A história do glitter

O que é o glitter e por que isso importa? A pergunta soa como uma piada, uma daquelas coisas diretas, semi-irônicas que você diz quando está tentando encontrar sentido em algo que há muito tempo é considerado sem sentido, banal ou superficial. E até certo ponto, passar um longo tempo pensando em algo que há séculos para a maioria das pessoas enxerga como um tipo de frivolidade feminina. Quem vai se importar com o glitter quando podemos nos preocupar com política? E de qualquer forma, glitter não é brega?

historia-do-glitter-ocabide-6

Pré Século XX

Como todos os aspectos da cultura visual, o glitter tem a ver com pinturas em cavernas e com a Cleópatra, a Beyoncé de AEC. A palavra  vem do nórdico antigo, glitra,  mas os humanos tem feito as coisas brilhar por muito mais tempo do que foi falado. A palavra glitter foi usada pela primeira vez no século XIV, no entanto, grãos brilhantes vermelhos, pretos e de mica branca – um tipo de pedra brilhante que ainda é usada hoje em dia para deixar tintas brilahntes, assim como para produzir sombras cintilantes  – aparecem em pinturas do período Paleolítico Superior e de 40,000 até 10,000 AE. O maias também usavam mica na superfície de seus templos em ocasiões especiais.

Os egípcios antigos, antes de Cleópatra, faziam uma substância parecida com glitter em forma e função com insetos macerados.

Origens na modernidade e um fato engraçado

Se você acredita no que vê ou ouve falar nos realities de TV sobre Nova Jérsei, então você vai achar apropriado que o inventor do glitter como o conhecemos hoje é de lá. Em 1934, Henry Ruschmann se deparou com uma forma para produzir o que nós embalamos e vendemos como glitter feito de plástico pulverizado e outros materiais recicláveis. A empresa de Ruschmann, Meadowbrook Inventions, produz glitter até hoje. Ainda que algumas pessoas considerem o glitter feito de plástico grosseiro,, acreditasse que o brilho verdadeiro só seja possível no glitter feito com vidro. E se você acha que isso soa perigoso, é porque é mesmo, o uso desse tipo de glitter não é recomendado para crianças.

O fato engraçado é que o o exército considerou atirar glitter de aviões para zoar com o sistema de radares durante a Segunda Guerra Mundial!

Ok, mas o que é?

historia-do-glitter-ocabide-4

Ainda que exista nuances dos métodos de produção do glitter, nós removemos os insetos macerados e não o façamos com grandes placas de plástico e alumínio, que pode ser coberto por outro material refletivo. Que daí são cobertos com uma camada de dióxido de titânio para adicionar cores, que depende mais da ótica do que da química para dar certo. Ou seja, vai ser a grossura da camada de dióxido de titânio que vai determinar se a sua fantasia de Lady Gaga circa 2010 vai ser roxa, verde, pink, ou qualquer outra cor. O material então é cortado em formas com duas dimensões, para evitar o desperdício, hexágonos são os mais fáceis de fazer, mas eles também quadrados e retângulos (você pode ver esse processo AQUI).

Na moda

De acordo com Nancy Deihl, uma professora de moda e têxteis da NYU, “glitter tem a ver com evocar jóias e metais” – Na sociedade ocidental as pessoas adicionavam brilho as roupas desde o período Tudor, quando os ricos usavam prata e os menos ricos usavam metais como o estanho para adornar suas túnicas e corpetes.

“Eu sei que nós temos essa ideia de que no passado não havia brilho, mas eles adoravam colocar pequenos pedaços de metais nas coisas”, diz Deihl.

Nós séculos XVIII e XIXI o brilho apareceu em fios metálicos e até em lãs; primeiro fizeram ternos para mulheres que incluíam detalhes metálicos, diz Deihl, “para que eles pudessem parecer mais femininos e para que não ficassem sem graça como os masculinos”. Estilistas como a Chanel escolheram essa técnica para modernizar seus terninhos. “O ponto alto foi mesmo nos anos 1920. em que as mulheres costuravam contas e paetês em seus vestidos de tal forma que as roupas chegavam a ficar pesadas e caídas.

historia-do-glitter-ocabide-5

Glitter e o brilho começaram a aparecer no figurino de artistas logo depois. Nomes como Ella Fitzgerald, Billie Holiday, The Supremes—”não era como hoje em dia em que você simplesmente sobe no palco com um jeans rasgado”, diz Deihl. Suas “criações criativas feitas sob medida para a noite” era “sempre bordadas com contas e paetês, para refletir luz.

“Elas usavam pele e paetês porque era o que a audiência esperava que elas usassem, eles esperavam que elas fosse glamourosas e os paetês e o glitter andam lado a lado com o glamour”.

Na maquiagem

historia-do-glitter-ocabide-3

primeiro o senso comum sobre o glitter na maquiagem era: não use, é para crianças e putas. Depois: você pode usar, mas tem que ser sutil, para que ninguém saiba que você está usando, ou para que pelo menos homens héteros e desentendidos não reparem.

“Maquiagem óbvia, assim como qualquer coisa de aparência não natural eram vistas negativamente  na metade do século XX”, diz Deihl. “Até tinham algumas pessoas fazendo algumas coisas extraordinárias em termos de  face painting. Mas no geral, adolescentes usando glitter no resto é algo relativamente recente”.

historia-do-glitter-ocabide-2

Nas unhas o glitter é considerado mais do que comum, ainda que exista alguns problemas de logística; não sai nunca! A não ser em lascas grandes que descamam as unhas.

 

*traduzido e adaptado (no texto original você pode encontrar informações sobre o uso político do glitter e sobre o glitter comestível)

**imagens: reprodução

 

Fundadora e editora do O Cabide, formada em moda, fotógrafa iniciante, apaixonada por figurinos e história da moda. Futura jetsetter, feminista, gayzista, abortista, gorda, patrona do amor próprio e entusiasta da maquiagem para beleza e para a arte.

BEDA | Comemorando o aniversário da Chanel !

Olá pessu! Tudo bão com vocês?  Aqui está tudo na paz! Na verdade, em festa!! Porque hoje é aniversário da minha estilista preferida do world! Gabrielle Bonheur Chanel, nasceu nesse belo dia de agosto em 1883!

Para comemorar vou conversar com vocês sobre os meus livros preferidos sobre a vida dela!

Bora lá!

 

IMG_4862

1 – A era Chanel

Edmonde foi um dos amigos mais próximos da Chanel! Essa biografia é tão linda e completa que os produtores de Coco avec Chanel a usaram como referencia!

Com imagens raras e de alta qualidade essa biografia nos conta desde o conceito histórico da França até como toda uma sociedade foi moldada através da Chanel.

2 – Coco Chanel – A vida e a Lenda

A Justine é uma fofa, acompanho ela pelo youtube! Ela é professora, escritora e pesquisadora. Ou seja, adora saber da vida dos outros. De um jeito bem narrativo ela conta a vida da Chanel intercalando o passando com o presente. Uma leitura super gostosa, além de imagens bem interessantes.

3 – O Segredo do Chanel número 5

Esse é pra quem se interessa pelo perfume! É fantástico! Um dos livros que eu aprendi mais sobre a Chanel. Ver a vida dela através do perfume mais famoso da história é sensacional!

4 – Coco e Igor Stravinsky

Para você que acha que moda e música não andam juntas, pasmem! Uma das composições mais famosas do mundo clássico: A Sagração da Primavera, não existiria se não pela Chanel!
Isso mesmo! Chanel tinha amizades muito influentes e em meados de 1920 já estava formando uma grande fortuna, começou a andar com o pessoal do Teatro, onde conheceu o compositor Stravinsky, o qual era pobre e não tinha ninguém para financia-lo. Chanel foi com a cara dele e de sua música e vòila! Esse livro conta a história do caso que eles tiveram e como a influência dela mudou a forma dele compor.

5 – Diferente como Chanel

No Livro de Provérbios, somos instruídos a educar as nossa crianças no caminho do Senhor. Aqui vai a dica para você que quer uma filha (o), lendo sobre a Chanel, tipo EU!  Super fácil de ler, com ilustrações em aquarela de morrer, esse livro é tanto para adultos quanto para crianças! Eu li na livraria mesmo de tão rapidinho e já me apaixonei!
Ah, ele ainda tem uma mensagem bem legal para as crianças, como vale a pena você ser diferente, mesmo em um mundo cheio de padrões! A Chanel foi diferente na época dela e cresceu se destacando por causa dessa diferença! Super fofo!

6 – Dormindo com o Inimigo

Polêmico. Quando soube que esse livro iria lançar no Brasil, fiquei muito brava! Sabia que teria um monte de pseudo algo, dizendo que a Chanel era nazista. Comprei com raiva, comecei a ler com raiva e depois achei fantástico! Que pesquisa! O livro tem um contexto muito além da Chanel. Foi bem legal saber mais sobre o nazismo e principalmente, a construção da moda nesse tempo.
Continuo convicta de que a Chanel não era nazista, vai de você ler.

7 – O Evangelho segundo Chanel

Adoro esses livros! Sério! Tenho aqui em casa vários nesse tipo, Jane Austen e os conselhos para casamento, me divirto. Esse tem essa proposta, diversão. Com uma narrativa bem fácil, o livro conta um pouco da história dela e dá dicas sobre vários assuntos, amor, casamento, moda e etc; tudo na visão da Chanel.

Bem, é isso pessu! Post gigante, tentei ser super comedida, mas sacomé sou fã!

Se você gostou de algum em especial e quiser saber mais, comenta aqui! Ou se quiser ver algum por dentro, imagens e etc, comenta também e me segue no insta @itsmejessicalopes que mostro procês lá!

Beijão

 

*imagens: reprodução

**Saiba mais sobre o BEDA

badge_post_01

Jessica é formada em moda, tem uma tatuagem da Chanel e quer se casar com o Mr. Darcy. Aqui ela vai escrever sobre os livros que lê e que você pode se interessar e ler também!

A mania da crinolina

A crinolina, um dos itens mais estranhos da moda, apareceu no meio dos anos 1800 e é ocasionalmente usada até os dias de hoje. O post de hoje é ilustrado por fotografias e alguns do desenhos de uma série chamada Os mistérios da Crinolina, que critica essa elaborada moda vitoriana.

A palavra é uma combinação do termo “crin” — um material rígido feito  usando crina de cavalo – e do termo “linho”. Mas não era o tecido firme que dava para a crinolina sua extraordinária estrutura, eram os arcos que ficavam por baixo, feitos de ossos ou até metal, que davam forma a peça. A primeira patente para a crinolina de metal surgiu em 1856.

crinolina-historia-da-moda-vitoriano-ocabide-2

A popularidade era tão grande – descrita pela revista Punch como “Crinolinomania” – que algumas fábricas de metal passaram a atender exclusivamente ao mercado responsável pela produção da peça, chegando a fazer até 3.000 peças por dia. Existiam lojas exclusivas para venda de crinolinas, mesmo que fosse um objeto muito difícil de usar.

Além de ser um alto risco de fogo, do final dos anos 1850 até o final dos anos 1860, cerca de 3.000 mulheres morreram na Inglaterra vítimas de incêndios causados por conta da crinolina.

crinolina-historia-da-moda-vitoriano-ocabide-3

crinolina-historia-da-moda-vitoriano-ocabide-4

crinolina-historia-da-moda-vitoriano-ocabide-5

crinolina-historia-da-moda-vitoriano-ocabide-6

crinolina-historia-da-moda-vitoriano-ocabide-7

E a moda permanceu forte até essa época, sendo eventualmente substituída por ancas. Tem ressurgido periodicamente, mais notavelmente durante a Segunda Guerra Mundial, como parte do New Look de Christian Dior. Atualmente, a crinolina ainda é usada em ocasiões muito formais – particularmente como parte de vestidos de casamento.

Muitas dessas imagens podem ser encontradas n a exposição Photography: A Victorian Sensation Exhibition, o Museu Nacional da Escócia (12/Junho até 22/Nov, 2015), em Edimburgo.

 

via Mashable

*imagem: reprodução

Fundadora e editora do O Cabide, formada em moda, fotógrafa iniciante, apaixonada por figurinos e história da moda. Futura jetsetter, feminista, gayzista, abortista, gorda, patrona do amor próprio e entusiasta da maquiagem para beleza e para a arte.

O passado da marca Hugo Boss

Quando a empresa Hugo Boss foi fundada em 1924 por Hugo Ferdinand Boss, ele mantinha a postura de que a sua ligação com o partido nazista só ocorria para que seus negócios estivessem protegidos.

No livro, Hugo Boss, 1924-1945: The History of a Clothing Factory During the Weimar Republic and Third Reich (A história da fábrica de roupas durante a República Weimar e o Terceiro Reich) de Roman Köster, fica claro que a empresa em si gostaria de saber se os rumores eram verdadeiros, e se eles eram mais complacentes com as ordens de Hitler do que Boss admitiu até a sua morte em 1948.

nazismo-hugo-boss-historia-da-moda-ocabide-2

 

Hugo Ferdinand Boss

Quando perguntado sobre o porque de não querer revirar o passado obscuro, Philipp Wolff, o Vice Presidente sênior de comunicação da Hugo Boss, respondeu: “Nós nunca quisemos esconder nada, queremos sim esclarecer o passado. É nossa responsabilidade com a companhia, com nossos funcionários, com nossos clientes e com todos os interessados na Hugo Boss e em sua história.”

Enquanto acusações de que Boss foi o alfaiate pessoal de Hitler eram refutadas, o autor esbarrou com um outro fato tão grave quanto o envolvimento com o nazismo, o trabalho escravo. Em um pedido oficial de desculpas a marca reconheceu o fato, dizendo que “gostaria de expressar sua profunda tristeza por aqueles que sofreram algum mal ou dificuldade na fábrica dirigida por Hugo Ferdinand Boss sob as regras do Partido Nacional Socialista.”

nazismo-hugo-boss-historia-da-moda-ocabide-4

No relato de Köster: “Um total de 140 trabalhadores escravos poloneses (em sua maioria mulheres), tanto quanto 40 prisioneiros de guerra franceses, que foram cedidos para trabalhar para Hugo Boss durante o Holocausto. Eles moravam em um acampamento em uma área da fábrica e viviam em condições extremas de pobreza com um nível incerto de alimentação e higiene.

Esse pedido de desculpas, emitido no site da marca, surgiu junto com o lançamento do livro de Köster, cuja profunda pesquisa comprova não só o trabalho escravo como a ligação de Hugo Ferdinand Boss com o partido nazista.

nazismo-hugo-boss-historia-da-moda-ocabide

O livro conta a história de um homem que fundou uma fábrica de roupas em Metzingen, Baden-Wuerttemberg,  no ano de 1924, cujo primeiro contrato era para fornecer camisas marrons para o partido nazista em seus primórdios.

Com o fim da guerra Boss foi julgado e multado por seu envolvimento com o nazismo.

 

*imagens: reprodução

Fundadora e editora do O Cabide, formada em moda, fotógrafa iniciante, apaixonada por figurinos e história da moda. Futura jetsetter, feminista, gayzista, abortista, gorda, patrona do amor próprio e entusiasta da maquiagem para beleza e para a arte.

Moda no Masp

Depois de 20 anos o Masp passa por uma fase de renovação. Heitor Martins, empresário e novo presidente, pretende mudar a atual situação do museu (que inclui uma dívida de R$ 12 milhões), contando com o olhar do novo diretor artístico, Adriano Pedrosa, para aumentar o interesse dos frequentadores, através de uma nova conexão entre o presente e o futuro.

Pedrosa pretende deixar o acervo de moda mais acessível (que conta com 159 peças), por isso já está prevista uma exposição com parte da coleção do Masp. Serão expostas peças que fazem parte de um conjunto de 80 itens de um projeto desenvolvido pela Rhodia entre o fim dos anos 1960 e 70 com artistas plásticos e estilistas.

nova-fase-masp-exposicao-moda-patricia-carta-adriano-pedrosa-ocabide

Além disso a intenção em ampliar o acervo está evidente e outras exposições sobre indumentária devem acontecer em 2016.

Quem assumiu a curadoria do acervo de moda foi Patricia Carta, publisher da Harper’s Bazaar, confira sua entrevista ao FFW onde ela fala sobre a nova experiência.

 

*imagens: reprodução

**fonte

Fundadora e editora do O Cabide, formada em moda, fotógrafa iniciante, apaixonada por figurinos e história da moda. Futura jetsetter, feminista, gayzista, abortista, gorda, patrona do amor próprio e entusiasta da maquiagem para beleza e para a arte.