Callicore

O Cabide teve o imenso prazer de entrevistar a queridíssima Andrêssa Faiad, uma das pioneiras da moda sustentável no país. Andrêssa  é brasiliense, vive há quatro anos em São Paulo e é estilista e figurinista, trabalha com moda há 14 ano em diversos segmentos.

Curiosa e insistente, a artista é autodidata, mas não abriu mão de uma formação concreta, é  formada pela Universidade Católica de Brasília em Comunicação Social, Publicidade e Propaganda, e acabou se desenvolvendo na fotografia e na direção de arte.
Charme e, criatividade são características de suas peças que por serem trabalhadas artesanalmente se tornam exclusivas e peculiares com muito estilo.

Andrêssa tem grande preocupação em difundir a cultura da moda sustentável e seu trabalho vem sendo reconhecido em vários lugares do Brasil. Os figurinos de Andrêssa já vestiram apresentadoras, cantoras e celebridades nacionais e internacionais.

A marca registrada de Andrêssa é a arte, suas peças oferecem a sensação de leveza e suavidade no corpo em sintonia com a natureza. Estar bem vestida é ter estilo com consciência.

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Saiba mais sobre essa designer mais do que multifuncional, com exclusividade, aqui no O cabide:

O Cabide: Fale um pouco sobre sua trajetória no mundo da moda.

Andrêssa Faiad: Eu trabalho com moda há 14 anos, desses, oito foram dedicados a sustentabilidade. Comecei muito cedo na moda e desde muito pequena já criava, costurava e inventava. Vivia em Brasília e trabalhar com moda na capital do Brasil era bem desafiador, pois lá não há indústrias como em São Paulo e produzir era caro.

Eu sempre gostei de moda, desde muito pequena já queria ser estilista e me dedicava a isso. Só que ao mesmo tempo sempre fui apegada a reciclar e renovar coisas, criar e inovar idéias, sempre pensando em dar utilidade às coisas que não eram mais usadas e há uma força maior em mim que sempre me conecta com a natureza e me faz pensar criativamente em coisas possíveis de se fazer com o que é natural ou com o que sobra, sejam retalhos ou matéria prima reciclável. Em mim há uma inquietação com a sociedade, um desejo contínuo de mudanças, que é bem característico da moda.

Além de tudo tive uma coleção de livros de artesanato que me trouxe muitos conhecimentos de moda e me mostravam passo a passo como fazer novas coisas, assim, eu sempre ocupava meu tempo aprendendo técnicas e fazeres manuais com pessoas de mais sabedoria, comunidades, e o mundo criativo que me fascinava de diversas formas, sou artesã e mundo das artes nos fomenta criatividade com a moda.

OC: Você é ligada a sustentabilidade há muitos anos, qual foi o primeiro passo que deu em relação à moda sustentável e por que acha que ele deu certo?

AF: Segui diversos caminhos com a moda, trabalhei em lojas de tecido até ateliês, sempre criei uma moda alta costura, exclusiva, com cara de arte, e tudo que me trouxesse informação, conteúdo ou experiências trabalhando com moda faziam parte da minha busca, mas, eu queria algo novo, algo do bem, diferenciado e que viesse de encontro com minha visão natural, antropológica e social. Essa era uma busca pelo belo, mas, tinha que algo que renovasse o que era velho e que fizesse das pessoas mais criativas. Fiz cursos técnicos e cursos livres de Moda e me formei em comunicação social, passei neste período quatro anos estudando continuamente o mercado de Moda, a Indústria, Moda e a sociedade, moda e cinema, moda e publicidade, moda em comunidades, e fui analisando quais eram as problemáticas, a partir disso comecei minha atividade de campo com oficinas, criei as Oficinas de Moda Sustentável. Isso começou a acontecer em 2002, registrei este projeto em 2004,.

Além de essa pesquisa ter sido a base do meu TCC em 2005, me impulsionou a ir às instituições, festivais, comunidades e cidades, através de ONGs e secretarias de cultura. Recebia pessoas no meu ateliê e ensinava e compartilhava nossos conhecimentos mútuos, valorizando cada ser e sua representação ali no grupo com o papel de reciclar roupas, era um momento onde nos reciclavamos intimamente e levantamos muitas questões que nos remetem e uma mudança social e com o planeta.

Buscamos uma consciência no uso desses recursos e aplicar ao máximo os conceitos de reaproveitamento e produção limpa, já que sabemos o custo dos materiais e recursos naturais. Quando vou a comunidades que só possuem recursos naturais e o mínimo de recursos têxteis e industriais, é um grande desafio, pois trazemos a elas algo novo e o lixo têxtil da indústria aqui em São Paulo é ouro para as mãos do artesão, mas a natureza é muito rica em recurso quando respeitada.

Ou seja, para criatividade não há limites, e o maior sucesso do meu trabalho acontece quando a explosão criativa do grupo unido com o desejo de mudança e criação se unem para comunicar através da moda, assim,  multiplicamos essa força.

Sou feliz em ser uma formiga trabalhando em busca da difusão da sustentabilidade, mesmo que pouco a pouco, vou caminhando. Mas ainda me chateio com a ganância das empresas e pessoas que menosprezam ou usam desse conceito verde para vender mais e muitas vezes desconsideram que a sustentabilidade é um Tripé: Ser integral, Vida e Sociedade, estes são vários pontos que caminham juntos para que a sustentabilidade seja verídica e funcional denominando os muitos cuidados com pequenos detalhes que devemos ter na produção para que o ecologicamente correto seja um conceito que vai além da etiqueta.

OC: Quais são seus projetos atuais?

AF: Sou estilista e figurinista, dou aula em ONGs e instituições, no momento curso pós graduação em Direção de Criação e tenho objetivo de dar aulas em universidades e empresas. Tenho minha marca de Moda sustentável, a Callicore, e estou formando um Grupo de Moda Sustentável, onde poderei capacitar pessoas à trabalharem, atendendo demandas maiores que não dou conta sozinha. Estou em parcerias para criar e desenvolver em maiores quantidades de forma consciente e sustentável para atender o mercado, pois meu trabalho artístico e de moda é muito artesanal e cuidadoso.

Callicore

OC: Qual é a maior dificuldade para implementar a moda sustentável num mercado mais amplo e acessível, considerando que mesmo com toda a repercussão sobre o assunto ainda não é fácil encontrar peças produzidas ecologicamente em grandes lojas ou com preços mais acessíveis?

AF: A indústria de moda é uma cadeia, que se comunica e entrelaça. Para ampliar a produção do algodão orgânico, e tecidos refibrilados ou tecelagens naturais é necessário grandes investimentos em nanotecnologia e é preciso conseguir diminuir o custo dessa produção, que é mais cara e necessita cuidados maiores.  Na produção os cuidados com sobras dos cortes, papéis, caixas e sacos, rolos e tudo que vemos espalhados nas ruas em frente as confecções inconscientes. O lixo é o maior problema,  mas, os grandes magazines pensam em quantidades e quantidade gera lixo e impacto. O ideal seria a gestão desses recursos em uma linha industrial sustentável, mas um algodão que passa por um processo fortemente químico para ficar branco ou jeans por lavagens extremamente prejudiciais a saúde, gera lucro, e o pensamento das pessoas é o lucro e o que vale é o preço. Eu levo 10 minutos para criar algo sem pensar na sustentabilidade, e levo um dia ou mais para criar algo sustentável, pois tenho que pensar no todo, e muitas vezes algo inviabiliza aquela produção por alguma barreira que seria impactante. O custo de produção no Brasil é muito alto, a quantidade de fornecedores de materiais ecológicos ou sustentável e a capacidade de atender demandas em grandes lojas acabam se tornando um pouco mais difícil. O crescimento desse mercado foi tão rápido que acredito que em menos de três anos chegaremos num mercado mais preparado para atender grandes lojas, e em cinco anos sermos mais sustentáveis industrialmente, mas isso requer grandes mudanças.

OC: Se para ser eco-fashion é preciso consumir menos, como você acha que as consumidoras de moda podem se manter ligadas as tendências sem prejudicar o planeta?

AF: Eu faço um trabalho de personal stylist sustentável e nele eu busco trabalhar a consciência do consumo e realizar um trabalho no armário das pessoas, onde você trabalha o que você tem e o que pode transformar. O comportamento consumista é prejudicial, mas consumir é necessário na humanidade, então ser fashionista é algo que realiza o ego, a vaidade e a efemeridade. Ser eco é uma atitude maior que a moda, e ser eco-fashion requer consumir produtos e fazeres manuais, que nem sempre são produzidos por grandes grifes e  marcas que ecologicamente corretas. Além disso, ser eco-fashion depende do desejo e a necessidade de consumir algo que seja bom para você e para seu planeta.  A tendência maior do eco-fashion é ser autêntico, valorizar mais fazeres manuais e a economia da energia e recursos.

OC: O que você sugere como prática sustentável simples e que qualquer pessoa pode implementar no seu cotidiano fashion?

AF: Reciclar seu armário, ser consciente ao comprar, doar à instituições assistenciais o que não usa ou vender ou trocar em brechós, comprar em lojas ecologicamente corretas, e mudar intimamente seu comportamento de consumo.

Para entrar em contato com Andrêssa:

Site:
http://callicorestyle.wordpress.com/

11 8368 – 6583

11 2839 – 6311

61 8625 – 1680

oficinacallicore@gmail.com

andressafaiad@gmail.com

andressafaiad@hotmail.com

Fundadora e editora do O Cabide, formada em moda, fotógrafa iniciante, apaixonada por figurinos e história da moda. Futura jetsetter, feminista, gayzista, abortista, gorda, patrona do amor próprio e entusiasta da maquiagem para beleza e para a arte.