O vestido mágico

Ontem aconteceu em Nova Iorque o badalado Met Gala, evento beneficente organizado por Anna Wintour, que doa o lucro dos convites para o Metropolitan Museum of Art’s Costume Institute.

Neste ano, o tema do baile foi Manus x Machina: Moda na era da tecnologia, e provavelmente o vestido que o melhor retratou foi o escolhido por Claire Danes.

No red carpet o belo vestido azul claro de Zac Posen fez com que a atriz parecesse uma Cinderella moderna, mas o look guardava uma surpresa.

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O vestido era completamente iluminado e brilhava no escuro! Feito em uma organza tecida com fibra ótica e com 30 mini baterias escondidas no forro o vestido acendia, o efeito não apareceu no red capert mas o estilista fez alguns registros mostrando o resultado final:

Um vídeo publicado por @zacposen em

Uma foto publicada por @zacposen em

Esse é um ótimo retrato da maneira experimental como o estilista aborda a moda.  Zac Posen declarou: “Nós fizemos o tecido sob medida, porque eu queria algo que tivesse uma certa transparência, e que conseguisse parecer iluminado”.

E ainda que o destaque do vestido fosse a iluminação, não podemos deixar de notar a dedicação do estilista para outros detalhes, como o corte, o caimento e até o acabamento sem costura, que faz o vestido parecer ainda mais estatuesco.

 

Incrível, não?

 

*fotos: reprodução

Fundadora e editora do O Cabide, formada em moda, fotógrafa iniciante, apaixonada por figurinos e história da moda. Futura jetsetter, feminista, gayzista, abortista, gorda, patrona do amor próprio e entusiasta da maquiagem para beleza e para a arte.

Conselhos de Anna Wintour

Eu tive um feedback super legal com o post sobre como foi a jornada acadêmica que me levou até os caminhos de uma faculdade de moda.  Estudar moda não é uma escolha fácil, além de muitas vezes não ser apoiada por todos os membros da família. Isso sem falar nos estigmas sociais e o sexismo que ronda todas as profissões ligadas ao vestuário.

E depois de enfrentarmos tudo isso, e de enfrentarmos quatro anos de pindaíba na faculdade (que é caro pra caramba!), nós temos que lutar com unhas e dentes por uma oportunidade de brilhar no disputadíssimo mercado de moda brasileiro (não vou nem entrar nos méritos do mercado de moda internacional).

Anna Wintour

E cadê a nossa chance? Trabalhar em prédios sem janelas, em um emprego que paga o salário de um trainee para funcionários pós-graduados? Ou você também pode madrugar na estação lotada de trem, para chegar no “escritório” (mal tem mesa para a equipe toda trabalhar e você nunca fica no mesmo computador) e copiar aquela peça que seu chefe comprou na última viagem que faz para Miami. Podemos falar também daquele emprego maravilhoso em que você precisa ser “dinâmico”, o que na verdade significa fazer o trabalho de todos. Desenha, modela, corta, estampa, costura, embala e vende, tudo por três salários mínimos mais o vale transporte (vale refeição não precisa, tem refeitório).

Quem nunca?

Eu li no site da Dazed and Confused um artigo muito legal sobre a presença de Anna Wintour, a editora chefe da Vogue, no desfile de formatura da Central Saint Martins, onde ela aproveitou e deu uma série de conselhos para os jovens designers de moda. Como vocês bem sabem, Wintour faz sucesso em uma das maiores revistas de moda há 25 anos. Além disso, foi madrinha das carreiras de Alexander Wang, Rodarte e Proenza Schouler, alguma coisa de útil ela deve ter para nos dizer, certo?

Anna Wintour

Sobre começar uma marca

A única coisa que me preocupa um pouco sobre sair diretamente da faculdade para o próprio negócio é que muitos tendem a não ter sucesso… Eu pessoalmente aconselharia a pensar um pouco mais antes de começar um negócio próprio e considerar primeiramente a trabalhar para um designer ou empresa que você admira.

Vá arrumar um emprego

“Vá arrumar um emprego”, disse Wintour de forma certeira. “Que seja um emprego como um designer ou um emprego em um restaurante e daí vai fazendo o seu trabalho no seu tempo livre”. Ter um emprego é a realidade da vida para todos, no final vai acabar sendo algo que vai te ajudar de outras formas.

Diga não a passarela

“Por favor, me escute quando eu digo: uma apresentação interessante e criativa é tão eficiente quanto um desfile (sobre o trabalho de formatura). Eu vejo designers gastando fortunas em desfiles que eu simplesmente não acho que sejam necessários. Uma apresentação nos dá a chance de conhecer o designer, ao invés de sentar em uma sala escura, para esperar você começar sem termos tempo de dizer ‘olá’ antes de sermos apressados para o próximo desfile”. Considerando que estudantes de moda já tem muitas dívidas (se não for mensalidades ou FIES, com certeza será por causa dos próprios trabalhos de formatura), seria bacana se tivéssemos uma apresentação que valorizasse o trabalho do estudante, mas não criasse dívidas ainda maiores.

Anna Wintour

Sem timidez

Jovens designers precisam ser disponíveis, o máximo possível. “Nós começamos um fundo de investimento para moda em 2001, depois do 11/9, para apoiar jovens designers nos EUA e o que nós temos feito é que quando recebemos inscrições para esse fundo, pedimos que o candidato também envie um vídeo”. Wintour afirma que faz isso, pois é muito importante saber como os candidatos se apresentam. “No mundo de hoje é preciso que você saiba interagir. Você não pode ser uma pessoa tímida, sem a habilidade de olhar alguém nos olhos; você tem que saber se apresentar. Você tem que saber falar sobre sua visão, seu foco e naquilo que você acredita.”

Chega de SDV

Wintour pode ter sido a primeira a por uma hashtag em uma capa da Vogue (#worldsmosttalkedaboutcouple), mas ela é a primeira a dizer o que todos nós já sabemos: quantidade de seguidores em Twitter ou Instagram não são equações que apontam para o tamanho do seu sucesso. “É possível no mundo de hoje ser famoso instantaneamente, por Instagram ou qualquer outra plataforma, sucesso financeiro e em longo prazo é bem diferente disso”.

Sociedade

“Não é comum, e digo isso por experiência, que um designer também seja bom em entender fatos e ideias. É importante ter alguém com quem conversar e discutir sobre tudo. Eu não vi muitos designers terem sucesso sozinhos, sem um sócio nos negócios.” No final das contas as coisas funcionaram muito bem para Alexander Wang e seu irmão Denis, Marc Jacobs e Robert Duffy e Christopher Kane e sua irmã, Tammy.

Como eu já fiz um post falando sobre a minha experiência na faculdade, estive pensando em fazer um falando um pouco sobre minha experiência trabalhando com moda. O que vocês acham?

*O texto da Dazed and Confused

Fundadora e editora do O Cabide, formada em moda, fotógrafa iniciante, apaixonada por figurinos e história da moda. Futura jetsetter, feminista, gayzista, abortista, gorda, patrona do amor próprio e entusiasta da maquiagem para beleza e para a arte.

L’wren Scott

Ontem o mundo da moda ficou em choque com a notícia da morte da estilista e ex-modelo L’Wren Scott, que tinha apenas 49 anos e foi encontrada em seu apartamento, em Manhattan, por sua assistente. Aparentemente L’Wren foi encontrada enforcada, no que só pode ser descrevido como um suicídio.

Scott era uma renomada estilista de moda feminina e criou looks para muitas estrelas em Hollywood, ela também prestou consultoria para filmes de grande porte. O desfile mais recente para coleção que levava seu nome estava agendado para acontecer durante a última semana de moda de Londres, mas foi cancelado abruptamente dado a atrasos de produção. Além disso, também é sabido que a empresa de L’Wren, LS Fashion, teve um prejuízo de 3.5 milhões de libras em 2012, e mais de 2.5 milhões de libras no ano anterior. Os documentos que provam as dívidas também mostram que empresa devia outros vários milhões para credores e que ela havia colocado seu irmão, um bem sucedido executivo americano, como co-diretor de seus negócios desde o ano passado.

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Mas, mais do que especular sobre os motivos que tenham levado L’Wren a tirar sua própria vida, acredito que devamos relembrar sua trajetória e falar um pouco sobre seu trabalho:

L’Wren nasceu Luann Bambrough, em Utah, onde foi criada pelos pais adotivos, que eram mórmons. Ela cresceu para ser uma mulher bem alta e com 17 anos foi descoberta pelo fotógrafo Bruce Weber que a escolheu para um anúncio da Calvin Klein. Em seguida foi para Paris, mudou seu nome e desfilou para Chanel.

Em 1994, cansada de ser objetificada pela carreira de modelo, e por ser alta demais para a passarela, se mudou para Califórnia e começou a trabalhar como stylist, junto com o aclamado fotógrafo Herb Ritts realizou trabalhos para revistas como a Vanity Fair. Ela conheceu Mick Jagger, seu namorado de longa data – até os dias de hoje, durante um trabalho com Ritts.

Scott também trabalhou no figurino dos filmes De olhos de bem fechados (1999), de Stanley Kubrick, Treze Homens e um segredo (2007), de Steven Soderbergh e do documentário sobre a trajetória dos Rolling Stones, Shine a light (2008), dirigido por Martin Scorcese.

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Sarah Jessica Parker veste L’Wren Scott

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Nicole Kidman veste L’Wren Scott

Foi em 2006, L’Wren Scott, que costurava desde menina, lançou sua primeira coleção, desde então já vestiu personalidades de todos os tipos, desde a primeira dama Michelle Obama, até a apresentadora Oprah Winfrey, além de trizes como Penélope Cruz e Angelina Jolie.

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Primavera/2014

Foi aplaudida pela indústria por seu design prático, pensado para mulheres de diferentes tipos e diferentes formas. Em entrevista, Scott revelou que a maneira como foi criada, influenciou o seu design, assim como suas próprias necessidades, afinal as roupas criadas por L’Wren vestia incrivelmente bem mulheres muito altas.

Anna Wintour disse algumas palavras em tributo a estilista: “L’Wren era totalmente perfeccionista, alguém que incorporava absolutamente com suas roupas maravilhosas representavam: força de caráter combinado a confiança e um estilo poderoso”.

Antes de fechar esse post li a declaração que Mick Jagger postou em sua página no Facebook sobre a perda de sua namorada de 13 anos, que perda trágica, não?

*imagens: reprodução

Fundadora e editora do O Cabide, formada em moda, fotógrafa iniciante, apaixonada por figurinos e história da moda. Futura jetsetter, feminista, gayzista, abortista, gorda, patrona do amor próprio e entusiasta da maquiagem para beleza e para a arte.

Catwalk

Nós sempre falamos em livros sobre moda mas, raramente falamos sobre filmes de moda. E não, eu não me refiro a Bonequinha de luxo ou Sex and the city, existem muitos outros baseados na moda, que viraram moda ou sobre a moda, como ela é feita, usada ou fotografada.

Percebi que há poucas publicações falando sobre o filme Catwalk, então ele será o tema do meu post sobre moda para assistir.

Catwalk

O filme dirigido por Robert Leacock tem um elenco fashionista de peso, são muitos os nomes da moda que estrelam longa, entre eles Christy Turlington, Azzedine Alaïa, Giorgio Armani, Naomi Campbell, Helena Christensen, Grace Coddington, Cindy Crawford, Linda Evangelista, Gianfranco Ferré, John Galliano, Valentino Garavani, André Leon Talley, Jean-Paul Gaultier, Karl Lagerfeld, Isaac Mizrahi, Gianni Versace e Anna Wintour.

Ufa! Deu para perceber que todo mundo que é relevante na cena fashion deu pinta no filme, e esses nem são todos os nomes inclusos no casting!

O documentário da década de 1990, 1995 para ser mais exata, explora o mundo da alta moda, o roteiro é centrado na vida profissional da supermodelo americana Christy Turlington, durante suas viagens para cumprir Jobs da moda como desfiles e photoshoots.

Como não deixaria de ser, o figurino é destaque, sendo parte proeminente e essencial do documentário.

Catwalk

O filme lança, mesmo que de relance, um olhar sob o aspecto deslumbrado do mundo da moda e como o glamour envolve essa indústria.

Impossível seria não reparar na alienação das modelos e dos relacionamentos superficiais entre as pessoas, você acaba ficando sufocado pela sensação de que aquele mundo, o mundo da moda, é o único que existe. Durante todo o filme o diretor ignora esse aspecto, dando a impressão de que essa falta de um repertório que não seja o fashion não seja algo questionável, como se não houvesse problema algum em ser somente aquilo, o que eu acho que seria uma crítica importante, senão essencial, para a época em que o documentário foi feito.

Com tudo isso, eu ainda considero este filme como conteúdo relevante, muito do nosso comportamento em relação a moda nasceu naqueles bastidores, naqueles beijinhos falsos trocados entre designer e modelo. E com quase 18 anos desde sua filmagem, o documentário continua mostrando uma visão real da indústria da moda.

Assistir Catwalk exige paciência, não pelo filme, que é maravilhoso, mas porque é quase impossível encontra-lo em formato digital, ou qualquer outro formato. Eu sempre tenho dificuldades em encontrar bons arquivos para download, mas é fácil encontrá-lo no YouTube:

Infelizmente não encontrei legendado, na verdade não encontrei em nenhum outro player, tentei no Dailymotion também, e ainda procurei no Netflix e no Netmovies, também sem sucesso.

Vou procurar entre colegas de faculdade e professores, para ver se consigo um link legal, com o filme completo, e um link para download também, já que eu também não o encontrei para vender!

*imagens e vídeo: reprodução

Fundadora e editora do O Cabide, formada em moda, fotógrafa iniciante, apaixonada por figurinos e história da moda. Futura jetsetter, feminista, gayzista, abortista, gorda, patrona do amor próprio e entusiasta da maquiagem para beleza e para a arte.