Richard Avedon

Como vocês já sabem, tenho postado fotos vintage incríveis lá no Facebook, e tenho amado pesquisar artistas e modelos, eternizadas em fotografias cheias de vanguarda!

E é assim que percebo que há muito na história da moda que ainda não coloquei no nosso baú, e quero muito que vocês conheçam os grandes fotógrafos, pioneiros da fotografia de moda.

Já falei sobre George Hoyningen-Huene e as imagens apaixonantes que produziu, hoje vou falar de um nome de igual importância: Richard Avedon.

Richard Avedon

Uma breve biografia:

Richard Avedon nasceu em 15 de maio de 1923, aos 12 anos já tinha uma câmera fotográfica. Estudou filosofia na universidade Columbia nos final dos anos 1930, na sequencia foi aluno de fotografia de Alexey Brodovitch no Laboratório e Design da New School of Social Research (Não é incrível ter havido cursos de fotografia no início do século passado?).

Foi o fotógrafo das coleções desfiladas em Paris por quase 40 anos, e foi o fotógrafo da Vogue de 1966 até 1990.

Em 1992, aos 69 anos, se transformou no primeiro fotografo que o The New Yorker já teve.

Seu nome foi, desde o início de sua carreira, uma referência a fotografia de moda, assim como recebeu notório conhecimento pelos retratos que fez, estes incluem nomes como Charlie Chaplin e Marilyn Monroe. Lá na nossa página tem algumas fotos que ele fez da modelo Suzy Parker e de Sunny Harnett, rostos que Avedon levou ao sucesso. Esse também era um de seus talentos, encontrar glamour e beleza no desconhecido.

Richard Avedon casou-se duas vezes e teve um filho, morreu de hemorragia cerebral em 2004.

Procurei alguns títulos sobre Richard Avedon e encontrei maior variedade na Saraiva, vale dar uma olhada!

O site oficial do fotógrafo é clique obrigatório pois ajuda a compreender a obra de Avedon: www.richardavedon.com

*imagens: reprodução

Fundadora e editora do O Cabide, formada em moda, fotógrafa iniciante, apaixonada por figurinos e história da moda. Futura jetsetter, feminista, gayzista, abortista, gorda, patrona do amor próprio e entusiasta da maquiagem para beleza e para a arte.

A elegante Polly Maggoo

No ano passado, por recomendação de uma colega e professora querida, a Jô Souza, assisti ao filme A elegante Polly Maggoo.

Polly Maggoo

O filme é totalmente relacionado a moda, e mesmo sendo de 1966 faz críticas que são ainda relevantes para os dias de hoje.

No roteiro uma história simples, depois de vários anos dedicados a revista Vogue Americana como fotógrafo de moda, William Klein, diretor do filme, aborda por várias perspectivas a inclusão da modelo americana Polly Maggoo (interpretada por Dorothy MacGowan), na alta costura em Paris.

Na minha interpretação do filme consegui identificar os seguintes fatores:

  • A construção de uma nova imagem da sociedade através do uso da moda.
  • Polly Maggoo mitificada pela TV e por ela mesma, quando cria contos sobre seu passado e presente.
  • A massificação de ideias e comportamentos.
  • A moda como objeto de estudo da sociedade.
  • A criação de metáforas para esclarecer o mito de Polly Maggoo.
  • A crítica ao cenário socioeconômico da época (filas para comer, cortes na indústria, o canal de tv reduzindo custos e equipe e mesmo assim há um príncipe abastado, caracterizado por inúmeros caprichos em busca de uma modelo (símbolo idealizado da beleza moderna) para ser sua esposa.
  • O exagero na construção dos personagens que representam os formadores de opinião de moda é interpretado como tragicômico.
  • A banalização da cultura através da mídia.

Considerei estes tópicos extremamente atuais e condizentes com a cultura de moda dos dias de hoje, envolvida pela internet, por trendsetters, coolhunters, blogs, vlogs e afins que mesmo produzidos com intuitos individualistas acabam cercados pela composição do pensamento coletivo e vítimas de uma cultura imposta por uma nova mídia.

Além de tudo isso, o filme tem seu próprio charme, você se vê com dó e com raiva da personagem principal em vários momentos, flutuando entre o vazio da vida que Polly acredita viver e o olhar dissimulado e lúdico que ela mesma dá para a própria vida como celebridade.

Se você tiver dificuldade em encontrar o filme para assistir, eu vi pelo NetMovies, que tem uma ótima promoção para que você experimente os serviços do site gratuitamente.

Se você encontrar algum link genial para o download do filme nos envie!

*imagem e vídeo: reprodução

Fundadora e editora do O Cabide, formada em moda, fotógrafa iniciante, apaixonada por figurinos e história da moda. Futura jetsetter, feminista, gayzista, abortista, gorda, patrona do amor próprio e entusiasta da maquiagem para beleza e para a arte.

George Hoyningen-Huene

Quem acompanha a página do O Cabide no Facebook deve ter percebido (e se encantado) com fotos vintage de catálogos e anúncios de moda, e ainda estrelas e divas do cinema. As fotos são incríveis, esse é mais um conteúdo que eu estou tendo o maior prazer em pesquisar. Como tudo que se trata de imagens, algumas chamam mais atenção do que as outras, seja pela luz, pelas cores, pelas sombras ou até pela composição do cenário, é raro ver fotos feitas com maestria e cheia de efeitos sem os recursos que temos hoje em dia.

Nessa semana postei uma imagem tão maravilhosa que seria impossível não ter curiosidade sobre quem a fez.

Descobri entre os grandes nomes da fotografia no início do século passado, como Man Ray e Richard Avedon, o trabalho de George Hoyningen-Huene.

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George Hoyningen-Huene

Nascido em São Petersburgo, quando criança passava as férias na propriedade da família na Estônia, jantava com a corte russa e observava como sua mãe e irmãs se vestiam de forma elaborada entre um baile e outro. Não ia bem na escola, então buscava refúgio em livros de arte e em visitas ao Hermitage, onde o curador o tomou como pupilo e o ensinou sobre a história da Grécia e de Roma.

Depois da Revolução de Outubro, George deixou de viver uma vida privilegiada, como muitos dos refugiados que foram parar em Paris ele começou a trabalhar em empregos peculiares, foi tradutor, garçom em uma loja de chás e inspetor de gravatas. Como ele possuía um smoking, uma das poucas coisas que conseguiu levar da Rússia, acabou conseguindo emprego em um cinema.

A experiência o ensinou a iluminar a plateia e os cenários, e o deixou fascinado por filmes e por fotografia, tanto que no futuro viria a ter uma segunda carreira como consultor de cores em Hollywood.

1935

Atraído pelos salários do trabalho de ilustradores de moda como Georges Lepape e Eduardo Benito, Hoyningen-Huene começou a desenhar roupas para a costureira de sua irmã. Em pouco tempo já fazia cópias de looks inteiros usados em clubes noturnos e corridas, para que fábricas pudessem reproduzir.

Junto a Man Ray, seu amigo, montou um portfólio de imagens das mulheres mais bonitas de Paris. O editor de moda da Vogue francesa na época, percebeu o trabalho de Hoyningen-Huene e o instalou em um estúdio para preparar e criar cenários para sessões fotográficas. A oportunidade não foi desperdiçada, como iniciante George fez de tudo para aprender e logo foi promovido a fotógrafo principal.

Seguindo a linha de Edward Steichen, fotógrafo da Vogue e da Vanity Fair, começou a usar uma luz mais realista para fotografar as modelos. Na época os fotógrafos ficavam limitados a tecnologia das câmeras que exigiam muitas manobras e longas exposições.

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Fotografia de George Hoyningen-Huene para Vogue, 1933

Toda vez que uma modelo posava, parecia que ela estava posando para um retrato, essa não era a melhor forma de retratar uma mulher estilosa na época, mas Hoyningen-Huene havia estudado acrobacia, ele entendia a dinâmica do movimento, conseguia posicionar as modelos justamente naquele momento de transição em que um gesto se transforma em outro.

Seu trabalho para Vogue é caracterizado por essa sensação de movimentos restritos, modelos que posaram para ele, como Lisa Fonssagrives, descreviam esse movimento como dançar parada.

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A modelo Lisa Fonssagrives fotografada por George Hoyningen-Huene para Harper’s Bazaar

Uma outra figura lendária da fotografia que passou pela trajetória de Hoyningen-Huene foi Horst P. Horst. Eles se conheceram em um café de Paris em 1930, quando Horst ainda era um aprendiz do arquiteto Le Corbusier, do movimento Bauhaus. Os dois passaram tanto tempo juntos que Horst largou seu emprego e começa a trabalhar como modelo e assistente de Hoyningen-Huene, além de morarem juntos.

Quatro anos após se conhecerem, Hoyningen-Huene abandona a Vogue francesa e se muda para Nova Iorque como empregado da Harper’s Bazaar, Horst assume seu lugar.

George Hoyningen-Huene foi um fotógrafo com olhar incomparável, instinto unicamente chique e elegância verdadeira. Liderou um período de criatividade sem igual para a moda e para a arte em Paris.

Confira algumas imagens criadas por George Hoyningen-Huene, e vejam o porquê de seu trabalho ser tão especialmente distinto e tão inovador:

*imagens: reprodução

Fundadora e editora do O Cabide, formada em moda, fotógrafa iniciante, apaixonada por figurinos e história da moda. Futura jetsetter, feminista, gayzista, abortista, gorda, patrona do amor próprio e entusiasta da maquiagem para beleza e para a arte.