A elegante Polly Maggoo

No ano passado, por recomendação de uma colega e professora querida, a Jô Souza, assisti ao filme A elegante Polly Maggoo.

Polly Maggoo

O filme é totalmente relacionado a moda, e mesmo sendo de 1966 faz críticas que são ainda relevantes para os dias de hoje.

No roteiro uma história simples, depois de vários anos dedicados a revista Vogue Americana como fotógrafo de moda, William Klein, diretor do filme, aborda por várias perspectivas a inclusão da modelo americana Polly Maggoo (interpretada por Dorothy MacGowan), na alta costura em Paris.

Na minha interpretação do filme consegui identificar os seguintes fatores:

  • A construção de uma nova imagem da sociedade através do uso da moda.
  • Polly Maggoo mitificada pela TV e por ela mesma, quando cria contos sobre seu passado e presente.
  • A massificação de ideias e comportamentos.
  • A moda como objeto de estudo da sociedade.
  • A criação de metáforas para esclarecer o mito de Polly Maggoo.
  • A crítica ao cenário socioeconômico da época (filas para comer, cortes na indústria, o canal de tv reduzindo custos e equipe e mesmo assim há um príncipe abastado, caracterizado por inúmeros caprichos em busca de uma modelo (símbolo idealizado da beleza moderna) para ser sua esposa.
  • O exagero na construção dos personagens que representam os formadores de opinião de moda é interpretado como tragicômico.
  • A banalização da cultura através da mídia.

Considerei estes tópicos extremamente atuais e condizentes com a cultura de moda dos dias de hoje, envolvida pela internet, por trendsetters, coolhunters, blogs, vlogs e afins que mesmo produzidos com intuitos individualistas acabam cercados pela composição do pensamento coletivo e vítimas de uma cultura imposta por uma nova mídia.

Além de tudo isso, o filme tem seu próprio charme, você se vê com dó e com raiva da personagem principal em vários momentos, flutuando entre o vazio da vida que Polly acredita viver e o olhar dissimulado e lúdico que ela mesma dá para a própria vida como celebridade.

Se você tiver dificuldade em encontrar o filme para assistir, eu vi pelo NetMovies, que tem uma ótima promoção para que você experimente os serviços do site gratuitamente.

Se você encontrar algum link genial para o download do filme nos envie!

*imagem e vídeo: reprodução

Fundadora e editora do O Cabide, formada em moda, fotógrafa iniciante, apaixonada por figurinos e história da moda. Futura jetsetter, feminista, gayzista, abortista, gorda, patrona do amor próprio e entusiasta da maquiagem para beleza e para a arte.

Peggy Moffitt

Hoje Peggy Moffitt, a musa do monoquíni, completa 73 anos. Seu talento associado a seu visual único mudou a cena da moda na década de 1960.

peggy-moffit-historia-moda-monoquini-ocabide-8

peggy-moffit-historia-moda-monoquini-ocabide-9

peggy-moffit-historia-moda-monoquini-ocabide-10

Era musa absoluta do estilista Rudi Gernreich, cujas roupas usadas por Peggy e fotografadas por Bill Claxton se transforam no ícone do Swinging Sixties.

O cabelo geométrico, conhecido como “Cinco pontas”, criação de Vidal Sassoon, apresentava uma novo conceito estético, e junto com a maquiagem, se transformou na marca registrada de Peggy.

peggy-moffit-historia-moda-monoquini-ocabide-5

peggy-moffit-historia-moda-monoquini-ocabide-7

A make era inspirada no teatro japonês kabuki, que incluía cílios postiços exagerados.

Peggy chegou a aparecer no filme A elegante Polly Magoo fazendo sua maquiagem:

peggy-moffit-historia-moda-monoquini-ocabide-4

No dia 4 de junho de 1964 ela causou barulho na mídia quando foi fotografada semi-nua no monoquíni criado por Rudi Gernreich. A imagem de Moffitt foi feita por William Claxton, que era marido de Peggy e colaborador assíduo da dupla.

Não se tratava de nada além de um maiô de malha cortado abaixo do busto, que acabou sendo um marco na Revolução Sexual dos Anos 60, causando muitas polêmicas, entre elas, pedidos de casamento e ameaças de morte. O monoquíni envolveu a Justiça americana, que foi obrigada a rever suas leis sobre o nudismo.

peggy-moffit-historia-moda-monoquini-ocabide-2
peggy-moffit-historia-moda-monoquini-ocabide-3

No mês de maio do ano passado aconteceu a mostra “The Total Look: The Creative Collaboration Between Rudi Gernreich, Peggy Moffitt and William Claxton” no Museum of Contemporary Art of Los Angeles (MOCA), para homenagear a obra do estilista.

No vídeo The Total Look produzido pelo Nowness, a própria Peggy resume sua carreira e desabafa: “Essa foto tomou um sexto de segundo para ser feita e eu tive que passar a minha vida inteira falando sobre isso!”

Ela aparece no vídeo como uma musa que não se desfez, a modelo manteve o cabelo assimétrico e as roupas psicodélicas, e de certa forma, sua imagem permanece como foi desde o início.

*imagens e vídeos: reprodução

Fundadora e editora do O Cabide, formada em moda, fotógrafa iniciante, apaixonada por figurinos e história da moda. Futura jetsetter, feminista, gayzista, abortista, gorda, patrona do amor próprio e entusiasta da maquiagem para beleza e para a arte.