Trabalhando à exaustação

A internet toda está agitada com links de notícias sobre o caso Primark.

Já estão sabendo?

O que aconteceu foi o seguinte, uma consumidora da fast fashion em Swansea, Gales (Reino Unido) se chocou ao descobrir uma etiqueta costurada no vestido que havia acabado de comprar e no qual pagou 10 libras. Na mensagem costurada à mão, que foi costurada a parte interna da roupa como parte das etiquetas regulares do produto, lia-se: “ Forçado (a) a trabalhar por horas exaustivas”.

Caso Primark

De acordo como South Wales Evening Post, Rebecca Gallagher – a dona do vestido – tentou entrar em contato com a Primark através do serviço de atendimento ao cliente, onde foi deixada por 15 minutos na espera antes de ser desconectada.

“Ouvimos histórias sobre pessoas trabalhando nessas condições o tempo todo – fez eu me sentir tão culpada que eu nunca vou conseguir usar esse vestido de novo”.

Em um primeiro momento a marca descreditou a notícia, disse que tudo era mentira, que o vestido era de uma coleção do ano passado e que não ia se pronunciar, mesmo sendo uma empresa quem tem histórico com maus tratos de seus funcionários.

Esse caso ainda não foi averiguado, a Primark finalmente se pronunciou e pediu para que a consumidora entregue o vestido para que o eles possam investigar o que aconteceu, alegando que levam esse tipo de alegação à sério.

Caso Primark

Indenpendente do desfecho, devemos sempre considerar que casos de escravidão na indústria da moda são reais em todo o mundo e que, o consumo de roupas por preços tão baixo podem sim incentivar esse tipo de conduta. Seja o tipo de consumidor que conhece as marcas para quem entrega seu suado dinheirinho. Nós merecemos roupas a um preço acessível sim, mas eles devem fazer isso respeitando os direitos das pessoas que trabalham para criar as roupas que nós tanto amamos comprar a cada temporada. É possível fazer um mercado justo para quem trabalha nele, tanto para quem vai consumir o que a indústria produz, e nós podemos ser o começo dessa mudança.

UPDATE: Assim como havia prometido, a marca acabou investigando essa e uma outra denúncia de mesma natureza feita por uma segunda consumidora. Aparentemente tudo não se trata de uma grande mentira. A marca alegou que não há como etiquetas tão similares tenham sido costuradas nestes vestidos, já que ambos vêm de fornecedores diferentes, e são portanto produzidos em fábricas diferentes, nesse caso um é produzido na Romênia e o outro na Índia.

Ficamos felizes por não ser uma denúncia verdadeira, mas todos os alertas que uma notícia como essa pontam continuam sendo verdadeiros, e tudo o que dissemos neste post sobre trabalho escravo na indústrua da moda continua valendo.

*imagens: reprodução

Fundadora e editora do O Cabide, formada em moda, fotógrafa iniciante, apaixonada por figurinos e história da moda. Futura jetsetter, feminista, gayzista, abortista, gorda, patrona do amor próprio e entusiasta da maquiagem para beleza e para a arte.