Do Ponto Zero para o mundo!

No backstage da Casa de Criadores tive o prazer de conhecer Pedro Steinmann e ver todos os detalhes que o estilista participante do concurso Ponto Zero ia colocar na passarela.

Pedro é carismático, e mesmo com a loucura pré-desfile conseguiu dar atenção para todos, inclusive para mim. Temos um carinho especial por seu trabalho, pois o Pedro se formou na mesma faculdade que eu, e é sempre bom ver colegas trilhando bons passos e adentrado com sucesso no mundo da moda.

Pedro Steinmann

O papo por lá foi bom, mas foi curto, uma porção de gente, repórteres e fotógrafos cercavam Pedro, curiosos com seu trabalho e com as expectativas do desfile.

Pude conversar com ele por lá, mas sou muito curiosa e queria conhecer mais o Pedro, que é um querido, mega simpático e que acabou terminando essa entrevista de maneira bem mais completa para vocês via email!

Nicole Duarte: Me conte mais sobre você?

Pedro Steinmann: Sou formado em Design de Moda pela Belas Artes e sempre tive um interesse especial pela moda masculina. Estou sempre pesquisando novas tendências, modelagens, padrões e novidades. Quando entrei para a faculdade, meu interesse foi aumentando e hoje minhas criações estão cheias de novas ideais, fruto dessa pesquisa intensa que tenho realizado sobre o universo da moda masculina, ainda relativamente pouco explorado no Brasil.

ND: E como foi que você escolheu a moda como profissão?

PS: Na minha infância sempre gostei de pintar, desenhar, criar desenhos e, por isso, até fiz aula de pintura por algum tempo. Sou apaixonado pelo trabalho de artistas plásticos, pintores, especialistas em pintura, já que todo esse universo de cores e formas serve como grande inspiração para minhas criações.
Quando era jovem sempre rabiscava muito nos cadernos. Desenhava tudo e nessa época comecei a fazer alguns desenhos de moda, escondido, o que me levou a começar buscar e pesquisar em revistas e internet diversas coisas relacionadas à moda (referências, estilistas, tendências, etc.)
As primeiras peças que eu fiz foram para as minhas tias, que me pediam ajuda para comprarem roupas e orientação sobre as peças que ficavam melhores. Até que comecei a ajudar na compra de tecidos e criar modelos para elas. Eu sempre pensava muito nessas roupas e isso faz parte da minha memória! Daí foi um pulo para eu descobrir que gostava muito de arte e finalmente entender minha paixão por moda. Hoje em dia não consigo me ver fazendo outra coisa.

ND: Como foi sua formação?

PS: Me formei em dezembro de 2009. Durante o período da faculdade fiz cursos livres de desenho, criatividade, visual merchandising & vitrine e marketing para conhecer cada vez mais a moda e os negócios da moda. Sei que ainda tenho um longo caminho pela frente, e por isso estou sempre em busca de novos conhecimentos, novidades do mercado, etc. Quase não paro em casa!

ND: E a sua coleção, me fala sobre o que você mostrou na passarela da Casa de Criadores.

PS: A coleção é inspirada no artista plástico Rubem Valentim, caracterizados por uma essência masculina. Além de vestir, tem um caráter de imaginação. Produtos que remetem as formas, cores e movimentos. Para a coleção outono-inverno 2010 os produtos desenvolvidos contam com os tecidos veludo alemão importado, veludo cotelê, tricoline e lã super 120 fios importado, entre outros, que valorizam os produtos, além de se adequarem melhor ao nosso clima.

Pedro Steinmann

Nas estampas, a cartela de cor se restringe ao preto, cinza, azul marinho, vermelho e branco. As peças, além de valorizadas pela modelagem clássica, também são valorizadas pelos detalhes com poucos aviamentos.

Pedro Steinmann

As cartelas de aviamentos são constituídas por botões de metais, fivelas entre outros. A utilização desses acabamentos valoriza as peças sofisticadas. As obras de Rubem Valentim, associadas às características sociais e culturais da década de 60, especialmente as mudanças estruturais da moda, serviram como referência para a criação da coleção outono / inverno 2011. Foram usadas as formas geométricas simples, as cores e os movimentos das obras do artista plástico Rubem Valentim, carregadas de luminosidade e significados não verbais, que inspiraram a criar o design de uma estampa discreta, e ao mesmo tempo marcante, utilizada nos forros e acessórios dos trajes masculinos.

Também a autenticidade do artista foi levada em conta, procurando imprimir nos trajes alguma de característica do homem brasileiro: a liberdade, a elegância e o bom gosto, características evidenciadas na década de 60. Da mesma forma que a Obra de Valentim, os anos 60 foram ricos em autenticidade. As pessoas, especialmente os jovens, mostravam-se autênticos na forma de se expressar, cantar, viver e se vestir. Usamos essa autenticidade para construir nossa coleção que é, sem dúvida, autêntica, refletindo uma moda casual, liberada e democrática, características próprias dos homens brasileiros. A coleção foi projetada para o homem refinado, que gosta de roupas, calçados e acessórios confortáveis e diferentes. Nesta coleção podem-se encontrar desde os modelos mais básicos até os mais sofisticados.

Pedro Steinmann

ND: E agora que o Ponto Zero já passou, quais são os seus planos?

PS: Participei do concurso Ponto Zero para ter novas experiências, fazer novos contatos, enfim, me aproximar mais do mercado e conhecer as dinâmicas de um desfile, dos negócios, etc. Ainda estou querendo abrir o meu negocio, mas agora pretendo trabalhar um tempo em uma marca de moda masculina para aumentar minha experiência e desenvolver novas idéias.

E assim, com novas ideias, inovando e quebrando barreiras novos estilistas abrem portas e janelas para o mundo através de suas criações. Parabéns ao Pedro pela coleção e pelo seu trabalho.

Eu e a equipe O Cabide desejamos sorte e muito sucesso!

*imagens: reprodução

Fundadora e editora do O Cabide, formada em moda, fotógrafa iniciante, apaixonada por figurinos e história da moda. Futura jetsetter, feminista, gayzista, abortista, gorda, patrona do amor próprio e entusiasta da maquiagem para beleza e para a arte.