BEDA #9 – Mulheres inspiradoras para seguir no Twitter

Minha carreira como conteudista online para marcas de moda começou com um experimento. A ideia era fazer uma cobertura completa, incluindo bastidores, das semanas de moda de São e do Rio, durante os desfiles das coleções primavera/verão, 2009. Uma proposta como essa para os dias de hoje parece uma piada, afinal chega a ser impossível pensar em um evento como SPFW sem uma cobertura instantânea.
Mas em 2010 não tinha Instagram e não existiam páginas no Facebook. Nós acompanhávamos os desfiles através dos grandes portais, alguns veículos publicavam vídeos no próprio site (o YouTube também não tinha a relevância que tem hoje) e um ou outro desses veículos publicavam as fotos dos desfiles no Tumblr também. A única chance de acompanharmos em tempo real o que estava rolando na Bienal ou no Píer Mauá, era stalkeando as @ mais descoladas do Twitter. E foi o que eu fiz, seguindo produtoras, assistentes, monitores, stylists, maquiadores e modelos, fui combinando informações de forma coesa para compor uma cobertura detalhada, onde além de imagens e vídeos, eu mostrava o ponto de vista daqueles que estavam trabalhando ativamente nos desfiles.

Meu projeto envolveu muita pesquisa e know how sobre a indústria, mas eu não teria atingido o resultado que esperava sem o Twitter.

Naquele ponto meu objetivo era ser jornalista de moda, mas esse projeto abriu portas para que eu fosse além disso. Logo em seguida passei a compor o time de uma revista de moda online e em seguida fui contratada para trabalhar em uma assessoria de imprensa que iniciava um novo departamento para desenvolvimento para conteúdo digital para seus clientes de moda.

Eu fiquei um tempo sem postar nada no Twitter, mas nunca deixei de visitar a rede. Até hoje, quando preciso de informações concretas e de diferentes pontos de vista sobre qualquer assunto, procuro primeiro no Twitter.

Se você precisa de um bom motivo para voltar para o Twitter essa lista de perfis de mulheres com conteúdo inspirador e/ou relevante vai ser um ótimo incentivo:

Flávia Durante

O perfil da Flá, jornalista e criadora do Pop Plus, é cheio de dicas sobre eventos que vão rolar em São Paulo, tem bastante música (ela também é DJ!), dicas de shows e de festas. Mas seu forte é conteúdo voltado para a inclusão e para a luta contra gordofobia.

twitter.com/flaviadurante

Rachel Patrício

Eu sigo a Rachel porque seus tweets me lembram de outras realidades. Ela fala bastante sobre maternidade, também fala abertamente sobre suas experiências poliamorosas e tem um olhar muito esclarecido sobre como a gordofobia impacta a sociedade.

twitter.com/matryoska

Ana Paula Passareli

Como eu já disse, sou conteudista, essa é minha profissão, eu ganho meu pão como creator e trabalhar sozinha, em sua própria empresa, lidando com o comportamento das pessoas na internet é muito desafiador. Eu sigo a Passa porque ela simplifica muitas coisas que as vezes eu enxergo de forma mais complicada do que realmente são. Além disso ela fala bastante sobre as vivências das mulheres com mais de trinta anos, na vida e no mercado de trabalho.

twitter.com/apassarelli

Modices

Você precisa de um conselho de moda? Vai no @modices.
Precisa de conselho amoroso? Vai no @modices.
Precisa de alguém para idolatrar a Rihanna com você? Vai no @modices.
Precisa lembrar que existem mulheres lutando com você para que o mundo seja mais justo para nós? Vai no @modices!
Depois de tantos anos, ainda vejo a Carla Lemos como uma inspiração, foi muito bom ver seu amadurecimento e a forma franca com ela se relaciona com seus leitores/seguidores.

twitter.com/modices
Eu

Adrieli Nunes Schons

Notoriamente conhecida por falar sobre questões políticas e principalmente sobre feminismo de forma bem humorada e inteligente. As opiniões expressadas pela engenheira civil já viralizaram muitas vezes. Seu conteúdo é empoderador e libertador.

twitter.com/Adrieli_S

Andreia Freitas (Não Invialize)

Em seu perfil a psicóloga e protetora de animais Andreia Freitas fala sobre assuntos importantes e no geral é um perfil é bem legal de acompanhar. Mas eu a sigo por causa dos seus contos. Ela tem uma série de histórias chamada Amor nas DMs que ela conta via teeets e que nos deixam o dia todo enlouquecidos querendo saber o final.

twitter.com/NaoInviabilize

Fundadora e editora do O Cabide, formada em moda, fotógrafa iniciante, apaixonada por figurinos e história da moda. Futura jetsetter, feminista, gayzista, abortista, gorda, patrona do amor próprio e entusiasta da maquiagem para beleza e para a arte.

5 peças de roupa que eu quero ver do meu tamanho #EscutaModaPlus

Bom, vocês já estão cansados de saber que eu tenho me divertido MUITO pesquisando marcas plus size nacionais e internacionais, tô absolutamente adorando fazer as wishlists plus size aqui no blog e tem sido uma verdadeira jornada redescobrir o meu próprio estilo depois que me aceitei como gorda.

Mas isso não significa que eu não fique de olho no que rola com a moda como um todo, até porque eu gosto muito de moda e gosto muito de acumular referências de estilo.

Juntando toda esse pesquisa eu cheguei a várias conclusões, duas delas são básicas:

  1. A moda plus size precisa absorver melhor as tendências, acompanhar o mercado para todas as idades e para pessoas com necessidades e estilos diferentes. Não dá mais para investir apenas em vestidos de malha e camisas largas de estampa floral que cobrem o quadril, por exemplo. Nós queremos mais informação de moda, coleções bem pensadas e interessantes que ressaltem nossas curvas e nossas personalidades.
  2. A marcas que não são plus size precisam expandir suas grades. O plus size precisa estar presente em lojas com outra segmentação, outro apelo comercial. Não dá mais para só as marcas plus size venderem tamanhos grandes!

Foi a partir de desejos como esses que surgiu o #EscutaModaPlus, movimento criado pela maravilhosa Babu Carreira (atriz, stylist e blogueira), que tem como objetivo fazer com que as marcas do segmento prestem mais atenção no que seus consumidores realmente querem e como queremos ser representados. Use essa hashtag nas redes sociais para falar sobre mudanças que gostariam de ver na moda plus size, participe do movimento e ajude a dar voz para o que nossas vontades.

Vou usar O Cabide para falar ainda mais sobre marcas, fazer reviews de produtos e coleções, vou tentar falar com pessoas que criam moda plus size e acima de tudo vou falar sobre o que eu, como blogueira e designer de moda, acho que pode mudar nesse mercado.

Hoje vou falar sobre algo que atinge todas as gordas, peças de roupas que eu gostaria que as marcas fizessem do meu tamanho, mas não fazem. Fiz uma lista com 5 itens pelos quais me apaixonei, mas não posso ter pois as marcas não possuem uma grade de tamanho maior, dá uma olhada:

Eu sou apaixonada por bordados, realmente acredito que trabalhos de superfície podem transformar completamente uma peça, além de agregar valor inestimável. Eu já tinha declarado meu amor por essa jaqueta da Joulik lá no nosso Instagram, logo, ela foi a primeira peça de roupa que pensei em adicionar a essa lista. Não vou levar em consideração fato dela custar R$2.499,00 e ser inacessível para mim de qualquer forma, vou apenas ressaltar o fato de que marcas com design único e diferenciado nunca se lembram dos consumidores que usam tamanhos grandes:

Uma foto publicada por O Cabide (@ocabide) em

Eu amo a marca Antix como um todo, tenho vários vestidos da marca que é conhecida por suas estampas delicadas e bem elaboradas. A questão é que o maior tamanho da marca é o G, o que faz com que usar esses vestidos só seja possível se eu fizer uma dieta. Alguns modelos até me servem se eu estiver usando tamanho GG, mesmo que eu tenha seios grandes e quadris largos. Mas no geral é uma marca que não atende mulheres que usam tamanhos grandes.

A coleção Lembranças Verão/2016 tem estampas incríveis com inspiração étnica e o vestido América Central – Mercúrio ganhou meu coração:

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Eu conheci a estilista Karin Feller quando ainda estávamos ambas na faculdade, acompanhei sua carreira desde o início e continuo acompanhando seu crescimento com orgulho, afinal de contas ela é incrível. Há alguns anos eu adquiri algumas peças de sua marca, mas desde que engordei não tive mais a chance de usar qualquer peça assinada pela estilista. Karin é uma verdadeira artista e tem criado estampas maravilhosas em aquarela, infelizmente o maior tamanho da sua marca é o G e de acordo com a tabela de medidas na Gallerist a modelagem é bem pequena. Quero esse vestido no tamanho EG, como faz?

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*A própria KarinFeller entrou em contato conosco para dizer que é possível adquirir suas peças em tamanho grande sob encomenda.

A +EDKa é uma marca ultra moderna e descolada com uma porção de estampas divertidas, perfeitas para quem curte um estilo mais urbano. Há algum tempo atrás eu comentei em uma postagem no Instagram, em que a +EDKa havia sido marcada, que eu tinha amado a jaqueta Junkfood Batatafrita e que estava triste por ver que não tinha o meu tamanho. Após alguns dias a marca entrou em contato dizendo que eles pretendiam que as peças da marca fossem até o tamanho GG (o que ainda é pouco), mas que tiveram problemas com os tamanhos após a sublimação (estampa), no entanto, eles continuam com o G sendo seu maior tamanho. Ou seja, fiquei sem a jaqueta!

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Eu amo o estilo da Carla Lemos, do blog Modices, e vira e mexe ela está usando peças lindas da marca Karamello. Comecei a acompanhar a marca e me apaixonei. Esse amor é proporcional a tristeza por encontrar tanta coisa que eu gosto em uma marca só e nada ser do meu tamanho. Se você usa tamanho GG vai encontrar peças do seu tamanho por lá, mas essa não é a realidade da maioria das mulheres plus size. Com certeza não é a minha realidade no momento. 🙁

Escolhi essa blusa como a peça que gostaria de ver no meu tamanho, mas ficou claro que muitas outras peças poderiam estar aqui, né?

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Já consigo imaginar uma sequência para esse post! O que vocês acham?

*imagens: reprodução

Fundadora e editora do O Cabide, formada em moda, fotógrafa iniciante, apaixonada por figurinos e história da moda. Futura jetsetter, feminista, gayzista, abortista, gorda, patrona do amor próprio e entusiasta da maquiagem para beleza e para a arte.