Ponto e vírgula

Tem sido muito bom para mim falar um pouco sobre algumas das coisas que passei nos últimos anos aqui no blog. Se você é novo por aqui precisa saber que eu sou bipolar e que o tratamento para lidar com o transtorno virou a minha vida de ponta cabeça. Eu demorei para me abrir sobre isso com qualquer pessoa que não fosse minha terapeuta e meus pais. Quando eu comecei a me aceitar esteticamente vi que de certa forma, mesmo depois de tantos anos, eu nunca tinha realmente aceitado minha condição. Estava mais fácil me ver de fora para dentro. Eu nunca tinha falado sobre isso com amigos e até com a família. Durante muito tempo eu estigmatizei meus sintomas e me afastei de situações que fizessem eu me sentir mais frágil do que eu já me sentia.

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Não é fácil falar para todo mundo ouvir que você tem um transtorno como esse, ainda existe muito preconceito, muita piadinha sem graça, muita preguiça de estender  mão para alguém com tanta dificuldade de alcançá-la. Além disso, nem todo mundo permanece na sua vida quando você você é tão evidentemente neuroatípico, as pessoas tem medo do que elas não entendem.

Eu tenho muita vontade de fazer um post falando sobre a minha jornada entre o diagnóstico até o ponto onde estou hoje. Vocês gostariam de ler algo desse tipo?

 

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Existem muitas pessoas no mundo que lidam com transtornos, entre elas existem ainda mais pessoas que acabam se isolando por não compreenderem que não estão sozinhos , que outras pessoas também passam por tudo isso. Só quem está nessa posição é capaz de compreender o quanto é importante saber que alguém também sente o que você sente. É como se isso validasse coisas que nós não tínhamos mais certeza se eram reais ou não.

Foi assim, buscando validação, que encontrei o projeto Semicolon que acabou se transformando em um viral para lutar contra os estigmas que cercam doenças psiquiátricas, incentivando os participantes a falarem sobre sua condição. A essência do projeto está no ponto e vírgula que representa o momento em que um autor poderia encerrar uma frase, mas ao invés disso decide pausá-la para depois seguir em frente.

 

Uma foto publicada por Rhys (@rhyscovery) em

 

A ideia surgiu em 2013,  mas só recentemente as pessoas começaram a postar sua tatuagens na internet. Amy Bleuel, a criadora do projeto, estima que mais de 1 milhão de pessoas já tenham a tattoo. Bleuel também é uma das pessoas que  que lida com questões relacionadas a depressão, auto-flagelo, vícios, ansiedade e suicídio. “Eu queria honrar o meu pai que se suicidou. Assim como a minha própria história lidando com essas coisas”.

 

Uma foto publicada por Kim (@kim.sa) em

 

Não calem o sofrimento alheio, ele nunca é trivial.

Não se cale, compartilhe sua história.  Vai ajudar outras pessoas, mas principalmente, vai ajudar você.

Eu tive uma terapeuta que me dizia para olhar de frente nossas dores, tirá-las do coração e encará-las de frente, só assim seremos capazes de compreendê-las, de saber do que ela e feita e lutar para ela se vá.

 

O projeto:

www.projectsemicolon.org

Navegue na hashtag #thesemicolonproject no Instagram para ver quantas tatuagens lindas e libertadores já tem por lá!

 

Se você está lidando com a depressão e pensamentos suicidas, procure AJUDA. Você não está sozinho!

 

Se você estiver de conversar de forma mais casual, eu estou aqui também, me procure: ocabide@ocabide.com

 

*imagens: reprodução

Fundadora e editora do O Cabide, formada em moda, fotógrafa iniciante, apaixonada por figurinos e história da moda. Futura jetsetter, feminista, gayzista, abortista, gorda, patrona do amor próprio e entusiasta da maquiagem para beleza e para a arte.