Neon Moon

A ‘Neon Moon’, marca feminista de lingerie, lançou recentemente uma campanha que se propõe  a combater a transfobia e o body shaming. Enquanto a maioria das marcas prioriza estética no lugar de praticidade, essa empresa tem como objetivo mudar a forma como pensamos sobre lingerie. A campanha ‘#IAmNeonMoon’ surgiu para lutar contra a forma sexista como é feita a apresentação e publicidade de lingeries.
A campanha conta com um casting diversificado que representa uma grande variedade de consumidores. Os anúncios mostram uma modelo transgênero, uma modelo cis e uma modelo negra vestindo as coloridas lingeries da marca. Uma das modelos apresenta de maneirsa vísivel pêlos corporais enquanto uma outra tem a cabeça raspada (viva!!!). A ideia por trás das fotos é fazer o consumidor pensar na forma como tem sido feita esse tipo de publicidade, com o objetivo principal de combater a transfobia e o body shaming através desviando dos padrões convencionais de beleza.
Visite o site da marca: www.neonmoon.co
*imagens: reprodução
Fundadora e editora do O Cabide, formada em moda, fotógrafa iniciante, apaixonada por figurinos e história da moda. Futura jetsetter, feminista, gayzista, abortista, gorda, patrona do amor próprio e entusiasta da maquiagem para beleza e para a arte.

Peso, beleza e padrão

Olá, gente!
Hoje venho com algo diferente do de costume. Entrei de férias e tive tempo, finalmente, para ler o texto incrível “Eu sou gorda” da Nic, onde ela conta a experiência dela de autoaceitação por estar acima do peso e como foi e está sendo isso.

Decidi compartilhar a minha experiência pessoal sobre o que é estar abaixo do peso. Ou simplesmente chegar ao peso ideal mas as pessoas acharem que eu ainda estou abaixo.

Eu tenho em torno de 1,57m e peso 40 e poucos quilos, tenho 19 anos e uma carinha de 15 (ou menos). Desde de pequena eu era a magrinha, pequenininha da turma. Depois, no fundamental e ensino médio, continuava sendo a amiga magrela, e eu olhava muitas das minhas amigas mais encorpadas do que eu e me sentia mal por conta disso.

É comum achar que só as pessoas que estão acima do peso ouvem comentários desagradáveis a respeito da sua aparência, mas não deveria ser segredo para ninguém que quem é bem mais magra em relação ao resto também ouve. As vezes, como eu, a saúde está ótima, exames perfeitos! Mas ainda vai ter aquela pessoa que acha que você tem algum tipo de distúrbio alimentar, o que é algo sério, e não é legal ouvir esse tipo de coisa. Ainda vão ter aquelas pessoas que vão falar “nossa, você não come nada”, “nossa, como você está magra, precisa comer”. Adivinhem? Eu como!!! Eu cuido da minha saúde e estou super bem!!!

A maioria dos meus amigos são homens, então sempre ouço comentários do tipo “putz, como ela é gostosa” para se referir a algumas mulheres, e, bem, as vezes eu paro e penso “cacete, devo estar muito mal”. Mas depois penso “porque eu deveria me importar com isso? Eles acham ela gostosa, que bom, há quem goste de mim assim.”

Uma vez, no meu segundo ano do ensino médio, eu estava indo para um parque aquático com a escola, e no ônibus ouço um comentário em um tom nada legal: “Nossa, sério? Eu prefiro pegar uma gordinha  do que uma magrela.”(não lembro se foram exatamente essas as palavras). Eu entendo que cada um tem suas preferências, mas as vezes o tom que a gente usa pode mudar muita coisa. Isso grudou na minha cabeça durante muito tempo, eu pensava “porque diabos eu preciso ser assim?!”, mas depois de algum bom tempo, eu parei pra refletir “peraí, ele é igualmente baixinho e magrelo como eu, ele poderia ter o mínimo de respeito pelos ‘seus iguais’, ele não é nada mais que uma versão masculina minha. Ou, ao menos, use um tom diferente ao falar isso, e foi quando me senti um pouco melhor.

Hoje em dia, no segundo ano da faculdade, eu já me sinto muito melhor em relação ao que eu sou.  Eu sei que não me alimento mal, que eu faço o que devo por mim e que meu peso não atrapalha minha vida (a não ser pra achar calça, SIM, é difícil achar calça quando seu tamanho é 34)!

Eu já fiz dieta pra engordar, ganhei em torno de 4/5kg, mas hoje estou bem e não vejo mais essa necessidade. Eu precisava comer de 2 em 2h, o que para alguns pode parecer legal, mas não é. Não é legal ter que ficar controlando o horário para ver quando eu preciso comer de novo. Já deixei avisado que eu não me submeto mais a isso. É simplesmente chato e eu não preciso disso.

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Primeiro ficava aquela coisa na cabeça de que eu estava super fora dos padrões, que nada estava certo, que eu precisava fazer algo, mas a cabeça muda. Agora eu simplesmente gosto de não ser o padrão, eu sei que não tem nada de errado. Me chamam de magrela – não que isso seja muito legal, pra mim pessoalmente – e eu só penso: “ok, mas eu espero que você já tenha, pelo menos, olhado para minha bunda, porque isso eu sei que eu tenho. Não é imensa, mas ta proporcional a mim e ta bonitinha. Beleza? Obrigada!”. Eu gostaria sim, e muito, de ter seios maiores. Porém, entretanto, todavia… A esperança é a última que morre! hehe

Eu parei no tempo, no estilo Twiggy de ser, inclusive com aqueles olhos grandes e super legais. Sou magrinha, não tenho biotipo pra ser gorda, gostosona e curvelínea. Não tenho, é simples assim! Nunca vou ter a bunda da Kim Kadarshiam e estou bem assim! Tenho lá meus deslizes, mas quem não tem?

Twiggy

Aprendi que beleza é relativo, que o conceito do que cada um acha bonito é diferenciado, tanto dentro do nosso próprio país como nos outros. E isso é fácil de perceber. Quando comento com minhas amigas sobre alguém que acho bonito e elas discordam: ta aí! É relativo! Eu acho bonito, elas não! E sempre vai ter alguém que vai gostar de você da forma que você é, e isso você pode acabar descobrindo das maneiras mais estranhas possíveis! E ainda bem que é assim! Tem, inclusive, um documentário super interessante do Discovery Channel que fala sobre A ciência do sex appeal, ele está completo no Youtube e eu super recomendo assistir!

A sociedade, principalmente a mídia, tem toda aquela coisa de imposição de padrão e daquilo que é bonito, daquilo que devemos aceitar como o “normal”, e acho que o melhor que podemos fazer é não nos deixarmos levar por toda a lavagem cerebral. É como uma lobotomia, transformar as pessoas em vegetais, que vão só aceitar aquilo por ser mais fácil e porque muitos outros estão fazendo. Mas as pessoas tem opiniões, as pessoas pensam; e a melhor coisa que podemos fazer, pelos outros e por nós mesmos, é nos mantermos conscientes daquilo que a gente quer para a gente e para o mundo.

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Eu me sinto bem melhor comigo hoje, eu sei que penso por mim, que minha opinião é formada e dita, que o que eu acho bonito e legal pode não ser o que é bonito e legal para o outro e assim vivemos!

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Nos seus deslizes de autoconfiança, para e pensa naquilo de melhor que você tem a oferecer e, que talvez, os outros não tenham, ou poucos tenham! O mundo é legal porque somos diferentes! Meus amigos costumam me chamar de louca com uma frequência relativamente alta, e sempre levo como um elogio, afinal, qual a graça de ser como todo mundo?

Beijo para todos! (:

*imagens: reprodução

Estudante de psicologia, fanática pelas mentes mais loucas imagináveis. Adoro um bom livro, um ótimo filme, fones de ouvido e uma música pra dançar.

Padrões

Ontem a atriz e cantora Preta Gil postou em uma mensagem indignada em suas redes sociais em que falava sobre a publicação de uma versão editada e não aprovada, por ela ou pelo fotógrafo responsável, na revista Moda Moldes.

Trata-se de uma foto feita para a capa da edição de setembro da revista que recebeu tratamento para que a filha de Gilberto Gil ficasse mais branca (eu não vou fazer esse trocadilho medonho que todo mundo tá fazendo).

Preta Gil - Moda Moldes

Recentemente falei sobre padrões de beleza em um post super importante que propõe uma mudança e um novo espaço para vocês aqui no O Cabide. Esses padrões de beleza não ditam só a maquiagem ou o esmalte da moda, eles se referem também ao peso e a etnia de cada pessoa. Falei francamente sobre como eu pretendia me posicionar diante de desafios da beleza e que o que era mais difícil para mim era ver a maneira como as meninas se tratam nas redes sociais, como elas comentam nas fotos uma das outras, quanto julgamento e críticas gratuitas são despejados em posts que muitas vezes são de adolescentes.

Com a Preta não foi diferente, é claro que ela recebeu muitas mensagens de apoio, e muitos elogiaram a foto original. Infelizmente houve comentários nada positivos que totalmente desconsideraram a questão racial, alguns outros comentários que acham que ela não tem o direito de reclamar já que ela se sujeita ao Photoshop em outras revistas e também teve algumas pessoas que acham que ela fica mais bonita branca (e isso é racismo, não tem nada a ver com questão de opinião).

Está na hora de repensarmos o nosso relacionamento com as pessoas.

Preta Gil - Moda Moldes

Pensando nisso O Cabide abriu um espaço para a foto da maquiagem de vocês, assim como fazemos com os croquis não será preciso ser profissional ou obedecer nenhum tipo de regra para ver um look seu aqui.

Sabe quando você acabou de fazer uma make bacana, e está a fim de compartilhar, mas tá morrendo de medo das críticas? Manda a foto da sua make pra gente! Uma vez por semana faremos um post com fotos das maquiagens de vocês.

O objetivo? Libertar a beleza de vocês! Colocar a imagem de vocês em um ambiente positivo para que se sintam mais livres para usar a maquiagem como forma de expressão, e não como uma prisão cheia de julgamentos e opressão. E se sintam mais livres também para compartilhar a beleza de vocês como ela realmente deve ser, do seu jeito.

Vocês podem enviar suas fotos para nosso e-mail (ocabide@ocabide.com) ou para o inbox da nossa página no Facebook. Junto com as fotos enviem o nome e idade de vocês, seria bacana se também mandassem um comentário sobre a foto, mas não é obrigatório.

Estou ansiosa para conhecer vocês! <3

*imagens: reprodução

Fundadora e editora do O Cabide, formada em moda, fotógrafa iniciante, apaixonada por figurinos e história da moda. Futura jetsetter, feminista, gayzista, abortista, gorda, patrona do amor próprio e entusiasta da maquiagem para beleza e para a arte.