BEDA #20 – Linha do tempo: Nicolismos since 1985

Eu sempre ouvi meus pais dizerem que eu fui fruto de uma gestação planejada em todos os detalhes, a última tentativa para que meu pai realizasse o sonho de ter uma menina.

Ultrassom | 23/07/1985

Mesmo assim minha mãe passou nove meses tendo a certeza de que eu era um menino e escolheu para mim o nome Nicolas. Ela soube que na verdade estava grávida de uma menina quando entrou na sala de parto, que a parteira tinha enfeitado de cor de rosa e escolhido a música F comme femme, de Salvatore Adamo, para tocar.

No dia da estreia! | 20/08/1985

Já cheguei ao mundo virando a vida de todos ao avesso, eu era delicada, mas era bruta. Era introvertida, mas o centros das atenções.

Quem gostou bate palma, quem não gostou, paciência! | 1986

Existe uma forma muito fácil de descrever o relacionamento que tenho com meus avós maternos: eu tenho 33 anos e uma vez por mês eles me mandam um pacote de bisnaguinhas e/ou dinheiro para comprar chocolate.

Menininha da vovó | 1986

2018 foi um ano que me fez entender ainda mais que a vida é algo que nunca temos sob controle. Ainda não consigo acreditar que você não está mais aqui. Te amo para sempre, Mari.

Prima/Irmã – 1989

Eu sempre falo da minha relação com a moda e isso se dá porque de certa forma ela sempre existiu. Eu sempre escolhi minhas roupas e fazia questão de estar presente em todas as compras. Eu não vestia nada que não tivesse escolhido.

Um amor chamado roupa nova | 1989
Bem Barbiezinha | 1991

E foi a moda que me fez querer conhecer outros mundos. Experimentei todos os estilos possíveis, mas a fase mais marcante foi a fase clubber. E eu acho que é com ela que  eu mais me identifico até hoje. Eu amava mudar a cor do cabelo, fazer piercings espontaneamente e dançar noites e dias inteiros em festas abarrotadas no meio do nada.

Comemorando o aniversário de 16 anos dançando durante um set do Rica Amaral, em Piracicaba. | 2001

Não fui a pessoa mais sociável durante o colégio, porém tive a sorte de viver essa fase rodeada por pessoas maravilhosas e mesmo que meu mundo  estivesse prestes a desabar, me diverti muito nessa época.

Novinha saliente | 2002

Depois do colégio a depressão passou a fazer parte do meu cotidiano, me afastei dos amigos, saí do estágio e fiquei bastante tempo perdida.

Toda trabalhada no barroco: exagerada, dramática e cheia de contrastes emocionais | 2003

Eu descobri a publicidade justamente quando fazia meu primeiro estágio e depois tive a oportunidade de acompanhar de perto o trabalho de um primo que tinha sua própria  agência. Decidi sair dessa fase de escuridão prestando vestibular para publicidade e propaganda na Universidade Metodista de São Paulo. Eu teria pela frente dois anos de muita luz (Eu disse luz? Na verdade foi muita pinga!).

Me descobrindo | 2003
Garota do Fotolog | 2004
Dias e noites regados a chapador (só os fortes entenderão)| 2004

Depois dessa fase de loucura e autodescoberta, decidi investir em algo que eu achei que sempre estaria fora do meu alcance: estudar moda. Se eu tivesse que escolher, escolheria a moda de novo. Eu amei minha faculdade, mesmo que tenha vivido essa fase em paralelo com varias relações tóxicas.

Até hoje não lembro porque descolori o cabelo nessa época | 2006
Varios tratamentos que não davam certo e varias amizades que eu deveria ter dispensado | 2009

O fim da faculdade foi um grande recomeço para mim. Eu estava solteira, conhecendo pessoas novas e curtindo mais a vida. Eu tive muitas crises de depressão durante a faculdade e consegui ficar bem por varios meses depois que me formei, quando fiquei ruim de novo conheci o médico que me daria o diagnóstico do Transtorno Bipolar e me daria esperanças de que essa era uma batalha que eu podia vencer.

Na exposição do meu tcc com a minha diva | 2009
Me preparando para a formatura | 2009

Eu teria muitos empregos diferentes nos anos seguintes, uns muito bons, outros muito ruins, e essa também foi a época em que O Cabide nasceu.

Com Costanza Pascolato no Fashion Mob | 2010
Avaliadora na banca de conclusão do curso Design de Moda – Belas Artes | 2010
Em entrevista para o programa Estilo de vida com Bebel Ferreira – Mulheres reais – a moda plus size | 18/04/2011
Evento da Shoestock | 2012

Passei os anos seguintes freelando, trabalhei um tempo para uma assessoria de imprensa, mas precisei me afastar para cuidar da saúde, nessa época eu iniciaria o tratamento que faço até hoje e foi a fase em que eu mais vi a minha vida mudar.

A molécula da serotonina | 2012
E agora, José? | 2014

Entre 2014 e 2015 vivi mais uma vez um recomeço, estava me preparando para iniciar uma nova jornada, começar tudo de novo em outro país e tudo o que fiz durante esses meses foi com foco nisso. Mas eu estava prestes a viver algo que jamais imaginei antes.

A fase de redescoberta trouxe amor pelo meu corpo, aceitação com a minha condição e uma vontade imensa de testar meus limites | 2015
Careca e com a Chanelzinha, a foto que foi para no Buzzfeed | 2015

No dia 11 de novembro saí para fazer uma entrega do meu brechó, geralmente era meu pai quem fazia isso, estávamos trabalhando juntos nessa época. Mas aquele dia estava insuportavelmente quente e meu pediu que eu fosse em seu lugar pois não estava se sentindo bem. Quarenta minutos depois,  cheguei em casa e encontrei meu pai sem vida em seu quarto.

Pôpai | a foto dele é de 1985 a minha é de 2014

Depois da morte do meu pai decidi ficar no Brasil ao lado da minha mãe e viver mais esse recomeço aqui. Fiquei desempregada por bastante tempo e minha situação financeira ficou bem complicada. Mas em 2016 comecei um trabalho que mudaria tudo e me traria para a fase que estou vivendo hoje.

Estudando moda mais uma vez, agora na ETEC | 2016
Eu e a Flávia Durante no primeiro Pop Plus em que estive a trabalho | dez/2016
Primeiro editorial com a Thaysa Wandeur | 2017

Depois de superar um momento tão difícil e de ver o meu trabalho crescer tanto e ser tão valorizado, passei a ter um orgulho de mim que nunca tive antes. E isso me permitiu ser cada vez mais quem eu sou, sem precisar de recomeços.

Um mulherão desses, bicho! | 2017
Pretty in pink | 2018
Neon lights | 2018

Estou na melhor fase da minha vida e mesmo em um ano horrível como esse, nunca me esqueço disso.

Fundadora e editora do O Cabide, formada em moda, fotógrafa iniciante, apaixonada por figurinos e história da moda. Futura jetsetter, feminista, gayzista, abortista, gorda, patrona do amor próprio e entusiasta da maquiagem para beleza e para a arte.

Eu e a Chica

Nos últimos anos vocês acompanharam toda a minha jornada com o peso. Desde quando eu comecei a engordar, até as dietas malucas (nunca vou deletar esses posts, mesmo sabendo que eles não representam coisas positivas, eles fazem parte de uma história de amor próprio muito bem sucedida) e o momento no qual eu finalmente enxerguei meu corpo como ele era e comecei um processo de aceitação não só da minha aparência, mas de quem eu realmente sou.

Se você realmente acompanha o blog, lembra dos primeiros posts sobre moda plus size e da busca por referências e marcas que me ajudassem a formar um estilo que realmente fosse a minha cara. Até porque, foi só quando eu me aceitei como mulher gorda que eu realmente passei a buscar formas de me expressar através da moda. Eu passei toda a adolescência e a maior parte da minha vida adulta tentando entender o meu estilo e sentindo que no geral, eu fracassava miseravelmente em mostrar quem eu era através da moda.

E se era difícil quando eu era magra, imagina como foi quando eu engordei e não encontrava roupa em lugar nenhum? Eu passei um bom tempo me espremendo nas roupas que tinha no guarda-roupa, misturando-as com algumas das peças que encontrava em lojas de departamento que servissem em mim. Eu até me virei bem, mas era bem difícil me identificar com o que eu vestia.

Mas eu lembro exatamente quando tudo isso mudou. Eu me credenciei para cobrir uma edição do Fashion Weekend Plus Size, após alguns anos sem visitar o evento, e rolou um desfile da marca Chica Bolacha. Eu assisti ao desfile no pit, sentada aos pés dos fotógrafos e acompanhei todos os detalhes de perto. Conforme as modelos entravam na passarela, gordas, lindas, dançando e sorrindo eu finalmente senti que eu pertencia a algo, que eu podia me afastar da insegurança e do medo, pois dali para frente eu conseguiria ser eu mesma, por dentro e por fora.

A Chica Bolacha não só fazia roupas para mulheres gordas, como fazia roupas para mulheres gordas como eu. Com um pezinho no rock’n’roll, um pezinho no alternativo e muito humor e personalidade!

Hoje em dia, para quem já viveu o processo de aceitação, já visitou os Pop Plus e Hashtag Bazar da vida, isso parece algo óbvio e fácil de conquistar, mas há 2 ou 3 anos atrás não era bem assim.

Pouco depois houve um bazar da Chica aqui em São Paulo e com a ajuda da minha mãe (eu estava muito sem grana na época) comprei 5 peças que uso até hoje. Seriam essas peças que fariam com que eu finalmente pudesse imaginar um estilo só meu e começasse a colocá-lo em prática.

Alguns dos looks que fiz com essas peças:

 

31/10/2015

 

18/07/2016

 

27/07/2016

Aos poucos deixei de ser a menina que tinha um blog sobre moda, mas que tinha vergonha de postar looks, para a content creator dedicada, com parceria fixa com uma fotógrafa maravilhosa, que produz e dirige a criação de fotos de looks super especiais, cheios de atitude e que transbordam minha essência.

Pouco tempo depois de começar a trabalhar com a Thaysa nas fotos que fazemos para O Cabide, tive a oportunidade de ser parceira da Chica Bolacha na divulgação das coleções Rebel e Vibes, e para mim foi uma sensação de full circle. Eu iniciei minha jornada na moda plus size me apoiando na Chica Bolacha e começo uma nova jornada da minha vida profissional sendo um apoio (mesmo que singelo) para a marca.

Eu já postei as fotos de todos os looks que essa parceria rendeu lá no Instagram, mas hoje vou mostrar TODAS as fotos que fizemos (inclusive algumas inéditas):

O amuleto

*Fotos: Thaysa Wandeur

Esse vestido é poesia

*Fotos: Thaysa Wandeur

Only good vibes are welcome here! 

*Fotos: Thaysa Wandeur

Geralmente eu espero o Pop Plus para poder ver de perto os lançamentos da marca, mas neste final de semana acontecerá em São Paulo o “Chica Bolacha Festival Plus Size”:

E a programação está linda!

– Lançamento da NOVA COLEÇÃO, promos, jeanswear plus size Levi’s, MODA PRAIA e  Adidas (Nossa Senhora do Nubank nos proteja!)
– Acessórios, posters, buttons & patches.
-CONVIDADOS MAIS QUE ESPECIAIS:
Loja Chico – camisetas masculinas até o 6G
BASFOND – os brincos e pins mais incríveis que você respeita
Empório Quintal da Vó – prepare-se para a melhor cerveja artesanal da cidade – feita por mulheres! ♥
adidas Originals – Aqueles tênis lindos que vocês namoram online!

Além disso o evento contará com o DESFILE DE CHICAS, com participação especial das próprias clientes da marca!

Formas de pagamento:
– Todos os cartões em até 6x
– 10% desconto em dinheiro

Quais tamanhos a marca oferece?
– Até o 5G! 

Onde:
Local: Rua Augusta, 792 (e-DJs Institute)

Quando:
24 de Novembro (sexta) – das 10h às 20h
25 de Novembro (sábado) – das 10h às 20h

Entrada Franca

Estarei lá no sábado e quero ver vocês, portanto deixem a timidez de lado e venham me abraçar! ♥

P.S.: O sonho de conhecer a loja da marca em Porto Alegre continua em pé!

 *Não é publi, é amor!

Fundadora e editora do O Cabide, formada em moda, fotógrafa iniciante, apaixonada por figurinos e história da moda. Futura jetsetter, feminista, gayzista, abortista, gorda, patrona do amor próprio e entusiasta da maquiagem para beleza e para a arte.