Mulheres gordas também transam

Quando se fala da sexualidade da mulher gorda na internet o resultado é fetichismo e pornografia.

Quando se fala da sexualidade da mulher gorda em uma conversa casual é comum ouvir coisas como: “É mais fácil transar com mulheres gordas porque elas são desesperadas”, “Mulheres gordas se dedicam mais no sexo oral porque querem te convencer de que vale a pena transar com elas” ou “Transo com ‘gordinhas’ para praticar e ficar bom de cama para quem realmente merece”.

E quando é a vez do TV ou do cinema falar sobre a sexualidade da mulher gorda, nossa libido é vista como algo cômico, digno de deboche e ridicularização.

A sociedade como um todo não enxerga mulheres gordas como indivíduos completos e funcionais,  e nada na nossa cultura nos faz pensar que elas têm vidas sexuais que incluam experiências ricas e cheia de variação como as de qualquer outra pessoa.

Ou seja, não importa em qual situação, somos fetichizadas, objetificadas ou ignoradas, e inevitavelmente a nossa sexualidade sempre acaba parecendo um tabu.

artista desconhecido

A vida sexual da mulher gorda funciona como a de qualquer outra mulher, sentimos tesão, nos masturbamos, transamos em várias posições, temos fantasias, compramos brinquedinhos, usamos lingerie sensual e escolhemos nossos parceiros (ou parceiras) com base em afinidades e química.

Parem de tentar categorizar nossas transas, não existe “sexo gordo”!

Parem de presumir que por sermos gordas não somos confiantes, e não temos autoestima e controle sobre nossos corpos.

E parem de tentar enfiar (sem trocadilhos) o nosso tesão em moldes engessados e patriarcais, nosso corpo não existe para atender suas necessidades, nosso prazer não é condicionado por padrões estéticos e assim como qualquer outro ser humano, nós transamos para gozar.

 

*imagem: reprodução

 

 

 

Fundadora e editora do O Cabide, formada em moda, fotógrafa iniciante, apaixonada por figurinos e história da moda. Futura jetsetter, feminista, gayzista, abortista, gorda, patrona do amor próprio e entusiasta da maquiagem para beleza e para a arte.

Lojas Renner lança nova marca de roupas plus size

A comunidade plus size esteve agitada na internet hoje com a notícia do lançamento de uma marca dedicada ao segmento criada pelas Lojas Renner. Essa seria uma ótima resposta de um grande magazine a uma demanda feita ao mercado da moda há muitos anos e prova que está cada vez mais difícil não ouvir o que o consumidor tem a dizer.

A nova marca se chama Ashua Curve Size, terá o lançamento oficial no dia 30 de março, com venda exclusiva pelo e-commerce.

Na verdade eu ainda não encontrei mais notícias sobre a marca ou sobre o lançamento, tanto o site quanto as redes sociais (Facebook e Instagram) não fazem qualquer menção de que esse seja um projeto relacionado às Lojas Renner, bem como não vi qualquer tipo de pronunciamento oficial da rede de lojas de departamento, então teremos que aguardar.

De qualquer forma o vídeo de apresentação é muito bonito, conta com a presença das modelos Gabriela Ferst, Betina Körbes, Gabriela Schio e Fabiana Machado, e tem um bela mensagem sobre quebrar padrões de beleza:

“Por que milhões de mulheres no mundo todo
tem que caber em apenas 3 etiquetas: P, M ou G ?
A gente acredita que cada mulher
pode ter o corpo e as curvas que quiser.
E nessas curvas cabe tudo.
Cabe ser sexy, poderosa, desejada.
Qual é o tamanho do seu talento?
Qual é o tamanho da sua vontade?
Isso é o que realmente importa.
E não a cintura da sua calça jeans.
Olhe para o mundo como quem olha para o espelho e diga:
Sim, essas são as minhas curvas.
Essa sou eu.
Ashua
Curve Size.”

 

Assim que tiver mais informações atualizo esse post para vocês!

 

*imagem e vídeo: reprodução

Fundadora e editora do O Cabide, formada em moda, fotógrafa iniciante, apaixonada por figurinos e história da moda. Futura jetsetter, feminista, gayzista, abortista, gorda, patrona do amor próprio e entusiasta da maquiagem para beleza e para a arte.

Cadê a representatividade?

Eu gostaria de ter ficado surpresa quando eu vi um artigo no Buzzfeed falando sobre uma loja virtual que enfiou uma modelo petite (magra e de estrutura óssea pequena) em uma perna de um shorts plus size para apresentar a peça nem seu site, mas não fiquei.

Já estamos acostumadas a ver que marcas plus size não tem interesse em mostrar mulheres de tamanhos grandes usando suas roupas, mesmo que essas sejam suas consumidoras finais. Na verdade o que vemos essas marcas apresentando são modelos fora do padrão, longe de serem gordas, com cintura afinada e celulite alisada pela edição.

E isso já é uma merda, imaginem o quão repugnante é entrar em um site e ver produtos apresentados desta forma:

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E um exemplo do Aliexpress:

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Mas o mesmo artigo do Buzzfeed nos traz um silver lining, a estilista plus size Christina Ashman, responsável pela marca Interrobang, deu o troco com a mesma moeda e provou o quão ridículo e sem sentido é apresentar uma peça desta forma. Ela posou usando uma saia de tamanho pequeno em sua perna:

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E aí? Esse é um jeito válido de vender uma saia?

Pois é…

A imagem criada por Christina foi muito compartilhada e ganhou destaque no site Hello Giggles, o que nos traz esperança de que a nossa indignação chegue a alguma das marcas que teimam em insultar o poder de consumo do mercado plus size.

Quem trabalha com moda pode questionar a origem das peças e argumentar que esse tipo de confecção faz tudo com baixo orçamento, inclusive marketing, para diminuir gastos e baratear as peças. E eu, como pessoa formada em moda, que trabalhou em confecções no Brás e no Bom Retiro, vou dizer que NÃO JUSTIFICA.

*imagens: reprodução

**A imagem de destaque (no topo do post) é da Jes do The Militant Baker.

Fundadora e editora do O Cabide, formada em moda, fotógrafa iniciante, apaixonada por figurinos e história da moda. Futura jetsetter, feminista, gayzista, abortista, gorda, patrona do amor próprio e entusiasta da maquiagem para beleza e para a arte.

Guia definitivo para prevenir e tratar assaduras nas coxas

Em um dia que parecia ser fresco, saí para resolver algumas coisas, como não ia andar muito decidi usar vestido, sem modelador por baixo para proteger as coxas. É claro que poucas horas depois o sol estava a pino e por causa de um imprevisto tive que fazer uma longa caminhada. No meio do caminho eu já havia percebido que a assadura que aquela caminhada iria causar na parte interna das minhas coxas, seria uma das piores que já enfrentei. E eu tinha razão.

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Não é preciso ser mulher ou ser gorda para lidar com esse tipo de inconveniente, mas sendo mulher e sendo gorda isso está mais presente no nosso dia a dia. Ainda mais para mulheres como eu, que detestam se sentir escravizadas por bojos, cintas, elásticos e afins.

Mas eu deveria ter sido mais cautelosa, pelo menos nos últimos dias em que estive aplicando um creme a base de ácido retinoico, receitado pela minha dermatologista, para tratar estrias que tinham aparecido recentemente. Minha pele já estava sensível e já havia uma leve descamação, o que agravou a assadura num grau que eu jamais havia sofrido.

Nenhum dos recursos que costumo usar nesse tipo de situação funcionou. Pomadas cicatrizantes ou as específicas para assaduras não adiantaram, e a cada dia que passava a pele ia piorando, ganhando uma tonalidade arroxeada, uma textura grossa, além de estar áspera, cheia de bolinhas e descamando muito. Sem falar na coceira insuportável que me incomodava durante o dia e a noite toda. Minha dermatologista não estava disponível por causa das festas de fim de ano, então decidi experimentar algumas coisas sozinha (não recomendo que vocês façam o mesmo!). Experimentei um creme a base de corticoide na esperança que acelerasse a cicatrização e aliviasse a coceira, não deu certo e acabou deixando a pele na área da assadura mais ressecada, o que acabou aumentando a coceira.

Rub a dub dub, let's talk about chub rub!:

Com medo que a situação tivesse se agravado por causa de algum fungo ou bactéria, decidi experimentar pomadas antimicóticas a base de Cetoconazol ou Nitrato de isoconazol e não tive melhora.

Alguns dias depois, mexendo nas gavetas, encontrei um tubo novinho de Cicaplast, o balm reparador da La Roche-Posay, indicado para peles sensíveis, irritações cutâneas e dermatites. Foi a primeira vez que tive algum alívio. Usei por alguns dias mas ainda achava que a pele estava respondendo muito devagar e que a melhora era mínima, então decidi pesquisar mais sobre esse tipo de assadura para ver se encontrava algo que proporcionasse um alívio ainda maior e acelerasse a cicatrização.

Encontrei uma porção de artigos e decidi compilar o que aprendi em uma listinha sobre como prevenir e como tratar lesões na pele causadas por atrito:

– Para prevenir

  • Existem produtos específicos para preparar a pele para o atrito, como o Keep Movin, que cria uma película protetora na pele e pode ser usado nos pés e nas coxas. Não tem cheiro, não tem cor, é à prova d’água e também pode ser usado para tratar assaduras e lesões já existentes.

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Tratam-se de faixas feitas especificamente para proteger a área da coxa que é afetada pelo atrito. São feitas em tecidos apropriados para roupas íntimas e possuem bandas de silicone para garantir que não caiam ou enrolem (problema comum em peças usadas para esse fim). Como ninguém tinha pensado nisso antes?

As Bandelettes® são vendidas no site da própria marca, existem opções diversas de tamanhos, custam $15,99 e eles trabalham com frete internacional!

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  • O Redless Coat, da Pink Cheeks, parece ser o produto queridinho de quem pratica esportes, principalmente para quem pratica corrida. Ele também cria uma película protetora e facilita o deslizamento da pele para evitar as assaduras.

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Como funciona (de acordo com o site da própria Pink Cheeks):

Spray que evita assaduras, principalmente na parte interna da coxa. Fórmula que evita também bolhas nos pés.

Silicone lubrificante que melhora o deslizamento, minimizando o atrito e a formação de bolhas
Longa duração, resistente à água e ao suor.

Aplicação:
Borrifar Redless Coat na parte interna da coxa ou nos pés, para formar uma película protetora contra atrito ou bolhas.

Custa R$49,90 e você pode encontrar no site da marca.

  • Os talcos cremosos parecem ser os favoritos entre as blogueiras plus size, em todos os posts que li sobre o assunto encontrei indicações de pelo menos um deles. Eles mantém a pele sequinha e são antissépticos, mas até onde eu sei não duram tanto quanto os outros métodos que apresentei, já que é preciso levá-los na bolsa para “retocar” durante o dia.

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– Para tratar:

  • O amido de milho (Maizena) vai se tornar o seu melhor amigo no combate contra a coceira, ele absorve toda a umidade da região afetada e não acumula na pele (ao contrário do talco), além disso ele reduz o atrito, assim a área não é mais afetada, o que pode ajudar na cicatrização.

Eu optei por aplicar durante o dia, no meu horário de trabalho, principalmente por diminuir o incômodo e manter a pele sequinha e protegida de fungos.

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  • Todo mundo recomenda a geleia de Vaselina da Vasenol como algo para evitar as assaduras, mas eu acho inviável. Pensa bem, é super oleoso, a pele não absorve completamente, pode manchar sua roupa, não vai permitir que a pele transpire e toda sujeira ficará acumulada onde o produto for aplicado (o que pode facilitar o aparecimento de fungos).

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No entanto pode ser essencial para hidratar a pele, tratar as descamações e evitar que você se coce excessivamente enquanto estiver dormindo, por exemplo. E esse foi o momento que eu escolhi para aplicá-la, usei uma camada não muito fina todos os dias antes de dormir e a textura da minha pele mudou bastante e a descamação parou.

  • Cutisanol gel também é famoso entre as blogueiras, é um creme (mas pode ser achado em pó)  que costuma estar entre os indicados para prevenir as assaduras, mas como ele é cicatrizante acho mais útil usá-lo para tratar a condição. Você pode aplicar em vez da Maizena por exemplo, assim você tem um produto de efeito similar só que mais fácil de carregar na bolsa, que pode ser aplicado sem fazer sujeira.

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  • Se a sua assadura for superficial você terá sucesso em tratá-las com pomadas cicatrizantes, é só manter a área limpa e seca, e aplicar a pomada pelo menos 2x por dia. Eu recomendo Bepantol ou Massê, que são as pomadas que também uso no processo de cicatrização das minhas tatuagens.

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  • O Cicaplast, que mencionei no início do post, também é um creme cicatrizante, eu gosto mais dele porque a pele absorve bem mais rápido e ele também ajuda a diminuir a coceira. Optei por usá-lo após o banho e tive bons resultados. No começo, quando sentia que precisava de mais do que uma aplicação, eu lavava a área novamente, secava bem e reaplicava. Esse é um bom momento para dizer que para secar a pele da área afetada após o banho ou outras lavagens eu usava um secador na temperatura fria, essa foi uma recomendação que recebi da minha dermatologista em uma outra ocasião. Jamais use o secador na temperatura quente, mesmo que não seja muito quente pode ajudar na proliferação de fungos e bactérias.

 

 

  • Mas o que foi definitivo para me livrar de vez desse tormento foi a argila. Estava me preparando para viajar e decidi fazer uma máscara de argila no rosto para cicatrizar alguns pontos vermelhos. Já que a ideia era cicatrização decidi experimentar na área da assadura também. Apliquei e enxaguei como de costume e logo em seguida vi minha pele completamente diferente, lisinha, sem coceira, sem bolinhas e mais clara. Eu usei argila preta, como esse tratamento pode ressecar a pele apliquei uma camada fina de vaselina na sequência. Desde então não usei mais nenhum produto, minha pele cicatrizou por completo! (Eu já falei sobre tipos de argila neste post e sobre a argila que eu uso neste post)

 

Vale ressaltar que, por mais que essas dicas sejam bacanas e que eu tenha feito uma boa pesquisa para escrever esse post, o ideal sempre é consultar um dermatologista, principalmente para lidar com uma assadura mais grave ou mais persistente.

Não esqueça de verificar a composição desses produtos para garantir que eles não te causem alergias.

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*imagens: reprodução

 

Fundadora e editora do O Cabide, formada em moda, fotógrafa iniciante, apaixonada por figurinos e história da moda. Futura jetsetter, feminista, gayzista, abortista, gorda, patrona do amor próprio e entusiasta da maquiagem para beleza e para a arte.

Carta para Karlinha

“Querida Karlinha,

eu gostaria de ter estado ao seu lado quando sua beleza era questionada, quando você se sentia fora dos padrões, quando se sentir bonita parecia uma utopia.

Queria ter dito para você que você é linda, sempre foi, que o seu tamanho (e o meu tamanho) não servem como medida para beleza e que mesmo parecendo impossível, um dia você iria se aceitar e ser feliz sendo quem você é, e que iluminaria a vida de outras mulheres que como nós, precisam encontrar o amor próprio.

Mas agora que você vê a auto estima com outros olhos e se ama, como deveria ter se amado sempre, eu gostaria de te agradecer. Obrigada por contribuir para uma nova definição de sensualidade, obrigada por mostrar que a beleza de mulheres gordas deve ser livre – como a beleza de todas as outras mulheres e obrigada por enfrentar as regras de um mundo que tenta engessar o significado de ser mulher.

Continue sendo um exemplo de que só nos mesmas podemos determinar o que nos empodera e que isso pode vir com a força da palavra assim como poder vir com a força da nudez.

E que essa carta seja um exemplo de que nós devemos reconhecer a beleza de outras mulheres sem desvalorizar a nossa própria beleza.

Não há nada nesse mundo mais bonito do que uma mulher sendo ela mesma, sem se desculpar, confortável com quem ela é e com sua imperfeição perfeita. Essa é a verdadeira essência da beleza e eu sei que você a carrega com você!

Com carinho, Nic.”

 

A Karlinha é uma pessoa real, é uma das nossas leitores e já teve uma de suas fotos postadas em nosso Instagram. Essa semana ela nos enviou uma mensagem falando sobre o quanto ela considera importante para outras mulheres a forma como abordamos aceitação e amor próprio. Devo confessar que fiquei emocionada, quando eu comecei a falar sobre questões relacionadas ao peso e a autoestima eu o fiz por mim mesma. É claro que seria maravilhoso servir de exemplo para alguém, mas oque eu estava precisando era desabafar mesmo. Agora eu vejo que as minhas palavras estão ganhando força e que muitas de nós estamos precisando desabafar. Mas a coisa mais importante para mim agora é falar sobre sororidade, sobre derrubar a rivalidade feminina e unir nossos desejos e aflições em um só.

Essa é a Karlinha:

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Nós somos todas lindas e é muito mais fácil lutar contra o que nos é imposto unidas.

 

*imagens: reprodução

 

Fundadora e editora do O Cabide, formada em moda, fotógrafa iniciante, apaixonada por figurinos e história da moda. Futura jetsetter, feminista, gayzista, abortista, gorda, patrona do amor próprio e entusiasta da maquiagem para beleza e para a arte.