BEDA #16 – Galeria: Um amor chamado moletom

Quando as mulheres começaram a quebrar padrões relacionados aos seus corpos, acabaram vendo uma possibilidade que nunca tinham visto antes: elas não querem ser escravas de nenhum outro padrão.

Estamos questionando o uso do anticoncepcional, estamos descobrindo como lidar com nossa menstruação de formas diferentes e estamos brigando com o Senado pelo direito de escolha quanto à maternidade.

Também estamos exigindo equidade no ambiente de trabalho, cobrando a presença feminina nos palcos de eventos e na gestão das empresas.

A feminilidade compulsória está sendo derrubada, nossa sexualidade está mais fluída e estamos dispostas a sermos as principais responsáveis pelo nosso prazer.

Juntas estamos moldando um novo mundo onde nosso espaço seja garantido. E com tantas mudanças é claro que a nossa relação com a moda também ganharia um novo olhar. Já estamos calando a boca de quem critica comprimento de blusas e saias, e quanto mais reclamam, mais justas nossas roupas ficam. Mas a verdade é que essa é uma mudança mais profunda, que tem a ver com a nossa relação com as roupas e tudo o que esperamos que elas cumpram dentro dessa nova rotina. Não à toa a palavra conforto vem aparecendo no topo das pesquisas de consumo nos últimos anos.

Não dá mais para usar roupas desconfortáveis para atender as expectativas de uma sociedade que insiste em códigos de conduta ultrapassados. Nossa liberdade também vai nos trazer comodidade!

Criei uma galeria com fotos de mulheres que optaram pelo conforto do moletom e não sacrificaram de forma alguma suas identidades ou estilo pessoal. Dá uma olhada:

(Clique nas imagens para ver os créditos ou para navegar na galeria)

Fundadora e editora do O Cabide, formada em moda, fotógrafa iniciante, apaixonada por figurinos e história da moda. Futura jetsetter, feminista, gayzista, abortista, gorda, patrona do amor próprio e entusiasta da maquiagem para beleza e para a arte.

BEDA #9 – Mulheres inspiradoras para seguir no Twitter

Minha carreira como conteudista online para marcas de moda começou com um experimento. A ideia era fazer uma cobertura completa, incluindo bastidores, das semanas de moda de São e do Rio, durante os desfiles das coleções primavera/verão, 2009. Uma proposta como essa para os dias de hoje parece uma piada, afinal chega a ser impossível pensar em um evento como SPFW sem uma cobertura instantânea.
Mas em 2010 não tinha Instagram e não existiam páginas no Facebook. Nós acompanhávamos os desfiles através dos grandes portais, alguns veículos publicavam vídeos no próprio site (o YouTube também não tinha a relevância que tem hoje) e um ou outro desses veículos publicavam as fotos dos desfiles no Tumblr também. A única chance de acompanharmos em tempo real o que estava rolando na Bienal ou no Píer Mauá, era stalkeando as @ mais descoladas do Twitter. E foi o que eu fiz, seguindo produtoras, assistentes, monitores, stylists, maquiadores e modelos, fui combinando informações de forma coesa para compor uma cobertura detalhada, onde além de imagens e vídeos, eu mostrava o ponto de vista daqueles que estavam trabalhando ativamente nos desfiles.

Meu projeto envolveu muita pesquisa e know how sobre a indústria, mas eu não teria atingido o resultado que esperava sem o Twitter.

Naquele ponto meu objetivo era ser jornalista de moda, mas esse projeto abriu portas para que eu fosse além disso. Logo em seguida passei a compor o time de uma revista de moda online e em seguida fui contratada para trabalhar em uma assessoria de imprensa que iniciava um novo departamento para desenvolvimento para conteúdo digital para seus clientes de moda.

Eu fiquei um tempo sem postar nada no Twitter, mas nunca deixei de visitar a rede. Até hoje, quando preciso de informações concretas e de diferentes pontos de vista sobre qualquer assunto, procuro primeiro no Twitter.

Se você precisa de um bom motivo para voltar para o Twitter essa lista de perfis de mulheres com conteúdo inspirador e/ou relevante vai ser um ótimo incentivo:

Flávia Durante

O perfil da Flá, jornalista e criadora do Pop Plus, é cheio de dicas sobre eventos que vão rolar em São Paulo, tem bastante música (ela também é DJ!), dicas de shows e de festas. Mas seu forte é conteúdo voltado para a inclusão e para a luta contra gordofobia.

twitter.com/flaviadurante

Rachel Patrício

Eu sigo a Rachel porque seus tweets me lembram de outras realidades. Ela fala bastante sobre maternidade, também fala abertamente sobre suas experiências poliamorosas e tem um olhar muito esclarecido sobre como a gordofobia impacta a sociedade.

twitter.com/matryoska

Ana Paula Passareli

Como eu já disse, sou conteudista, essa é minha profissão, eu ganho meu pão como creator e trabalhar sozinha, em sua própria empresa, lidando com o comportamento das pessoas na internet é muito desafiador. Eu sigo a Passa porque ela simplifica muitas coisas que as vezes eu enxergo de forma mais complicada do que realmente são. Além disso ela fala bastante sobre as vivências das mulheres com mais de trinta anos, na vida e no mercado de trabalho.

twitter.com/apassarelli

Modices

Você precisa de um conselho de moda? Vai no @modices.
Precisa de conselho amoroso? Vai no @modices.
Precisa de alguém para idolatrar a Rihanna com você? Vai no @modices.
Precisa lembrar que existem mulheres lutando com você para que o mundo seja mais justo para nós? Vai no @modices!
Depois de tantos anos, ainda vejo a Carla Lemos como uma inspiração, foi muito bom ver seu amadurecimento e a forma franca com ela se relaciona com seus leitores/seguidores.

twitter.com/modices
Eu

Adrieli Nunes Schons

Notoriamente conhecida por falar sobre questões políticas e principalmente sobre feminismo de forma bem humorada e inteligente. As opiniões expressadas pela engenheira civil já viralizaram muitas vezes. Seu conteúdo é empoderador e libertador.

twitter.com/Adrieli_S

Andreia Freitas (Não Invialize)

Em seu perfil a psicóloga e protetora de animais Andreia Freitas fala sobre assuntos importantes e no geral é um perfil é bem legal de acompanhar. Mas eu a sigo por causa dos seus contos. Ela tem uma série de histórias chamada Amor nas DMs que ela conta via teeets e que nos deixam o dia todo enlouquecidos querendo saber o final.

twitter.com/NaoInviabilize

Fundadora e editora do O Cabide, formada em moda, fotógrafa iniciante, apaixonada por figurinos e história da moda. Futura jetsetter, feminista, gayzista, abortista, gorda, patrona do amor próprio e entusiasta da maquiagem para beleza e para a arte.

Não consigo parar de falar sobre isso

Na última semana uma garota de 16 anos foi estuprada por 33 homens no Rio de Janeiro.

Fiquei sabendo na quarta-feira (25/05), quando um post foi compartilhado em um grupo, a notícia veio como um soco no estômago. Mais ainda porque, além dessas informações, li que foi feito um vídeo que expunha o corpo desacordado da vítima, e que além de tudo, mostrava sua vagina machucada e sangrando. Li também os comentários de quem compartilhou o vídeo no Twitter e o deboche diante de tamanha violência fez meu coração sangrar.

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Me prometi que jamais veria o vídeo, qualquer foto ou print relacionado. Apesar de muitos pensarem como eu (em evitar a exposição de uma mulher em tal situação), não demorou para que esse vídeo circulasse em outras redes e a vítima tivesse seu corpo nu, arrasado e humilhado, exposto para milhares de pessoas em todo o país.

Desde que li essa notícia não consegui pensar em nada além disso, não havia nada, nenhuma outra notícia que pudesse afastar de mim o misto de medo e preocupação que essa barbárie deixou.

Desde que li essa notícia não consigo parar de falar sobre isso, e não deveria.

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Não bastasse tanta violência, a vítima ainda vai ter que lidar com o julgamento de pessoas que buscam de alguma forma usar seu comportamento como justificativa para o ocorrido.

Se não usasse roupas curtas não, seria estuprada.
Se estivesse na igreja não seria, estuprada.
Se não fosse para a balada não seria, estuprada.

Trinta e três homens estupram uma jovem e é ela quem é julgada.

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A cada onze minutos uma mulher é estuprada no Brasil. Não precisa procurar muito entre as notícias para ver que mulheres de todas as idades são estupradas em casa, no trabalho, na igreja, ma escola, na rua ou no metrô. Não existe um local sem medo, não existe sensação plena de segurança.

É muita loucura ficar pensando em coisas que uma mulher deve fazer para evitar o estupro, nós temos que falar sobre o estuprador, temos que falar sobre como a mulher é objetificada, sobre como a cultura machista da sociedade em que vivemos permite que violências como essa sejam impunes.

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Olhe ao seu redor, pense em quantas mulheres você conhece que já sofreram algum tipo de assédio.
Quantas mais vão ter que sofrer para lutarmos contra
Quantas mais vão chorar sozinhas?Quantas mais vão ser ridicularizadas por não aceitar?

Sabe porque essa notícia te deixa mal? Porque a vítima poderia ser você, e esse medo nos une.

Uma foto publicada por O Cabide (@ocabide) em

Somos irmãs e devemos lutar juntas.

Somos nós que vamos mudar essa cultura, somos nós que vamos encontrar formas de nos proteger e somos nós, unidas, que vamos inundar a internet, a mídia, o ministério público, as festas de família, os happy hours, a mesa de boteco e até a fila do pão, com denúncias.

Se você achava o feminismo chato antes, se prepare, nós mal começamos.

*imagens: reprodução

Fundadora e editora do O Cabide, formada em moda, fotógrafa iniciante, apaixonada por figurinos e história da moda. Futura jetsetter, feminista, gayzista, abortista, gorda, patrona do amor próprio e entusiasta da maquiagem para beleza e para a arte.

Neon Moon

A ‘Neon Moon’, marca feminista de lingerie, lançou recentemente uma campanha que se propõe  a combater a transfobia e o body shaming. Enquanto a maioria das marcas prioriza estética no lugar de praticidade, essa empresa tem como objetivo mudar a forma como pensamos sobre lingerie. A campanha ‘#IAmNeonMoon’ surgiu para lutar contra a forma sexista como é feita a apresentação e publicidade de lingeries.
A campanha conta com um casting diversificado que representa uma grande variedade de consumidores. Os anúncios mostram uma modelo transgênero, uma modelo cis e uma modelo negra vestindo as coloridas lingeries da marca. Uma das modelos apresenta de maneirsa vísivel pêlos corporais enquanto uma outra tem a cabeça raspada (viva!!!). A ideia por trás das fotos é fazer o consumidor pensar na forma como tem sido feita esse tipo de publicidade, com o objetivo principal de combater a transfobia e o body shaming através desviando dos padrões convencionais de beleza.
Visite o site da marca: www.neonmoon.co
*imagens: reprodução
Fundadora e editora do O Cabide, formada em moda, fotógrafa iniciante, apaixonada por figurinos e história da moda. Futura jetsetter, feminista, gayzista, abortista, gorda, patrona do amor próprio e entusiasta da maquiagem para beleza e para a arte.

BEDA | Coisas que aprendi com Amy Schumer

Amy Schumer é humorista e roteirista e tem estado cada vez mais em pauta na mídia por conta de seu novo filme, Trainwreck.

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Eu tenho visto espalhadas pela internet entrevistas e citações, todas com o mesmo toque do humor que ela leva para o palco em seus shows de stand up, ou seja, muita acidez, muito questionamento sobre padrões de beleza, sobre o estrelismo hollywoodiano e sobre o lugar da mulher na sociedade.

Com base no que tinha visto até aqui, estava gostando bastante da Amy e estava ansiosa para assistir ao filme. Mas eu precisava saber se ela era realmente tão engraçada quanto parece e se o seu discurso feminista também tinha espaço no palco, então assisti ao show Mostly Sex Stuff, feito para o Comedy Central em 2012, e percebi que o humor dela é do tipo mais agressivo e que nessa época as questões de igualdade ainda estavam começando a surgir em seus shows. Mas mesmo achando que algumas piadas poderiam ser facilmente dispensadas, não consigo deixar de me enxergar no que ela diz, afinal faço o mesmo tipo de piadas, a diferença é que as dela de fato tem graça.

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O que me fez relevar algumas dessas piadas que achei desnecessárias foi ver uma mulher falando TÃO abertamente sobre a sua vida sexual, com humor e aceitação, sem se importar com o que vão pensar dela. Eu não sei se vocês já tentaram falar da vida sexual de vocês, seja lá com quem for, dessa forma. Não é fácil! Nós temos medo dos julgamentos até dos nossos amigos mais intímos.

Por conta de tudo isso, decidi juntar algumas das melhores frases ditas por Amy (na minha opinião), quem sabe não ajude a nos libertar mais um pouquinho?

“Eu direi se sou eu bonita. Eu direi se eu sou forte. Você não vai determinar a minha história – Eu vou.”

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“Eu vou falar e compartilhar e foder e amar e não vou me desculpar com as milhares de pessoas assustadas  e cheias de ressentimento por nunca terem coragem de fazer o mesmo. Eu não sou a minha lista de amantes. Eu não sou o meu peso. Eu não sou a minha mãe. Eu sou eu mesma.”amy-schumer-humor-citacao-feminismo-ocabide-3

“Eu sou uma lutadora de sangue quente e destemida.”

“Não, eu não vou me desculpar por ser quem eu sou, e eu realmente vou amar a pele em que estou. Eu não vou batalhar para ser uma versão diferente de mim.”

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“Não se sinta mal por mim, eu me acho tão bonita.” 

 

*imagens: reprodução

**Saiba mais sobre o BEDA

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Fundadora e editora do O Cabide, formada em moda, fotógrafa iniciante, apaixonada por figurinos e história da moda. Futura jetsetter, feminista, gayzista, abortista, gorda, patrona do amor próprio e entusiasta da maquiagem para beleza e para a arte.