102 anos de beleza

As imagens da família O’Gorman’s, tiradas há 102 anos, arrebataram a internet com sua delicada beleza. As fotos foram feitas em Lulworth Cove, Dorset. A longa exposição foi responsável pela característica inexpressiva dada ao mar, uma abertura maior combinada a profundidade de campo e perspectiva colocou Durdle Door (um arco natural de calcário da Costa Jurássica localizado em Dorset) ao fundo em soft focus.

As fotos foram feitas por Mervyn Joseph Pius O’Gorman (1871-1958) e foram feitas em 1913, presume-se que o recurso utilizado para conquistar imagens coloridas seja o Autochrome, conhecido como uma das primeiras tecnologias criadas para fazer fotos coloridas.

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Essas fotos fazem parte da exposição Drawn by light que está em exibição no Media Museum, em Bradford/UK, até 21 de junho.

 

*imagens: reprodução

Fundadora e editora do O Cabide, formada em moda, fotógrafa iniciante, apaixonada por figurinos e história da moda. Futura jetsetter, feminista, gayzista, abortista, gorda, patrona do amor próprio e entusiasta da maquiagem para beleza e para a arte.

A linha do tempo da fotografia

Se você segue O Cabide no Instagram,  já sabe que recentemente comecei a estudar fotografia, e se você não segue, sugiro que siga para acompanhar meus surtos consumistas e todas as minhas loucurinhas que parecem superficiais, mas dão um belo caldo. 😉

Como tem acontecido ultimamente, o que acontece de interessante na minha vida tem virado post. Então, achei que a fotografia também deveria aparecer aqui, mas de uma forma diferente da que já aparece na sessão Porta Retrato, onde posto editoriais de moda lindíssimos. Dessa vez achei que seria super apropriado contar para vocês um pouco da história da fotografia.

A fotografia não tem um só criador, já que ela surgiu da experiência de vários químicos, físicos e alquimistas de vários períodos da história.

E justamente por ser tão difícil de apontar um criador e um momento específico, eu acredito que a melhor forma para contar essa história seja através de tópicos, assim fica mais fácil compreender como essa arte evoluiu. Por isso fiz uma linha do tempo:

1100 – Abu-Ali al Hasan (965-1034), astrônomo e óptico árabe, publicou uma obra em que descreve a ideia da formação de imagens através da utilização de conceitos primitivos de câmara escura.

1267 – Roger Bacon (1214-1294), filósofo inglês, utilizou o método da câmara escura para observar eclipses solares, sem danificar os olhos.

1500 – Robert Boyle observa que o cloreto de prata fica preto quando exposto à luz, mas interpreta que este fato acontece pela ação do ar (ao invés da ação da luz).

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Câmara escura

1520 – Leonardo da Vinci (1452-1519), cientista, matemático, engenheiro, inventor, anatomista, pintor, escultor, arquiteto, botânico, poeta e músico, deixou em seu livro de notas sobre espelho, publicado em 1797, a descrição mais completa do período pré-industrial para o processo de aparecimento de uma imagem invertida em uma “câmara escura”.

“A imagem de um objeto iluminado pelo sol penetra num compartimento escuro através de um orifício. Se colocarmos um papel branco do lado de dentro do compartimento, a uma certa distância do orifício, veremos sobre o papel a imagem com suas próprias cores, porém invertida, devido à interseção dos raios solares”.

1526 – Fabrício, alquimista da idade média, relata que o composto cloreto de prata ficava preto quando exposto à luz.

1545 – Reiner Gemma Frisius, físico e matemático holandês, faz a primeira ilustração do processo da câmara escura.

1553 – Giambatista Baptista della Porta (1541-1615), físico italiano, desafiou os interesses da igreja ao aperfeiçoar o desenho da câmara escura em seu livro Magia Naturalis sive de Miraculis Rerum Naturalim.

1558 – Geronomo (Girolano) Cardano, físico italiano, soluciona o problema da nitidez da imagem ao sugerir o uso de lentes biconvexas junto ao orifício da câmara escura.

1558 – Danielo Barbaro, também, menciona em seu livro “A prática da Perspectiva”, que variando o diâmetro do orifício, é possível melhorar a imagem.

1580 – Friedrich Risner descreve uma câmara portátil, mas a publicação só é feita após sua morte na obra Optics de 1606.

1604 – Ângelo Sala, cientista italiano, observa que um composto químico a base de prata escurecia quando exposto ao Sol.

1620 – Johann Kepler, durante sua viagem pela Alta Áustria, utiliza uma tenda para desenhos topográficos, utilizando uma lente e um espelho, para obter uma imagem sobre um tabuleiro de desenho no interior da câmara.

1676 – Johann Chirstph, professor de matemática da Universidade alemã de Altdorf, em sua obra Collegium Experimentale sive curiosum, descreve e ilustra uma câmara escura que utiliza interiormente um espelho a 45° que reflete a luz, vinda da lente, para um pergaminho azeitado, colocado horizontalmente. Desta forma, cria o primeiro aparelho portátil de câmara escura. O grande quarto, com espaço para um homem trabalhar transforma-se em uma pequena caixa. Quase duzentos anos depois de Fabrício, o alquimista, ainda se acreditava que a prata ficava preta por estar velha.

1727 – Johann Heirich Schulze, professor de anatomia de Altdorf, descobre e comprova que o fenômeno do engrecimento da prata se deve pela incidência de luz.

1777 – Karl Wilhem Scheele, químico sueco, estudou a reação do Cloreto de Prata as diversas radiações do espectro e sugere o uso de amoníaco como fixador.

1780 – Charles, físico francês, com base nas experiências anteriores, projetava objetos sobre uma folha de papel impregnada de cloreto de prata (algo muito semelhante a uma técnica básica utilizada até hoje em trabalhos artísticos chamada Fotograma).

1790 – Thomas Wedgood, obtém grande sucesso na captação de imagens, sobre um pedaço de couro branco, mas os traços não sobrevivem. Nessa época, não havia uma técnica eficiente conhecida para fixar a imagem.

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A primeira foto da história, feita por Niépce, Saint-Loup-de-Varennes-França, 1826

1826 – Joseph Nicéphore Niépce, no início do século XIX, trabalha com litografia. Pesquisa por dez anos substâncias que captem uma imagem em uma placa metálica (cobre polido).

1839 – Louis Jacques Mandé Daguerre (1787-1851), divulga o processo de Daguerreotipia e, em 19 de agosto, a Academia de Ciências de Paris, o divulga ao público. Assim, surge a primeira forma popular de fotografia. O tempo de exposição é em torno de 4 mil segundos.

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Daguerreótipo

1844 – O primeiro livro ilustrado com fotografias, The Pencil of Nature, é publicado por Talbot e editado em seis volumes, com vinte e quatro talbotipos contendo a explicação de seu trabalho e estabelecendo padrões de qualidade. O problema da técnica é que o suporte do negativo é papel e na passagem para o positivo perdiam-se detalhes.

1847 – Abel Niépce, primo de Nicéphore Niépce, desenvolve o processo da albumina que utiliza uma placa de vidro coberta com clara de ovo, sensibilizada com iodeto de potássio e nitrato de prata. Revelada com ácido gálico e fixada a base de tiosulfato de sódio. A albumina, é mais preciosa em detalhes e o tempo de exposição é de 15 minutos.

1851 – Morre Daguerre. No mesmo ano Frederick Scott Archer, escultor inglês, inventa o processo com colódio úmido (uma mistura de algodão, pólvora, álcool e éter – usado como veículo para unir sais de prata as placas de vidro) menos dispendioso que os anteriores e o resultado era de ótima qualidade. A placa é exposta ainda úmida na câmera escura e o tempo de exposição é de 30 segundos. Este processo é dez vezes mais sensível que a albumina.

Neste período, com a simplificação do processo fotográfico, algumas pessoas começam a questionar a única função da fotografia: retratista. A partir desta fase, aparecem os trabalhos mais criativos.

1855 – Roger Fenton (1819-1869) faz as primeiras fotos de guerra, quando cobriu a guerra da Criméia para um jornal inglês.

1858 – Gaspard Félix Tournachon (1820-1910), que se auto denominava Felix Nadar, foi um dos primeiros fotógrafos a usar a câmera criativamente, ou seja, como algo diferente da função retratista. Acentuava as poses e os gestos das pessoas que fotografava querendo mostrar o caráter da pessoa. Em Paris tirou as primeiras fotografias aéreas abordo de um balão, em 1858, e foi responsável também pelas primeiras fotografias subterrâneas, nas catacumbas de Paris, utilizando pela primeira vez a luz elétrica e manequins substituindo as pessoas, devido a excessivo tempo de exposição.

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A primeira foto colorida foi tirada em 1861  pelo físico James Clerk Maxwell

1865 – Julia M. Cameron (1815-1879) a mais notável retratista inglesa do século passado. Utilizava de maneira muito criativa a luz. Fotografou pessoas famosas como: Charles Darwin, Sir John Herschel, cientista amigo de Talbot responsável pelos termos positivo e negativo, na Europa é também conhecido como o criador do termo “fotografia”.

1871 – Richard Leach Maddox, médico inglês, fixa o brometo de prata em uma suspensão gelatinosa, criando assim o processo de chapas secas. O processo que substitui o colódio úmido é publicado no British Journal of Photograph, em setembro. De início o processo tem a desvantagem de ser mais lento, mas logo é aperfeiçoado e cria-se a placa seca de gelatina com produção industrial. A partir de então foi possível fotografar o movimento (tempo de exposição: 1/2 segundo) e o design das câmeras é aprimorado, ou seja, ficam menores, mais leves e mais próximas ainda das pessoas.

1873 – Surgem os banhos coloridos com uso de corantes (sépia ou azul) e aumenta-se a sensibilidade às cores, banhando-se a emulsão fotossensível em anilina, criando o filme ortocromático.

1884 – George Eastman lança o filme em rolo com vinte e quatro chapas, com base de papel e gelatina. Em 1886 a Eastman Dry Plate Company passa chamar-se Kodak. Em 1888, a grande novidade: a câmera Kodak, com sistema de “bate-pronto”, com o slogan: “Você aperta o botão e nós fazemos o resto” é lançada. O cliente compra a câmera por 25 dólares, com 100 chapas, mais tarde devolve à fábrica que então revela as fotografias e retorna o filme revelado, a câmera e mais um rolo de 100 chapas.

1889 – Henry M. Reichenbach, químico da Kodak, produz o negativo a base de celulóide e gelatina. Graças à febre da função retratista, muitos retratos de pessoas célebres são legados para o futuro, como foi o caso de Baudelaire e da menina Alice Liddell, que inspirou o reverendo Lewis Carrol a escrever “Alice no país das maravilhas”. Nesta época, o tempo de exposição já alcançava a fração de 1/10 segundos.

1900 – Willian Henry Jackson (1843-1942), norte-americano, no fim do século XIX e início do século XX, faz algo mais do que gravar um acontecimento, usa suas fotos para persuadir e convencer. Fotos do oeste americano, da área de YELLOWSTONE, ajudam a persuadir o Congresso a estabelecer o Parque Nacional de Yellowstone. Nessa época, o tempo de exposição é de 1/50 segundos.

1904 – LONDON DAILY MIRROR é o primeiro jornal a ser ilustrado exclusivamente com fotos.

1906 – É comercializado o filme pancromático, sensível à luz laranja.

Imagem criada com filme autochrome (publicada em 1930 na revista National Geographic)

1906 – Os irmãos August e Louis Lumière, apresentam os primeiros filmes para revelação a cores (autochrome), que já não precisavam de uma tripla exposição (não era necessário se bater 3 diferentes chapas da mesma fotografia) através de uma câmera especial.

1920 – O britânico Paul Martin esconde uma câmera (graças aos avanços tecnológicos dos filmes e das Câmeras) em uma maleta, e pela primeira vez tira fotos de pessoas sem que percebam. O resultado é uma naturalidade desconhecida, pois antes as pessoas eram sempre formais.

1925 – Usa-se partículas de magnésio para a iluminação artificial. O resultado desse flash primitivo é um raio de luz brilhante e uma fumaça ácida.

Surge também a famosa Leica, máquina excelente e precursora de todas as câmeras de 35mm.

1928 – Stefan Lorant, através do jornal alemão Berliner Ilustrierte Zeitung, cria o fotojornalismo moderno, sem poses formais.

Surge também a famosa Rolleiflex TLR (reflex de objetivas gêmeas), projetada por Franke e Heidecke.

1930 – Stefan Lorant, quando redator chefe do Münchener Ilustrierte Presse, cria o “enunciado”, “tratado” de que a câmera deve ser usada como um caderno de notas de um repórter, registrando os acontecimentos onde eles ocorram, sem detê-los para arrumar a foto, sem que se façam “poses”.

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Foto de Lewis Hine que expôs o trabalho em infantil na Carolina do Sul, Estados Unidos, 1912

1930 – Dois norte-americanos, fazem fotografias para expor problemas sociais:

a) Jacob Riis (1849-1914), jornalista, usa fotos para ilustrar histórias sobre as favelas da cidade de Nova Iorque;

b) Lewis Hine (1874-1940), sociólogo, fotografa a chegada de imigrantes, o trabalho infantil em fábricas mal iluminadas e em minas de carvão. Este trabalho levou à aprovação de leis proibindo o trabalho de menores. Veicular notícias por meio de fotografias, usualmente com a ajuda de uma explicação escrita ou oral, constitui a partir desta época, um dos mais importantes meios de comunicação ao alcance do homem. Os assuntos que predominam nas manchetes dos periódicos são os assassinatos e escândalos.

1930 – Henry Cartier-Bresson (1908 – 2004) foi o fotógrafo que obteve maior sucesso em sua época. Utiliza uma câmera em miniatura para captar “momentos decisivos” na vida das pessoas. Seu sucesso no registro de acontecimentos e emoções fugazes influenciou enormemente não só o fotojornalismo, como também introduziu um novo conceito na fotografia artística. A partir de 1930, na Europa e nos Estados Unidos, os críticos especializados consideram três as tendências em fotografia:

1) utilização de grandes câmeras e amplos negativos, com obtenção de cópias ricas em gradações tonais, interpretando de modo mais vivido a realidade;

2) exploração de novos aperfeiçoamentos tecnológicos para fixar o instante mais fugaz e os aspectos mais inusitados da realidade;

3) invenção de formas abstratas com a existência estática própria.

Para mim a fotografia consiste num reconhecimento imediato no curso de uma fração de segundo, tanto o sentido do acontecimento quanto da exata organização dos volumes que comporão, expressivamente, o significado da cena. Creio que seja no movimento da vida que a descoberta de si mesmo se efetua, ao passo que se dá a abertura para este mundo envolvente que pode nos modelar, mas que pode igualmente ser influenciado por nossa personalidade. Trata-se de estabelecer o equilíbrio entre estes dois mundos. É nessa constante interação que esses mundos acabam por se fundir num mundo novo. É nesse mundo que devemos comunicar” Henry Cartier-Bresson

1930 – Aparecem os primeiros flashes fotográficos. Nessa época as câmeras alcançavam a velocidade de 1/100 seg.

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Henry Cartier-Bresson, Hyères-França, 1932 

1935 – A Kodak lança o primeiro cromo colorido – Kodachrome.

1936 – A Agfa lança o Agfacolor – um distinto sistema de cores para um cromo colorido.

1941 – A Kodak lança o primeiro negativo colorido – Kodacolor.

1939 a 1945 – Durante a Segunda Guerra Mundial são muitos os avanços na área da fotografia, desde o desenho de novas lentes até o intercâmbio de lentes.

1947 – Surge a câmera de fotos instantânea, a Polaroid, baseada em um processo desenvolvido pelo físico americano Edwin H. Land.

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Edwin Land inventou a Polaroid, a impressão levava 1 minuto

1949 – Surge o filme Polaroid em preto e branco.

1963 – Surgem o filme Polaroid em cores e a “Instamatic” de cartucho 126.

1968 – Foi feita uma fotografia da Lua.

1977 – George Eastman e Edwin Land foram nomeados ao Hall da Fama do National Inventors.

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Konica C35 AF, primeira câmera de auto-foco, também conhecida como Jasupin

1978 – Konica lança a primeira câmera “apontar e clicar”, com auto-foco.

1984 – A Canon demonstra a primeira câmera digital still.

1985 – Pixar lança o primeiro processado de imagem digital.

1990 – Eastman Kodak anuncia o CD como meio de armazenar imagens digitais.

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A bebê Sophie, fotografada com a primeira câmera de telefone

1997 – Philippe Kahn foi creditado como sendo o criador do primeiro telefone com câmera, a primeira foto tirada com essa câmera foi de sua filha recém-nascida, Sophie, que ele então compartilhou digitalmente com 200 amigos.

1998 – A primeira câmera para consumo próprio com megapixels é lançada.

2004 – 36% dos telefones lançados são telefones com câmera.

2005 – A Canon lança a EOS 5D, a primeira câmera de tecnologia full-frame digital SLR com preço acessível ao consumidor comum.

Quase um milênio de experimentação e ainda não estamos satisfeitos, sempre em busca da mais alta tecnologia, do melhor método para transformar o que o olho vê em algo palpável e eterno.

Aqui no baú também temos um pouquinho mais de história da fotografia com a biografia dos fotógrafos Richard AvedonGeorge Hoyningen-Huene, em breve teremos mais algumas biografias, já que temos tantos fotógrafos icônicos na moda, com trajetórias tão incríveis!

*imagens: reprodução

Fundadora e editora do O Cabide, formada em moda, fotógrafa iniciante, apaixonada por figurinos e história da moda. Futura jetsetter, feminista, gayzista, abortista, gorda, patrona do amor próprio e entusiasta da maquiagem para beleza e para a arte.

Richard Avedon

Como vocês já sabem, tenho postado fotos vintage incríveis lá no Facebook, e tenho amado pesquisar artistas e modelos, eternizadas em fotografias cheias de vanguarda!

E é assim que percebo que há muito na história da moda que ainda não coloquei no nosso baú, e quero muito que vocês conheçam os grandes fotógrafos, pioneiros da fotografia de moda.

Já falei sobre George Hoyningen-Huene e as imagens apaixonantes que produziu, hoje vou falar de um nome de igual importância: Richard Avedon.

Richard Avedon

Uma breve biografia:

Richard Avedon nasceu em 15 de maio de 1923, aos 12 anos já tinha uma câmera fotográfica. Estudou filosofia na universidade Columbia nos final dos anos 1930, na sequencia foi aluno de fotografia de Alexey Brodovitch no Laboratório e Design da New School of Social Research (Não é incrível ter havido cursos de fotografia no início do século passado?).

Foi o fotógrafo das coleções desfiladas em Paris por quase 40 anos, e foi o fotógrafo da Vogue de 1966 até 1990.

Em 1992, aos 69 anos, se transformou no primeiro fotografo que o The New Yorker já teve.

Seu nome foi, desde o início de sua carreira, uma referência a fotografia de moda, assim como recebeu notório conhecimento pelos retratos que fez, estes incluem nomes como Charlie Chaplin e Marilyn Monroe. Lá na nossa página tem algumas fotos que ele fez da modelo Suzy Parker e de Sunny Harnett, rostos que Avedon levou ao sucesso. Esse também era um de seus talentos, encontrar glamour e beleza no desconhecido.

Richard Avedon casou-se duas vezes e teve um filho, morreu de hemorragia cerebral em 2004.

Procurei alguns títulos sobre Richard Avedon e encontrei maior variedade na Saraiva, vale dar uma olhada!

O site oficial do fotógrafo é clique obrigatório pois ajuda a compreender a obra de Avedon: www.richardavedon.com

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George Hoyningen-Huene

Quem acompanha a página do O Cabide no Facebook deve ter percebido (e se encantado) com fotos vintage de catálogos e anúncios de moda, e ainda estrelas e divas do cinema. As fotos são incríveis, esse é mais um conteúdo que eu estou tendo o maior prazer em pesquisar. Como tudo que se trata de imagens, algumas chamam mais atenção do que as outras, seja pela luz, pelas cores, pelas sombras ou até pela composição do cenário, é raro ver fotos feitas com maestria e cheia de efeitos sem os recursos que temos hoje em dia.

Nessa semana postei uma imagem tão maravilhosa que seria impossível não ter curiosidade sobre quem a fez.

Descobri entre os grandes nomes da fotografia no início do século passado, como Man Ray e Richard Avedon, o trabalho de George Hoyningen-Huene.

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George Hoyningen-Huene

Nascido em São Petersburgo, quando criança passava as férias na propriedade da família na Estônia, jantava com a corte russa e observava como sua mãe e irmãs se vestiam de forma elaborada entre um baile e outro. Não ia bem na escola, então buscava refúgio em livros de arte e em visitas ao Hermitage, onde o curador o tomou como pupilo e o ensinou sobre a história da Grécia e de Roma.

Depois da Revolução de Outubro, George deixou de viver uma vida privilegiada, como muitos dos refugiados que foram parar em Paris ele começou a trabalhar em empregos peculiares, foi tradutor, garçom em uma loja de chás e inspetor de gravatas. Como ele possuía um smoking, uma das poucas coisas que conseguiu levar da Rússia, acabou conseguindo emprego em um cinema.

A experiência o ensinou a iluminar a plateia e os cenários, e o deixou fascinado por filmes e por fotografia, tanto que no futuro viria a ter uma segunda carreira como consultor de cores em Hollywood.

1935

Atraído pelos salários do trabalho de ilustradores de moda como Georges Lepape e Eduardo Benito, Hoyningen-Huene começou a desenhar roupas para a costureira de sua irmã. Em pouco tempo já fazia cópias de looks inteiros usados em clubes noturnos e corridas, para que fábricas pudessem reproduzir.

Junto a Man Ray, seu amigo, montou um portfólio de imagens das mulheres mais bonitas de Paris. O editor de moda da Vogue francesa na época, percebeu o trabalho de Hoyningen-Huene e o instalou em um estúdio para preparar e criar cenários para sessões fotográficas. A oportunidade não foi desperdiçada, como iniciante George fez de tudo para aprender e logo foi promovido a fotógrafo principal.

Seguindo a linha de Edward Steichen, fotógrafo da Vogue e da Vanity Fair, começou a usar uma luz mais realista para fotografar as modelos. Na época os fotógrafos ficavam limitados a tecnologia das câmeras que exigiam muitas manobras e longas exposições.

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Fotografia de George Hoyningen-Huene para Vogue, 1933

Toda vez que uma modelo posava, parecia que ela estava posando para um retrato, essa não era a melhor forma de retratar uma mulher estilosa na época, mas Hoyningen-Huene havia estudado acrobacia, ele entendia a dinâmica do movimento, conseguia posicionar as modelos justamente naquele momento de transição em que um gesto se transforma em outro.

Seu trabalho para Vogue é caracterizado por essa sensação de movimentos restritos, modelos que posaram para ele, como Lisa Fonssagrives, descreviam esse movimento como dançar parada.

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A modelo Lisa Fonssagrives fotografada por George Hoyningen-Huene para Harper’s Bazaar

Uma outra figura lendária da fotografia que passou pela trajetória de Hoyningen-Huene foi Horst P. Horst. Eles se conheceram em um café de Paris em 1930, quando Horst ainda era um aprendiz do arquiteto Le Corbusier, do movimento Bauhaus. Os dois passaram tanto tempo juntos que Horst largou seu emprego e começa a trabalhar como modelo e assistente de Hoyningen-Huene, além de morarem juntos.

Quatro anos após se conhecerem, Hoyningen-Huene abandona a Vogue francesa e se muda para Nova Iorque como empregado da Harper’s Bazaar, Horst assume seu lugar.

George Hoyningen-Huene foi um fotógrafo com olhar incomparável, instinto unicamente chique e elegância verdadeira. Liderou um período de criatividade sem igual para a moda e para a arte em Paris.

Confira algumas imagens criadas por George Hoyningen-Huene, e vejam o porquê de seu trabalho ser tão especialmente distinto e tão inovador:

*imagens: reprodução

Fundadora e editora do O Cabide, formada em moda, fotógrafa iniciante, apaixonada por figurinos e história da moda. Futura jetsetter, feminista, gayzista, abortista, gorda, patrona do amor próprio e entusiasta da maquiagem para beleza e para a arte.