Carta para Karlinha

“Querida Karlinha,

eu gostaria de ter estado ao seu lado quando sua beleza era questionada, quando você se sentia fora dos padrões, quando se sentir bonita parecia uma utopia.

Queria ter dito para você que você é linda, sempre foi, que o seu tamanho (e o meu tamanho) não servem como medida para beleza e que mesmo parecendo impossível, um dia você iria se aceitar e ser feliz sendo quem você é, e que iluminaria a vida de outras mulheres que como nós, precisam encontrar o amor próprio.

Mas agora que você vê a auto estima com outros olhos e se ama, como deveria ter se amado sempre, eu gostaria de te agradecer. Obrigada por contribuir para uma nova definição de sensualidade, obrigada por mostrar que a beleza de mulheres gordas deve ser livre – como a beleza de todas as outras mulheres e obrigada por enfrentar as regras de um mundo que tenta engessar o significado de ser mulher.

Continue sendo um exemplo de que só nos mesmas podemos determinar o que nos empodera e que isso pode vir com a força da palavra assim como poder vir com a força da nudez.

E que essa carta seja um exemplo de que nós devemos reconhecer a beleza de outras mulheres sem desvalorizar a nossa própria beleza.

Não há nada nesse mundo mais bonito do que uma mulher sendo ela mesma, sem se desculpar, confortável com quem ela é e com sua imperfeição perfeita. Essa é a verdadeira essência da beleza e eu sei que você a carrega com você!

Com carinho, Nic.”

 

A Karlinha é uma pessoa real, é uma das nossas leitores e já teve uma de suas fotos postadas em nosso Instagram. Essa semana ela nos enviou uma mensagem falando sobre o quanto ela considera importante para outras mulheres a forma como abordamos aceitação e amor próprio. Devo confessar que fiquei emocionada, quando eu comecei a falar sobre questões relacionadas ao peso e a autoestima eu o fiz por mim mesma. É claro que seria maravilhoso servir de exemplo para alguém, mas oque eu estava precisando era desabafar mesmo. Agora eu vejo que as minhas palavras estão ganhando força e que muitas de nós estamos precisando desabafar. Mas a coisa mais importante para mim agora é falar sobre sororidade, sobre derrubar a rivalidade feminina e unir nossos desejos e aflições em um só.

Essa é a Karlinha:

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Nós somos todas lindas e é muito mais fácil lutar contra o que nos é imposto unidas.

 

*imagens: reprodução

 

Fundadora e editora do O Cabide, formada em moda, fotógrafa iniciante, apaixonada por figurinos e história da moda. Futura jetsetter, feminista, gayzista, abortista, gorda, patrona do amor próprio e entusiasta da maquiagem para beleza e para a arte.

Amor próprio

Não importa o quão bem resolvida você seja sempre vai ter aqueles dias em que não acha nenhuma roupa boa, nenhuma maquiagem é suficiente, nenhum elogio soa verdadeiro e tudo que você mais queria era não ter saído de casa.

Pois é, infelizmente ninguém está imune a dias como esse. Quando eu estou assim procuro me apegar nas coias que geralmente mantêm a minha autoestima no lugar, também ajuda bastante compartilhar esses sentimentos com vocês, tanto as aflições quanto o que me alivia.

Um dia após o feriado, cheia de preguiça e precisando de inspiração, resolvi fazer um post com as frases que mais me inspiram, espero que seja útil para vocês!

Vira e mexe posto coisas desse tipo lá no nosso Instagram também, você já nos segue por lá?

 

Uma foto publicada por O Cabide (@ocabide) em

É porque eu acho bom reforçar sempre que posso o quanto vocês são lindas!

*imagens: reprodução

Fundadora e editora do O Cabide, formada em moda, fotógrafa iniciante, apaixonada por figurinos e história da moda. Futura jetsetter, feminista, gayzista, abortista, gorda, patrona do amor próprio e entusiasta da maquiagem para beleza e para a arte.

BEDA | Trintei

Era difícil me imaginar com trinta anos, mesmo quando ter essa idade estava ficando cada vez mais perto. Fazer planos para o futuro é irresistível, mas quanto mais velha ficava, mais relutava em ser o tipo de pessoa que pensa “Quando eu tiver 30 anos vou ser assim ou vou ser assado”,  com o tempo a gente vai aprendendo quanta pressão isso gera.

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Minha mãe e minha tia me disseram hoje que eu acabei de começar a melhor fase da minha vida e eu acho que vai ser mesmo.

Eu fiquei pensando hoje nas coisas que eu colocaria na minha Murtaugh list, sabe aquele lance da série How I Met Your Mother em que o Ted faz uma lista de todas as coisas que ele está velho demais para fazer, inspirado no personagem interpretado pelo Danny Glover nos filmes da franquia Máquina Mortífera?

Pois bem, eu não encontrei nada que eu realmente quisesse colocar nessa lista. Eu ainda quero todas as ressacas, todas as dores, todos os corações partidos, os sustos e as broncas. Eu não tive uma adolescência comum e passei a maior parte dos meus 20 e poucos anos lutando contra os meus demônios.

Eu ainda enfrento os meus demônios todos os dias, mas agora que eu tenho habilidade para lidar com eles, quero começar de novo, experimentar as coisas que deixei pela metade, me encontrar e me perder, tudo com a intensidade alucinante que carrego na alma e no coração e que até  agora estava perdida pelos caminhos que minha vida tomou.

Eu nunca me amei tanto, nunca investi tanto em mim mesma e nunca me senti tão feliz por ser quem eu sou.

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Comemorei hoje e vou comemorar mais no final de semana!

30 and hot, buy me shot!

 

*imagens: reprodução

**Saiba mais sobre o BEDA

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Fundadora e editora do O Cabide, formada em moda, fotógrafa iniciante, apaixonada por figurinos e história da moda. Futura jetsetter, feminista, gayzista, abortista, gorda, patrona do amor próprio e entusiasta da maquiagem para beleza e para a arte.

Croquis plus size

Há alguns dias atrás fiz um post com bases para croquis plus size na esperança de que assim pudessemos ver mais diversidade nos desenhos que vocês nos enviam.

E funcionou!

Fiquei tão feliz com a resposta que tive e com a maneira commo vocês reagiram a proposta de representar mulheres gordas em suas ilustrações.

Prometi que faria um post com as ilustrações enviadas e aqui estão elas:

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croqui-plus-size-ocabide-2Croquis da Patricia Shirleni

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Croquis da Tainara Jeronimo que usou vestidos de festa plus size como tema para o seu TCC.

 

Estamos adorando ver vocês engajados e distribuindo positividade e amor próprio!

Que façamos muitos posts como este!

 

*imagens: reprodução

Fundadora e editora do O Cabide, formada em moda, fotógrafa iniciante, apaixonada por figurinos e história da moda. Futura jetsetter, feminista, gayzista, abortista, gorda, patrona do amor próprio e entusiasta da maquiagem para beleza e para a arte.

Peso, beleza e padrão

Olá, gente!
Hoje venho com algo diferente do de costume. Entrei de férias e tive tempo, finalmente, para ler o texto incrível “Eu sou gorda” da Nic, onde ela conta a experiência dela de autoaceitação por estar acima do peso e como foi e está sendo isso.

Decidi compartilhar a minha experiência pessoal sobre o que é estar abaixo do peso. Ou simplesmente chegar ao peso ideal mas as pessoas acharem que eu ainda estou abaixo.

Eu tenho em torno de 1,57m e peso 40 e poucos quilos, tenho 19 anos e uma carinha de 15 (ou menos). Desde de pequena eu era a magrinha, pequenininha da turma. Depois, no fundamental e ensino médio, continuava sendo a amiga magrela, e eu olhava muitas das minhas amigas mais encorpadas do que eu e me sentia mal por conta disso.

É comum achar que só as pessoas que estão acima do peso ouvem comentários desagradáveis a respeito da sua aparência, mas não deveria ser segredo para ninguém que quem é bem mais magra em relação ao resto também ouve. As vezes, como eu, a saúde está ótima, exames perfeitos! Mas ainda vai ter aquela pessoa que acha que você tem algum tipo de distúrbio alimentar, o que é algo sério, e não é legal ouvir esse tipo de coisa. Ainda vão ter aquelas pessoas que vão falar “nossa, você não come nada”, “nossa, como você está magra, precisa comer”. Adivinhem? Eu como!!! Eu cuido da minha saúde e estou super bem!!!

A maioria dos meus amigos são homens, então sempre ouço comentários do tipo “putz, como ela é gostosa” para se referir a algumas mulheres, e, bem, as vezes eu paro e penso “cacete, devo estar muito mal”. Mas depois penso “porque eu deveria me importar com isso? Eles acham ela gostosa, que bom, há quem goste de mim assim.”

Uma vez, no meu segundo ano do ensino médio, eu estava indo para um parque aquático com a escola, e no ônibus ouço um comentário em um tom nada legal: “Nossa, sério? Eu prefiro pegar uma gordinha  do que uma magrela.”(não lembro se foram exatamente essas as palavras). Eu entendo que cada um tem suas preferências, mas as vezes o tom que a gente usa pode mudar muita coisa. Isso grudou na minha cabeça durante muito tempo, eu pensava “porque diabos eu preciso ser assim?!”, mas depois de algum bom tempo, eu parei pra refletir “peraí, ele é igualmente baixinho e magrelo como eu, ele poderia ter o mínimo de respeito pelos ‘seus iguais’, ele não é nada mais que uma versão masculina minha. Ou, ao menos, use um tom diferente ao falar isso, e foi quando me senti um pouco melhor.

Hoje em dia, no segundo ano da faculdade, eu já me sinto muito melhor em relação ao que eu sou.  Eu sei que não me alimento mal, que eu faço o que devo por mim e que meu peso não atrapalha minha vida (a não ser pra achar calça, SIM, é difícil achar calça quando seu tamanho é 34)!

Eu já fiz dieta pra engordar, ganhei em torno de 4/5kg, mas hoje estou bem e não vejo mais essa necessidade. Eu precisava comer de 2 em 2h, o que para alguns pode parecer legal, mas não é. Não é legal ter que ficar controlando o horário para ver quando eu preciso comer de novo. Já deixei avisado que eu não me submeto mais a isso. É simplesmente chato e eu não preciso disso.

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Primeiro ficava aquela coisa na cabeça de que eu estava super fora dos padrões, que nada estava certo, que eu precisava fazer algo, mas a cabeça muda. Agora eu simplesmente gosto de não ser o padrão, eu sei que não tem nada de errado. Me chamam de magrela – não que isso seja muito legal, pra mim pessoalmente – e eu só penso: “ok, mas eu espero que você já tenha, pelo menos, olhado para minha bunda, porque isso eu sei que eu tenho. Não é imensa, mas ta proporcional a mim e ta bonitinha. Beleza? Obrigada!”. Eu gostaria sim, e muito, de ter seios maiores. Porém, entretanto, todavia… A esperança é a última que morre! hehe

Eu parei no tempo, no estilo Twiggy de ser, inclusive com aqueles olhos grandes e super legais. Sou magrinha, não tenho biotipo pra ser gorda, gostosona e curvelínea. Não tenho, é simples assim! Nunca vou ter a bunda da Kim Kadarshiam e estou bem assim! Tenho lá meus deslizes, mas quem não tem?

Twiggy

Aprendi que beleza é relativo, que o conceito do que cada um acha bonito é diferenciado, tanto dentro do nosso próprio país como nos outros. E isso é fácil de perceber. Quando comento com minhas amigas sobre alguém que acho bonito e elas discordam: ta aí! É relativo! Eu acho bonito, elas não! E sempre vai ter alguém que vai gostar de você da forma que você é, e isso você pode acabar descobrindo das maneiras mais estranhas possíveis! E ainda bem que é assim! Tem, inclusive, um documentário super interessante do Discovery Channel que fala sobre A ciência do sex appeal, ele está completo no Youtube e eu super recomendo assistir!

A sociedade, principalmente a mídia, tem toda aquela coisa de imposição de padrão e daquilo que é bonito, daquilo que devemos aceitar como o “normal”, e acho que o melhor que podemos fazer é não nos deixarmos levar por toda a lavagem cerebral. É como uma lobotomia, transformar as pessoas em vegetais, que vão só aceitar aquilo por ser mais fácil e porque muitos outros estão fazendo. Mas as pessoas tem opiniões, as pessoas pensam; e a melhor coisa que podemos fazer, pelos outros e por nós mesmos, é nos mantermos conscientes daquilo que a gente quer para a gente e para o mundo.

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Eu me sinto bem melhor comigo hoje, eu sei que penso por mim, que minha opinião é formada e dita, que o que eu acho bonito e legal pode não ser o que é bonito e legal para o outro e assim vivemos!

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Nos seus deslizes de autoconfiança, para e pensa naquilo de melhor que você tem a oferecer e, que talvez, os outros não tenham, ou poucos tenham! O mundo é legal porque somos diferentes! Meus amigos costumam me chamar de louca com uma frequência relativamente alta, e sempre levo como um elogio, afinal, qual a graça de ser como todo mundo?

Beijo para todos! (:

*imagens: reprodução

Estudante de psicologia, fanática pelas mentes mais loucas imagináveis. Adoro um bom livro, um ótimo filme, fones de ouvido e uma música pra dançar.