Minina di Minas

A Minina de Minas funciona sob o comando da designer Graciella Starling e todas as peças da loja são criadas por ela.

Os produtos tem como foco complementar seu look, chapéus, casquetes, arranjos e acessórios para cabeça são o carro chefe da loja, que também oferece bolsas, colares, brincos e outros mimos exclusivos.

Conheci o trabalho da Graciella no desfile que aconteceu em março lá na Voga e me apaixonei, sou fascinada por acessórios para cabelos e cabeça, inevitavelmente adicionei a marca no facebook e comecei a acompanhar mais de perto o sucesso da marca que todos os dias enfeita a cabeça das mais diversas celebridades.

Com atenção voltada agora para a coleção de inverno, acabei não resistindo e pedi uma entrevista! Estava super curiosa para conhecer o processo de desenvolvimento dos produtos e o talento que estava por trás de tanta lindeza.

Minina di Minas

Fofa e simpática, Graciella respondeu à perguntas exclusivas para nós cabideiros, confiram:

Nicole Durte: Como começou a Minina di Minas?
Graciella Starling: Começou a 6 anos. Sempre fui uma apaixonada por cultura, arte, tradições. A cultura mineira é muito forte. O lance do resgate das raízes sempre esteve muito presente na minha vida e hoje nas minhas peças. Quando montei a Minina di minas (tudo com i” justamente porque é como mineiro fala) já morava em Sampa a 5 anos, e sentia falta de resgatar essa cultura tão rica e que pouca gente conhecia aplicada na moda. Hoje a moda mineira tem ganhado mais visibilidade. A criação sempre esteve comigo, sempre fui uma minina inventiva. Mamãe é artista plástica. Eu sempre amei a arte, cresci com ela. E ao mesmo tempo “o vestir” sempre foi uma grande brincadeira pra mim. As misturas do novo e retrô sempre me encantaram. Com a moda pude unir minhas grandes paixões. Historia(cultura) + Arte + estilo.

ND: Qual é a vibe do seu design? (sensação, estilo, inspirações)
GS: Minhas peças tem muito influência mineira, claro, as vezes na técnica, no material ou até mesmo na forma. O barroco sempre me inspirou, mas o mundo é muito mais que as montanhas mineiras. Gosto mesmo é da diversidade cultural. Culturas, hábitos de vida me inspiram. Com a arte é possível misturar hábitos e tradições tão diferentes. Isso me encanta.Com o acessório e as cabeças posso extrapolar para um universo a parte do “Não tecido”. Isso faz com que a criação seja ainda mais rica. Materiais naturais e recicláveis estão sempre de alguma forma inseridos no meu contexto criativo. Fibras naturais, cascas, folhas e principalmente o manual (com o crochê , tricot, macramê) adoro as técnicas manuais.

Minina di Minas

ND: O que inspira sua criatividade?
GS: Amo a estrada.. amo viajar. O movimento, movimenta minha mente. Acho que por isso gosto tanto de formas. Também as formas arrendondadas estão sempre presentes na minha criação.Meu ateliê é em Minas Gerais, vou pra lá de 15 em 15 dias. Isso já me ajuda no processo criativo
ND: Enfrentou algum tipo de dificuldade para a marca ser reconhecida no mercado?
GS: Sou conhecida?? Nem sabia disso… rs Acho que não, a Minina di minas tá começando ainda, o mais legal são as pessoas que gostam das peças. Identificam-se com a criação e assim vai… O boca a boca que leva a marca. Respaldo de clientes é incrível, elas contam historias sobre as peças, como as pessoas reagem ao ver elas vestidas. Isso daria um livro futuramente. Tenho bons personagens pra ele. 😉
O mercado no Brasil é muito dificil, costumo dizer que é o lugar mais difícil de vender ESTILO e o mais fácil de vender MODA. As pessoas aqui no Brasil são muito preocupadas com o que vão pensar delas. Isso é muito ruim para se criar ou comercializar algo diferenciado, as pessoas preferem a segurança do que está na novela. Mudar hábitos culturais é muito difícil num mercado tão engessado. E vender cabeças onde as pessoas nem sabem o que é um arranjo não é uma tarefa fácil… Cultura só se vende onde se tem cultura. Mas tenho muita esperança no meu Brasil, amo minha terra e cá estou… Dizem que brasileiro não desiste nunca, Minina Di Minas taí pra confirmar!!!!

Minina di Minas

ND: Na sua carreira, até agora, qual foi o momento mais marcante?

GS: Minha loja foi uma grande realização, um momento de superação tanto profissional, pois 6 meses antes sofri uma perda financeira muito grande, quanto pessoal, que tive que abrir mão da minha vida de cigana (cada vez em um lugar). E também porque quando olho pra trás vejo que qualquer sonho é possível. Comecei a Minina di minas com 500 reais, uma poupancinha de infância. Isso é ou não é um SONHO??? É muito amor e dedicação.
ND: Tem algum conselho para estudantes ou designers aspirantes que pretendem mostrar seus trabalhos e novas marcas?

GS: AMAR, acreditar e ter FÉ… Acreditem no que estão fazendo, não deixem se levar pelo oportunismo, busquem a oportunidade. A moda é mercado e mercado se conquista com diferencial. Seja vendendo roupa ou pneu de caminhão.!!!

ND: Existe algum acessório de cabeça que você considere icônico, tanto no passado quanto no presente da história da moda?
GS: Chapéus, coroas e acessórios de cabeça sempre foram icônicos. Temos muitos personagens que se vestiam com acessórios na cabeça. Todos eles são facilmente lembrados, Carmem Miranda, Cleópatra, Chaplin, entre outros. Tudo que iconifica esses personagens está na cabeça. A cabeça tá no topo da fisiologia humana. Para sustentar qualquer coisa no topo tem que ter personalidade e atitude, não dá pra achar que vai colocar um chapéu e passar despercebido né????
ND:Quais são seus planos para o futuro da marca?

GS: Considero a Minina di minas um bebê ainda. Tenho muitos projetos em vista e muitos já sendo realizados. Parcerias com marcas como a Fruit de La passion que já está em andamento e o lançamento de mais uma loja em breve, além disso um projeto incrível de vendas on line.
Estou indo para Londres mês que vem, fazer um curso de chapelaria de alta costura e arranjos. Hoje no Brasil não temos nenhum designer da nova geração especialista em cabeças e nem uma marca original do Brasil nesse ramo. Esse será um grande diferencial para a marca Minina di minas e para mim, Graciella, me dedicar ao que eu mais amo,  fazer “cabeças”!!! Isso desde chapéus a arranjos pra noivas. Brinco que fazer cabeças é mudar cabeças (mentes)!!!

Acompanhem a novidades da marca no site: http://www.mininadiminas.com.br/

No Twitter: @mininadiminas

No Facebook:  www.facebook.com/mininadiminas

*imagens: reprodução

Fundadora e editora do O Cabide, formada em moda, fotógrafa iniciante, apaixonada por figurinos e história da moda. Futura jetsetter, feminista, gayzista, abortista, gorda, patrona do amor próprio e entusiasta da maquiagem para beleza e para a arte.

Mantenha a classe

No começo de fevereiro, mais precisamente no dia 14 quando se comemora o Valentine´s Day, a marca Chanel lançou um item indispensável: camisinhas.

Chanel

É isso aí!

Sexo com luxo e glamour!

*imagem: reprodução

Fundadora e editora do O Cabide, formada em moda, fotógrafa iniciante, apaixonada por figurinos e história da moda. Futura jetsetter, feminista, gayzista, abortista, gorda, patrona do amor próprio e entusiasta da maquiagem para beleza e para a arte.

Bem-estar é o novo luxo

Nós somos de uma geração que vive num mundo onde tudo é possível, tudo é instantâneo e inúmeros paradoxos são criados por conta do excesso de informação. mas somos sem dúvida os ícones do novo futuro, do novo estilo de vida. De como tudo começará a nascer e como tudo começará a morrer. Do absolutamente e brilhante novo a escuridão do obsoleto.

Lembrei-me então dessa entrevista dada por Gilles Lipovetsky para a Folha de São Paulo, onde ele explica o comportamento de consumo e do luxo na atualidade:

“O sociólogo francês Gilles Lipovetsky conta como a era do hiperconsumo está transformando nossos conceitos e vontades”

Gilles Lipovetsky

O sociólogo francês Gilles Lipovetsky, 66, tornou-se popular por escolher o consumo, a moda e o luxo como objetos de estudo. De jeans e sandálias, o autor de “A Felicidade Paradoxal” e “O Império do Efêmero” recebeu a reportagem na cobertura de um prédio na zona sul de São Paulo, onde foi hospedado.

Na cidade para um fórum mundial de turismo, Lipovetsky veio falar sobre o “consumo de experiência”.
Abaixo, fala também da obsessão pela saúde e afirma: bem-estar é o novo luxo.

Folha – O que é “consumo de experiência”? 

Gilles Lipovetsky – Vai além dos produtos que podem me trazer esse ou aquele conforto, ou me identificar com essa ou aquela classe. As razões para escolher um celular, hoje, vão além das especificações. Queremos ouvir música, tirar fotos, receber e-mails, jogar. Ter vivências, sensações, prazeres. É um consumo emocional.

Então, o que é o luxo, hoje?
O luxo, apesar de ainda existir na forma tradicional, também está mudando.
Quando buscamos um hotel de luxo hoje, não queremos torneiras de ouro, lustres. O luxo está nas experiências de bem-estar que o lugar pode oferecer. Spa, sala de ginástica, serviço de massagem. O bem-estar é o novo luxo.

Como consumir bem-estar?
Nos anos 60 e 70, quando o consumo de massa possibilitou que famílias de classe média se equipassem com produtos, o bem-estar ainda era medido em termos de quantidade. Hoje, o que está na cabeça das pessoas é o bem-estar qualitativo: a tal qualidade de vida. O que inclui a qualidade estética.

Qual a relação entre busca de bem-estar e uma sociedade mais e mais “medicalizada”?
A obsessão com a saúde e a prevenção é o lado obscuro do hiperconsumismo, gerador de ansiedade quase higienista. A quantidade de informação disponível torna o consumo complicado. Na alimentação, os consumidores estão ávidos pela leitura dos rótulos: quais são os ingredientes, de onde vêm, podem causar câncer, engordar? Há 40 anos, íamos ao médico uma vez por ano, se muito.
Hoje, um indivíduo faz até dez consultas por ano. O consumo de exames, para nos fazer sentir “seguros”, cresce exponencialmente. Sintoma do hiperconsumismo: queremos comprar nossa saúde.

Como vê as campanhas contra o cigarro e a obesidade?
O hiperconsumidor está preso num emaranhado de informações e ele tem muitas regras a seguir. Parar de fumar faz parte da lógica da prevenção. É um sacrifício do presente em prol do futuro.
No hiperindividualismo, a gestão do corpo é central. Esse autogerenciamento permanente explica, também, a onda do emagrecimento.
Expor-se ao sol é arriscado, mas é considerado bonito ter a pele bronzeada. Privar-se de comer é privar-se do prazer. É um paradoxo que todos vivem e, por isso, no caso dessas mulheres subjugadas ao terrorismo da magreza, elas sentem culpa. As regras são contraditórias.

Qual é a saída para toda essa ansiedade?
As compras. Antes as pessoas iam à missa, agora elas vão ao shopping center.
Comprar, ir ao shopping, viajar -são as terapias modernas para depressão, tristeza, solidão. Você pode comprar “terapias de desenvolvimento pessoal”. Um fim de semana zen, um pacote de massagens. Todas as esferas de vida estão subjugadas à lógica do mercado.

Por que as pessoas não se sentem felizes?
O hiperindividualismo aparece quando nossa sociedade nega as instituições da coletividade. A religião, a comunidade, a política. Os deuses são os homens. O indivíduo é um agente autônomo que deve gerenciar a própria existência. Esse indivíduo pode fazer escolhas privadas -que profissão fazer, com quem se casar, o que comprar- mas está submetido às regras da globalização econômica de eficácia, de produtividade, juventude, consumo. O acesso ao conforto material, enquanto sociedade, não nos aproximou da felicidade. Há tanta ansiedade, tanto estresse, tanta angústia e tanto medo que a abundância não consegue proporcionar um sentimento de completude.

Consumimos para esquecer?
Também. Mas há um outro lado. Desenvolvemos o que eu chamei de “don juanismo” [ele cita o personagem “Don Juan”, da ópera de Mozart, que “conheceu” 1.003 mulheres]. Todos nos transformamos em Dons Juans.
Somos todos colecionadores de experiências. Temos medo que a vida passe ao largo.
Existe um senso comum que nos diz que se não tivermos vivido tal ou tal experiência, teremos perdido nossa vida.
É uma luta contra o tédio, uma busca incansável e viciada pela novidade, pela fuga da rotina.”

ENTREVISTA REALIZADA POR IZABELA MOI – EDITORA-ASSISTENTE DA ILUSTRÍSSIMA 

FOLHA DE SÃO PAULO

CADERNO EQUILÍBRIO

28/09/2010

*imagem: reprodução

Fundadora e editora do O Cabide, formada em moda, fotógrafa iniciante, apaixonada por figurinos e história da moda. Futura jetsetter, feminista, gayzista, abortista, gorda, patrona do amor próprio e entusiasta da maquiagem para beleza e para a arte.