Mulheres nos quadrinhos

É difícil que eu mostre meu rosto aqui, talvez esse seja meu maior defeito como blogueira, não me expor mais. Sou uma pessoa reservada e demorou para que eu percebesse que se minha voz não soasse um pouquinho mais alto por aqui, esse projeto acabaria perdendo sua dimensão. Aos poucos vou aprendendo e deixando que vocês façam parte da minha vida (e vice e versa), das minhas dores e dos meus amores.

Enquanto buscava formas para mostrar um pouco mais de quem eu sou para vocês, encontrei a página Mulheres nos quadrinhos, um projeto simplesmente encantador, cheio de verdades sobre como é viver sendo mulher.

Mulheres nos quadrinhos

O projeto é coletivo e compartilha as tirinhas que recebe em uma página no Facebook (onde surgiu) e no Tumblr. Os quadrinhos, muitas vezes de autoras consagradas, falam de amor, liberdade, preconceito, gênero, rotina, luta, sexualidade, etc. Ou seja, falam sobre tudo aquilo que a gente lida todos os dias de nossas vidas, mas falam com uma doçura inegualável. Cada postagem que vejo em meu feed eu sinto como se estivesse recebendo um carinho. <3

*Você também pode seguir Mulheres nos quadrinhos no Twitter.

Mulheres nos quadrinhos

*Lu Wolf

Mulheres nos quadrinhos

*Juliana Pina

Mulheres nos quadrinhos

*Anna Bolenna – A perturbada da corte

Mulheres nos quadrinhos

*Monica Crema

Mulheres nos quadrinhos

*Ponto Cego

Mulheres nos quadrinhos

*Elas contam

É isso que acontece com tanta mulher talentosa junto, o mundo fica coberto de força e ternura!

A página cresceu, o número de autoras e o público também. Estava na hora de colocar esse trabalho maravilhoso no papel, a Mulheres nos quadrinhos merece virar um livro e é exatamente isso que vai acontecer. Mas para isso a organizadora da página precisa da nossa ajuda. O projeto para a publicação está no Catarse, ferramenta que permite que os leitores da página ajudem na arrecadação da verba para concretizar o projeto.

Colaborando ou não, visite a Mulheres nos quadrinhos e não deixe de dar uma espiada nas páginas das autoras que enviam as tirinhas, sem dúvida vai valer a pena!

*imagens: reprodução

Fundadora e editora do O Cabide, formada em moda, fotógrafa iniciante, apaixonada por figurinos e história da moda. Futura jetsetter, feminista, gayzista, abortista, gorda, patrona do amor próprio e entusiasta da maquiagem para beleza e para a arte.

Os critérios e a moda

Os critérios e a moda

Poucas coisas parecem mais distantes uma da outra do que critérios objetivos de avaliação e a moda. Assim como a letra cursiva dos médicos e os jargões legais dos advogados, a aparente falta de critérios da moda fornece uma aura mágica de inacessibilidade e confere autoridade de xamã aos estilistas e jornalistas encarregados de resenhar desfiles. Algumas resenhas de desfiles, aliás, são gemas de bizarra e duvidosa beleza: o texto se perde e se encontra numa contínua e desorganizada descrição pontuada, aqui e ali, por adjetivos e interjeições que serviriam, imagino, para emprestar um “toque pessoal e bem-humorado” aos escritos.

“Humor”, aliás, assim como “leveza”, são qualidades muito apreciadas por essas bandas. Existe a percepção e a ideologia de que a avaliação objetiva da qualidade de uma criação estética ou é algo pretensioso demais ou chato demais ou ainda, de modo muito paradoxal, uma coisa que não pode ser ensinada, uma habilidade cuja fonte não pode ser revelada.

Aqui e ali, a moda abraça a si mesma e fortalece o status quo dos mais privilegiados entre seus asseclas toda vez que publica a avaliação de algo como “soberbo”, “exuberante” e “genial” sem explicar exatamente por que o soberbo é soberbo, o exuberante é exuberante etc. Acontece que, fazendo isso, é como se estivessem todos dizendo: “Se você não é capaz de entender por que isso é soberbo, então não deveria estar aqui”. E qual é o problema disso? O problema é que, mandando tanta gente assim para casa mais cedo, o bebê pode estar sendo jogado fora junto com a água suja do banho.

*imagem: reprodução