preços acessíveis para todos. Desde criança via que as roupas para gordos (as) não eram bacanas e me sentia muito mal com aquilo, pois também era uma gorda que consumia moda. Como desde pequena sempre sonhei em ser estilista, me formei em moda, me especializei em moda plus size e cá estou com esse sonho realizado, de ser estilista da minha própria marca!

  •  Como designer, você acredita que suas experiências pessoais com o mercado plus size influenciam nas decisões que você toma para sua marca?
Sim, com certeza absoluta! Como designer consigo ter o discernimento de como uma modelagem pode influenciar uma peça e o design também. Como gorda e consumidora, consigo juntar o útil ao agradável para criar meus produtos.
  •  Como você vê a questão da representatividade na apresentação de produtos em catálogos e campanhas de moda plus size?
Vejo que a cada dia mais marcas tendem a diminuir o plus size, chegando a numerações um tanto quanto ridículas, além de colocarem modelos de tamanho mediano em catálogos, logo acabam não representando as mulheres gordas que buscam isso atualmente. Realmente há uma necessidade enorme de gordas representativas nesse meio (como a Tess Holliday, por exemplo), e ainda são poucas as marcas que trabalham com essa representatividade, mas acredito que isso irá mudar um dia!
  • Além dos desafios típicos desse segmento, quais são suas dificuldades como mulher empreendedora?
A dificuldade é essa crise que o Brasil está passando, para empresários está sendo a morte. Mas isso vai se acertar (assim espero)!
  •  Tem algum conselho para quem deseja se aventurar nesse mercado?
Sim, seja diferente, inovador, esse é o diferencial!
  • Quais são seus planos para o futuro da Joss?
Bom, pretendemos abrir uma loja física em breve e ampliar os nossos produtos, temos planos gigantescos, mas é segredo! 😝 hahahaha
Gostaria de agradecer a Jossana pelo bate-papo, ela tem uma energia incrível e é uma querida! Desejo boa sorte com os seus planos e muito sucesso para sua marca! ♥
Conheça a Joss e seus produtos: www.jossplus.com.br
Compartilhe suas experiências conosco, deixe nos comentários sua visão sobre o mercado de moda plus e nos digam quem mais vocês gostariam que entrevistássemos.
*imagens: reprodução
Fundadora e editora do O Cabide, formada em moda, fotógrafa iniciante, apaixonada por figurinos e história da moda. Futura jetsetter, feminista, gayzista, abortista, gorda, patrona do amor próprio e entusiasta da maquiagem para beleza e para a arte.

Mulheres gordas também transam

Quando se fala da sexualidade da mulher gorda na internet o resultado é fetichismo e pornografia.

Quando se fala da sexualidade da mulher gorda em uma conversa casual é comum ouvir coisas como: “É mais fácil transar com mulheres gordas porque elas são desesperadas”, “Mulheres gordas se dedicam mais no sexo oral porque querem te convencer de que vale a pena transar com elas” ou “Transo com ‘gordinhas’ para praticar e ficar bom de cama para quem realmente merece”.

E quando é a vez do TV ou do cinema falar sobre a sexualidade da mulher gorda, nossa libido é vista como algo cômico, digno de deboche e ridicularização.

A sociedade como um todo não enxerga mulheres gordas como indivíduos completos e funcionais,  e nada na nossa cultura nos faz pensar que elas têm vidas sexuais que incluam experiências ricas e cheia de variação como as de qualquer outra pessoa.

Ou seja, não importa em qual situação, somos fetichizadas, objetificadas ou ignoradas, e inevitavelmente a nossa sexualidade sempre acaba parecendo um tabu.

artista desconhecido

A vida sexual da mulher gorda funciona como a de qualquer outra mulher, sentimos tesão, nos masturbamos, transamos em várias posições, temos fantasias, compramos brinquedinhos, usamos lingerie sensual e escolhemos nossos parceiros (ou parceiras) com base em afinidades e química.

Parem de tentar categorizar nossas transas, não existe “sexo gordo”!

Parem de presumir que por sermos gordas não somos confiantes, e não temos autoestima e controle sobre nossos corpos.

E parem de tentar enfiar (sem trocadilhos) o nosso tesão em moldes engessados e patriarcais, nosso corpo não existe para atender suas necessidades, nosso prazer não é condicionado por padrões estéticos e assim como qualquer outro ser humano, nós transamos para gozar.

 

*imagem: reprodução

 

 

 

Fundadora e editora do O Cabide, formada em moda, fotógrafa iniciante, apaixonada por figurinos e história da moda. Futura jetsetter, feminista, gayzista, abortista, gorda, patrona do amor próprio e entusiasta da maquiagem para beleza e para a arte.