RIP Oscar de la Renta

Faleceu hoje, aos 82 anos, o estilista dominicano Oscar de la Renta, ele batalhava contra o câncer desde 2006. Vestindo as primeiras damas Jackie Kennedy e Michelle Obama, ou atrizes como Sarah Jessica Parker, o designer era cultuado entre os fashionistas, não pelo vanguardismo, mas pelo luxo que suas peças traziam.

Sarah Jessica ParkerSarah Jessica Parker, Met Gala, 2014

Trabalhou com os principais nomes da moda europeia no início de sua carreira, De la Renta faz parte da velha guarda fashion.

Nascido em Santa Domingo, no ano de 1932, de uma família rica, De la Renta foi um imigrante com o nome ligado a alta classe americana. O mais novo de sete irmãos ele chegou aos EUA vindo de Madri e Paris, onde ele havia trabalhado com Cristóbal Balenciaga, Lanvin e Balmain.

O dinheiro que seu pai havia mandado enquanto ele estava na Espanha ele gastou com roupas, com o intuito de se manter impecavelmente elegante usando costumes de três peças e colarinhos engomados para receber seus amigos em suas variadas casas de férias, hábitos ele que manteve até hoje.

Oscar de la Renta

junho/1985

O trabalho dele se tornou relevante para uma audiência maior graças à personagem Carrie Bradshaw em Sex and the City. O momento em que seu amante russo a presenteia com um vestido de coquetel Oscar de la Renta, cor de rosa com saia armada que ela acaba usando para comer no McDonald’s, se torna um momento sartorial e cult para a história da TV.

Carrie Bradshaw

Carrie Bradshaw

De la Renta também fez parte da cultura pop graças ao filme O Diabo veste Prada em que a personagem Miranda Priestly faz um discurso para a sua assistente sobre a cadeia da moda que ia do suéter azul da Gap que ela usava até os vestidos cerúleos que o estilista desfilou em 2002 (que na verdade está errado, já que a coleção do estilista para a primavera/2002 não tinha nenhuma peça azul cerúleo).

A marca do estilista seguirá com direção criativa de Peter Copping, anunciado no início deste mês, sua primeira coleção será desfilada em fevereiro.

*imagens: reprodução


Fundadora e editora do O Cabide, formada em moda, fotógrafa iniciante, apaixonada por figurinos e história da moda. Futura jetsetter, feminista, gayzista, abortista, gorda, patrona do amor próprio e entusiasta da maquiagem para beleza e para a arte.

7 fatos que você desconhecia sobre Coco Chanel

Hoje a lendária estilista Coco Chanel completaria 131 anos, e é conhecida até hoje por ter mudado o mundo da moda com seu estilo inovador, sempre a frente de seu tempo.

Devemos admitir que Mademoiselle Chanel também deve ser reconhecida por sua biografia um tanto quanto interessante, unidos ou separados, os fatos de sua vida contam uma história fascinante.

Por causa do seu aniversário, muitos artigos pipocaram hoje na internet, para mim um deles se destacou e eu decidi trazê-lo aqui para os meus leitores cabideiros.

A sessão de estilo do Huffington Post listou os 7 fatos mais curiosos sobre a vida e carreira de Coco Bonheur Chanel, que você provavelmente desconhecia. Eu devo admitir que mesmo depois de já ter lido alguns livros, visto os filmes e a minissérie, eu realmente desconhecia alguns itens dessa lista!

Dá uma olhada:

1. As freiras

Coco aprendeu o ofício da costura com as freiras de Aubazine Abbey, o orfanato onde ela cresceu.

2. Cantora

Antes de costurar, Chanel (na época conhecida como Gabrielle) cantava no La Rotunde e outros cafés parisienses. Foi a música “Who has seen Coco in the Trocadéro?” que a fez ganhar o apelido de “Coco”.


3. Caso de amor com o nazismo

Durante a Segunda Guerra Mundial, Chanel foi ligada ao oficial de inteligência Baron Hans Günther von Dincklage, um notório espião alemão. Existem até hoje rumores de que Chanel também tenha sido uma espiã.


4. Meu perfume

Chanel No. 5 é um clássico, tão clássico, que foi o primeiro perfume a receber o nome de seu criador.


5. Em Guerra

O período durante a Segunda Guerra Mundial foi controverso para a estilista, e os problemas afetaram também seus negócios em 1939, quando ela teve que fechar sua loja. Mas, como nós bem sabemos, seu retorno aos negócios foi muito bem sucedido.


6. Os postes não são dela

A lenda diz que o Duque de Westminster estava tão loucamente apaixonado por Coco Chanel, que fez com que os postes de Londres recebessem a inicial de sua amada ao lado do seu “W”. Infelizmente, as iniciais que aparecem nos postes na verdade tem outro significado (City Council).


7. Fora de contexto

Apesar da designer ser conhecida por sua perspicácia, ao longo dos anos, a maior parte das suas citações está sendo distorcida. Isso sem falar nas inúmeras frases que ela não disse e são atribuídas à ela nas redes sociais.

 

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Fundadora e editora do O Cabide, formada em moda, fotógrafa iniciante, apaixonada por figurinos e história da moda. Futura jetsetter, feminista, gayzista, abortista, gorda, patrona do amor próprio e entusiasta da maquiagem para beleza e para a arte.

Veruschka

Sou grande admiradora da modelo Veruschka, cujo visual arrebatou o mundo da moda na década de 1960, contando até com aparições no aclamado filme Blow Up.

Nada mais justo então, do que fazer um post sobre a trajetória da top model aqui no nosso baú, certo?

Veruschka nasceu em 14 de maio de 1939, em Königsberg, no leste da Prússia, batizada como Vera Gottliebe Anna Gräfin von Lehndorff-Steinort, sua mãe era condessa e seu pai era germânico, conde e reservista da Resistência Alemã.

Quando Veruschuka tinha 5 anos, seu pai foi assassinado sob a acusação de ter tentado matar Adolf Hitler.

Depois dos anos nos campos da Segunda Guerra Mundial, que seguiram a morte de seu pai, Veruschka foi estudar arte em Hamburgo e depois se mudou para Florença, onde com 20 anos foi descoberta pelo fotógrafo Ugo Mulas e se tornou modelo em tempo integral.

Em Paris conheceu Eileen Ford, presidente da já prestigiada Ford Modeling Agency e em 1961 se mudou para Nova Iorque por um breve período. Em 1966 ela fez uma participação de cinco minutos no filme Cult e aclamado pela crítica, Blow Up, de Michelangelo Antonioni. Sua aparição em Blow up foi a alavanca para seu sucesso mundial.

Ela também já posou para Salvador Dalí e para Peter Beard. No seu auge chegou a ganhar $10.000 por dia. Porém em 1975 acabou se despedindo do mundo da moda após desentendimentos com Grace Mirabella, editora chefe da Vogue.

Em uma entrevista em 1999 Veruschuka esclareceu o desentendimento, dizendo que Mirabella queria que ela tivesse um visual burguês, e que ela não queria ser vista dessa forma.

Veruschka

Veruschka

Veruschka

Veruschka

Depois da aposentadoria, Veruschka se entregou a sua verdadeira paixão, a arte. E só voltou as passarelas como convidada para o Melbourne Fashion Festival em 2000 e em outubro de 2010, aos 71 anos de idade, desfilou para Giles Deacon na London Fashion Week.

Veruschka

Veruschka foi a sensualidade dos anos 1960 encarnada, seu visual se transformou em ícone e referência para toda uma década, e foi ela quem cunhou a magreza como requisito para ser top, apesar de muitos acrditarem er sido a Twiggy.

Esse impacto visual não existiu à toa, tudo foi calculado pela mente de Veruschka, que sabia que a simplicidade não lhe renderia trabalhos, então criou essa persona, indo aos go sees vestida severamente, toda de preto. Antes disso tudo ela era apenas Vera, foi para se tornar uma top exótica e requisitada que ela se trabsformou em Veruschka.

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Fundadora e editora do O Cabide, formada em moda, fotógrafa iniciante, apaixonada por figurinos e história da moda. Futura jetsetter, feminista, gayzista, abortista, gorda, patrona do amor próprio e entusiasta da maquiagem para beleza e para a arte.

George Hoyningen-Huene

Quem acompanha a página do O Cabide no Facebook deve ter percebido (e se encantado) com fotos vintage de catálogos e anúncios de moda, e ainda estrelas e divas do cinema. As fotos são incríveis, esse é mais um conteúdo que eu estou tendo o maior prazer em pesquisar. Como tudo que se trata de imagens, algumas chamam mais atenção do que as outras, seja pela luz, pelas cores, pelas sombras ou até pela composição do cenário, é raro ver fotos feitas com maestria e cheia de efeitos sem os recursos que temos hoje em dia.

Nessa semana postei uma imagem tão maravilhosa que seria impossível não ter curiosidade sobre quem a fez.

Descobri entre os grandes nomes da fotografia no início do século passado, como Man Ray e Richard Avedon, o trabalho de George Hoyningen-Huene.

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George Hoyningen-Huene

Nascido em São Petersburgo, quando criança passava as férias na propriedade da família na Estônia, jantava com a corte russa e observava como sua mãe e irmãs se vestiam de forma elaborada entre um baile e outro. Não ia bem na escola, então buscava refúgio em livros de arte e em visitas ao Hermitage, onde o curador o tomou como pupilo e o ensinou sobre a história da Grécia e de Roma.

Depois da Revolução de Outubro, George deixou de viver uma vida privilegiada, como muitos dos refugiados que foram parar em Paris ele começou a trabalhar em empregos peculiares, foi tradutor, garçom em uma loja de chás e inspetor de gravatas. Como ele possuía um smoking, uma das poucas coisas que conseguiu levar da Rússia, acabou conseguindo emprego em um cinema.

A experiência o ensinou a iluminar a plateia e os cenários, e o deixou fascinado por filmes e por fotografia, tanto que no futuro viria a ter uma segunda carreira como consultor de cores em Hollywood.

1935

Atraído pelos salários do trabalho de ilustradores de moda como Georges Lepape e Eduardo Benito, Hoyningen-Huene começou a desenhar roupas para a costureira de sua irmã. Em pouco tempo já fazia cópias de looks inteiros usados em clubes noturnos e corridas, para que fábricas pudessem reproduzir.

Junto a Man Ray, seu amigo, montou um portfólio de imagens das mulheres mais bonitas de Paris. O editor de moda da Vogue francesa na época, percebeu o trabalho de Hoyningen-Huene e o instalou em um estúdio para preparar e criar cenários para sessões fotográficas. A oportunidade não foi desperdiçada, como iniciante George fez de tudo para aprender e logo foi promovido a fotógrafo principal.

Seguindo a linha de Edward Steichen, fotógrafo da Vogue e da Vanity Fair, começou a usar uma luz mais realista para fotografar as modelos. Na época os fotógrafos ficavam limitados a tecnologia das câmeras que exigiam muitas manobras e longas exposições.

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Fotografia de George Hoyningen-Huene para Vogue, 1933

Toda vez que uma modelo posava, parecia que ela estava posando para um retrato, essa não era a melhor forma de retratar uma mulher estilosa na época, mas Hoyningen-Huene havia estudado acrobacia, ele entendia a dinâmica do movimento, conseguia posicionar as modelos justamente naquele momento de transição em que um gesto se transforma em outro.

Seu trabalho para Vogue é caracterizado por essa sensação de movimentos restritos, modelos que posaram para ele, como Lisa Fonssagrives, descreviam esse movimento como dançar parada.

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A modelo Lisa Fonssagrives fotografada por George Hoyningen-Huene para Harper’s Bazaar

Uma outra figura lendária da fotografia que passou pela trajetória de Hoyningen-Huene foi Horst P. Horst. Eles se conheceram em um café de Paris em 1930, quando Horst ainda era um aprendiz do arquiteto Le Corbusier, do movimento Bauhaus. Os dois passaram tanto tempo juntos que Horst largou seu emprego e começa a trabalhar como modelo e assistente de Hoyningen-Huene, além de morarem juntos.

Quatro anos após se conhecerem, Hoyningen-Huene abandona a Vogue francesa e se muda para Nova Iorque como empregado da Harper’s Bazaar, Horst assume seu lugar.

George Hoyningen-Huene foi um fotógrafo com olhar incomparável, instinto unicamente chique e elegância verdadeira. Liderou um período de criatividade sem igual para a moda e para a arte em Paris.

Confira algumas imagens criadas por George Hoyningen-Huene, e vejam o porquê de seu trabalho ser tão especialmente distinto e tão inovador:

*imagens: reprodução

Fundadora e editora do O Cabide, formada em moda, fotógrafa iniciante, apaixonada por figurinos e história da moda. Futura jetsetter, feminista, gayzista, abortista, gorda, patrona do amor próprio e entusiasta da maquiagem para beleza e para a arte.

Shocking Life

Shocking life The autobiography of elsa schiaparelli
Quem gosta de arte e moda, não pode deixar de ler o livro de Elsa Schiaparelli, a autobiografia da estilista talentosa, que incluiu nos seus trabalhos uma mistura de arte, sobretudo a pintura e escultura em suas criações.
Era amiga de vários artistas da época, trabalhou junto em criações magníficas com Salvador Dalí, aplicando o surrealismo do artista em seus vestidos, chapéus e acessórios.
Ela nasceu em Roma, na Itália, em 1890, italiana com uma alma francesa! O auge de sua carreira aconteceu na década de 1930, suas roupas com muitos detalhes, luxo e muita extravagância, com certeza deu destaque às mulheres que as usavam.

O livro foi lançado em 1954, recebendo também o nome de sua cor predileta, rosa choque, cor esta que na época não era vista com bons olhos, mas sua irreverência levou-a introduzir a cor em suas criações, assim como também deu o nome ao seu perfume, Shocking, cujo frasco foi desenhado pela pintora surrealista Leonor Fini e tinha a forma de um torso feminino.

No livro vemos ilustrações  de seus trabalhos e uma história de vida fantástica.

Título: Shocking Life – The Autobiography of Elsa Schiaparelli

Autor:  Elsa Schiaparelli

Editora V&A Publications

Algumas citações de Elsa Schiaparelli:

“As mulheres se vestem do mesmo modo no mundo in­teiro: para aborrecer outras mulheres.”

“Comer não é só prazer material. Comer bem nos dá alegria, contribui para a benevolência e para o companheirismo e faz muito bem à moral.”

“Quando o vento arranca o chapéu da sua cabeça e o faz voar cada vez mais longe, é preciso correr mais rápido que o vento para alcançá-lo. Eu sempre soube que para construir mais solidamente, às vezes somos obrigados a destruir, a fim de estabelecer uma nova elegância para as maneiras brutais da vida moderna.”

Fundadora e editora do O Cabide, formada em moda, fotógrafa iniciante, apaixonada por figurinos e história da moda. Futura jetsetter, feminista, gayzista, abortista, gorda, patrona do amor próprio e entusiasta da maquiagem para beleza e para a arte.