Consultoria da magreza

Hoje vi vários posts nas redes sociais sobre um curso de consultoria de imagem plus size que estava causando polêmica.

O motivo?

O foco do curso é treinar consultores de imagem para disfarçar, emagrecer e criar ilusões de ótica que transformem o corpo gordo.

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Eu não vejo problema algum em usar a moda para criar outras silhuetas, mas um curso voltado para esse público não pode ter somente esse objetivo.

Ou seja, eles querem ganhar dinheiro com o plus size (o curso dura 24h e custa R$1000), mas não vão fazer o menor esforço para compreender o público que ele atende?

 

Vou deixar aqui as minhas sugestões para a Panamericana (escola paulista responsável por tal curso):

Que tal fazer um curso de consultoria de imagem plus size que ensine pessoas gordas a amarem e vestirem os corpos que têm, sem disfarçá-lo?

Que tal usar temas como empoderamento, aceitação e representatividade, como apoio para autoestima de quem contrata um consultor de moda?

Que tal chamar alguém com vivência nesse meio para dar essa aula?

Que tal não fazer um curso para propagar padrões estéticos que nos aprisionam?

Que tal parar de enxergar o corpo gordo como algo que precisa ser transformado?

Que tal identificar as necessidades de um mercado antes de criar um curso sobre ele?

Que tal entender que “plus size” é um termo mercadológico e que não dever ser usado para designar mulheres, ou homens, de qualquer tamanho?

 

Melhorem.

*imagens: reprodução

Fundadora e editora do O Cabide, formada em moda, fotógrafa iniciante, apaixonada por figurinos e história da moda. Futura jetsetter, feminista, gayzista, abortista, gorda, patrona do amor próprio e entusiasta da maquiagem para beleza e para a arte.

Como eu escolhi a moda

Há um tempo atrás eu fiz um post sobre o fato de precisarmos ou não saber desenhar para fazer uma faculdade de moda, por causa desse post percebi que são muitas as dúvidas que cercam as mentes dos nossos cabideiros na hora de decidir definitivamente que a moda será sua escolha pelos próximos 2 ou 4 anos.

Então vou contar minha história, achei que talvez falando um pouco sobre como eu escolhi a moda os paradigmas que assombram vocês se desfizessem e vocês percebessem que essa escolha é mais fácil de tomar do que vocês imaginam.

Quando eu saí do colégio disse para os meus pais que não ia fazer faculdade, eu não sentia que tinha estrutura ou grana para estudar qualquer coisa. Minha mãe podia ter surtado, mas ela é esperta e deixou que eu seguisse meu caminho e foi o que eu fiz.

Escola Panamericana de Arte e Design

No semestre seguinte a minha formatura do colégio fiz um curso de web design e consegui um estágio, eu tinha 17 anos. Eu gostava do que eu fazia, mas eu achava que era pouco para mim, minha sede por coisas novas e minha ambição financeira me empurravam em outra direção. Entrei naEscola Panamericana de Arte e Design, comecei o Básico de Arte e Design sem saber qual seria meu rumo no ano seguinte, até eu visitar a agência do meu primo, que terceirava jobs para o segmento publicitário. Eu não sei dizer se eu me identifiquei, mas eu tive certeza naquele momento de que se eu fosse ter uma carreira, seria uma como a do meu primo. No semestre seguinte estava na Universidade Metodista de São Paulo estudando Publicidade e Propaganda.

Metodista

Eu amei estudar lá, eu tinha sido muito fechada minha vida toda, eu continuo sendo muito fechada para falar a verdade, mas não na Metô. Lá eu tive as amizades e as paixões mais intensas, todo dia era dia de festa, eu era magra, jovem e popular, uma combinação bombástica. Não me leve a mal, eu gostava do curso, eu até era boa aluna, mas eu sempre soube que eu podia ser muito melhor, principalmente se tivesse menos cerveja e bagunça envolvidos na história. No final do segundo semestre comecei a procurar estágios, eu precisava de grana e precisava saber se estava no caminho profissional certo. Mas nada acontecia, eu comecei a me sentir acuada e comecei a analisar a minha relação com o curso, com a profissão e até com o estilo de vida que eu levava por causa da faculdade e com o coração apertado, na metade do quarto semestre, eu decidi trancar.

Naquele momento eu sentia que a minha escolha era puramente baseada no sucesso de outras pessoas e que eu precisava encontrar algo que eu amasse para estudar e construir uma carreira na qual minha dedicação viesse espontaneamente.

Fiquei 3 meses em casa, com todo o apoio da minha mãe para escolher com calma meu próximo passo. Eu tinha muito tempo livre e decidi reformar meu quarto, sozinha. Comprei peças de MDF, tinta e tudo mais que eu precisasse para fazer meus próprios móveis e reformar alguns que eu já tinha. Foi uma loucura, algumas coisas deram certo, outras nem tanto, mas eu amei pôr a mão na massa e foi por causa disso que decidi estudar design de interiores.

Dava tempo de eu prestar vestibular e entrar em uma faculdade no próximo semestre, mas antes disso fomos conversar com a gerente do banco, já que eu ainda tinha dívidas com a faculdade anterior. Lá ela me disse que eu deveria tentar o FIES, e que seria mais fácil eu conseguir o financiamento em uma faculdade pequena, como a Belas Artes (ela mencionou outras faculdades na época, mas eu não lembro quais, fiquei super feliz quando ela mencionou a B.A. já que eu sonhava em estudar lá desde que tinha estudado na Escola Panamericana). Para mim estudar lá era providencial, já que o carinha que eu namorava na época também estudava lá, com a facilidade do financiamento e com o fato de ser um lugar que eu sempre quis estudar nada mais me restava a não ser fazer a inscrição para o vestibular.

Belas Artes

E foi na hora de fazer a inscrição que tudo mudou. Quando você preenche a inscrição para qualquer vestibular você tem que dar uma segunda opção de curso, certo? Quando eu olhei para o formulário eu fiquei pensando: “Eu vou estudar em um lugar que eu nunca achei que poderia estudar, com facilidade para pagar, será que eu deveria fazer algo tão inusitado como Design de interiores ou, eu deveria atender a algo que já existe dentro de mim e estudar alguma coisa que eu sempre achei que também não daria para estudar, como Moda, por exemplo?”.

Veja, assim como estudar na Belas Artes sempre foi algo que eu achei que seria fora do meu alcance, por ser longe e por ser tão caro, eu achava que estudar moda seria inviável, pelos mesmo motivos.

Mas se eu ia ultrapassar essas barreiras, por que não aproveitar essa oportunidade para fazer algo que eu provavelmente quis fazer por mais tempo na minha vida do que qualquer outra coisa?

Fiz o vestibular, passei e comecei em agosto de 2005. Foi fácil? Não, a faculdade te desafia constantemente, durante todos os semestres até vocês se formar.

Meu FIES só saiu no final do segundo semestre, eu estava cheia de dívidas, o material das aulas no primeiro semestre não foram baratos e sempre tinha trabalho para entregar. Eu não vivia em festa, cerveja só aos finais de semana, meu relacionamento enfraqueceu com o convívio e eu não fiz muitas amizades.

No terceiro semestre já estava estagiando, mesmo com toda a correria, com as longas madrugadas, com os salários ruins, eu sempre amei o curso e sempre amei os meus trabalhos (mesmo os piores deles). Estudar moda foi uma experiência incrível na minha vida, se eu tivesse que fazer, com certeza faria tudo de novo! Se tivesse tempo e dinheiro faria mais uma faculdade relacionada ao segmento, isso faz parte dos meus planos e é um desejo que assim que puder vou realizar.

Fiz uma pós, também na Belas Artes, que não terminei pois não estava satisfeita com a grade, mas agora que ela foi reformulada está incrível e sempre me vejo querendo terminá-la, pois mesmo quando estava insatisfeita tive uma experiência super bacana com professores muito legais que agregaram, e continuam agregando, na profissional que sou hoje.

Se você ama moda e é isso que você pretende estudar, o conselho que tenho para te dar é ir em frente, o mercado sempre precisa de profissionais qualificados em todo o país e você com certeza encontrará seu espaço para brilhar.

Saiba quais são as principais faculdades de moda do estado de São Paulo.

Bem no comecinho do O Cabide nós entrevistamos a Gladys, estilista que participou do Fashion Mob, e nos falou sobre o começo de sua carreira na moda.

Se você é um jovem estilista e gostaria de divulgar os seus croquis, saiba que O Cabide tem um espaço reservado para vocês!

Nós temos um grupo dedicado os leitores do O Cabide especialmente para que vocês divulguem seus trabalhos, projetos e links.

*imagens: reprodução
Fundadora e editora do O Cabide, formada em moda, fotógrafa iniciante, apaixonada por figurinos e história da moda. Futura jetsetter, feminista, gayzista, abortista, gorda, patrona do amor próprio e entusiasta da maquiagem para beleza e para a arte.