A moda nos anos 1990

Parece que passamos por um revival da década de 1990 recentemente, e muito do que foi moda há mais de 20 anos atrás. Eu adorei e mesmo sabendo que as tendências para o verão trazem elemento da moda de outra década, a de 1970, pretendo continuar investindo em um visual inspirado nas séries que cresci assistindo!

Pensando nisso achei que seria bacana trazer para o blog algumas fotos editoriais dessa década, um pouco de nostalgia para quem viveu nessa época e um pouco de referência para os mais jovens.

As imagens abaixo são todas da revista Harper’s Bazaar:

 

*imagens: reprodução

Fundadora e editora do O Cabide, formada em moda, fotógrafa iniciante, apaixonada por figurinos e história da moda. Futura jetsetter, feminista, gayzista, abortista, gorda, patrona do amor próprio e entusiasta da maquiagem para beleza e para a arte.

O corpo perfeito

Existe um motivo para as capas das revistas incluírem chamadas como “Como conseguir o corpo perfeito”. Mas se você já se pegou desejando ter a cintura de tal atriz ou as pernas de tão cantora, se lembre: O conceito da mídia para o “corpo ideal” da mulher não é estático. Seja lá quem as revistas escolherem como mais bonitos do ano, eles serão apenas uma representação do que tem borbulhado no caldeirão da cultura pop. A silhueta da “mulher ideal”  tem se submetido a uma série de casa de espelhos (onde as imagens se distorcem), como a moda, o cinema, a música pop e a política. Também é algo que muda ano a ano, então as qualidades físicas que aderimos hoje geralmente estão em desacordo com os padrões estéticos da gerações passadas.

Para provar a efemeridade dos ideais para o corpo da mulher, vamos avaliar os padrões estéticos o últimos 100 anos:

 

1910 – Gibson Girls

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As it girls dessa década eram as Gibson Girls , criadas pelo ilustrador Charles Gibson no início do anos 1900 que poderia ser descrito como um dos fotógrafos trendsetters da atualidade. A garota dos sonhos de Gibson aparecia nas páginas de revistas como a Life, Collier’s e Harper’s Bazaar e logo se tornavam  as Beyoncés da época. As mulheres corriam para copiar o look: uma silhueta exageradamente em 8, graças a um corset super apertado. (Não tentem isso em casa!) Linda M. Scott escreveu em Fresh Lipstick: Redressing Fashion and Feminism, “As Gibson Girls não eram meigas… elas eram dark e tinham importância de rainhas, além de ser bem altas.”

 

1920 – As flappers (melindrosas)

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Dizemos adeus para as curvas monumentais, altura estatuesca, penteados complicados e dizemos olá para as flappers. Ao contrário da beleza congelada da década anterior as flappers eram cheias de movimento. As curvas exageradas de Gibson foram substituídas por bustos e quadris pequenos.

Na moda, a linha da cintura cai vários centímetros abaixo do umbigo, fazendo dos quadris estreitos uma necessidade. Mas não se engane, não falta sex appeal para as melindrosas; é que o foco agora está todo nas pernas, expostas por um comprimento mais curto, na altura dos joelhos, que permitia até expor um pouco da cinta liga enquanto dançavam.

 

1930 – À la garçonne

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Seguidos pela quebra da bolsa os espíritos caem tanto quanto a barra das saias. Os vestidos agora são drapeados no viés. Traduzindo? São menos quadrados e mais ajustados ao corpo. A linha natural da cintura (na altura do umbigo) volta ao seu lugar e podemos ver um pouco mais de evidência nos ombros. O visual com seios pequenos tão populares nos anos 1920 dá lugar a bustos um pouco mais aparentes, provavelmente como um resultado direto dos novos tamanhos de bojos criados nessa mesma era. A mídia investe em uma silhueta mais curvilínea fazendo dessa época um marco entre a mudança do look petite dos anos 1920 e as curvas dos anos 1940.

“Depois de ter aniquilado as formas na época do charleston, a elegância feminina dos anos 1030 revaloriza o corpo. Menos teórica, a moda pretende conservar todas as aquisições do feminismo, agora, reencontrando uma elegância refinada que já não provoca sobressaltos.” Baudot, 2008, p.64

 

1940 – Durante a guerra

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Os braços continuam de fora, mas dizemos adeus ao look suave dos anos 1930. Graças a Segunda Guerra Mundial os ombros militares (largos, quadrados e agressivos) se tornam parte do  look du jour. Angularidade é a ordem da vez, os sutiãs também ficam pontudos, como nomes como “bullet” e “torpedo”. Tudo para traduzir o momento, uma silhueta alongada e mais quadrada. Não se engane com a  famosa imagem da Rosie the Riveter, o tipo ideal de corpo não inclui músculos flexionados. Mas se torna mais altiva,  com ar de comando, possivelmente ecoando a expansão do lugar da mulher no mercado de trabalho e  nos campos de guerra.

 

1950 – Ampulheta

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Chegamos a era da ampulheta , nos anos 1950 o tipo de corpo ideal tem as proporções da Jessica Rabbit. Após a angularidade dos tempos de guerra, as curvas passam a ser mais apreciadas. Os anúncios publicitários da época alertavam mulheres “magras” para tomar suplementos e desenvolver suas curvas. A revista Playboy e a Barbie foram criadas nessa época, ecoando as cinturas minúsculas e seios grandes do corpo ideal do momento. A moda também apresenta peças para valorizar esse tipo de corpo através de formas arredondadas como os decotes coração e saias rodadas.

 

1960 – Twiggy

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Os anos 1960 levam o pêndulo para uma direção diferente. O magro está na moda, a silhueta de Jessica Rabbit não está mais. O look agora é fresco, feminino com um toque de androgenia. Modelos como Twiggy e Jean Shrimpton representavam o novo ideal: rosto de boneca, super esguias e pequenas. A moda valoriza o look,  os vestidos encurtam e libertam a cintura, novamente a moda exige mulheres com seios e quadris pequenos.

Cada vez mais mulheres dispensam peças restritivas do guarda roupas, coisas como cintas e corsets são deixados de lado. Como consequência da exigência de uma silhueta magra e de barriga reta na o Vigilantes do Peso, fundado em 1963.

 

1970 – Disco

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Disco! Macacões! Boca de sino! Essa foi a década da balada, mas a baladeira era mantida sob a pressão de ter um corpo esguio para poder aderir a moda da discoteca. Tecidos sintéticos como o poliéster estavam em alta e eles eram mais reveladores do que os tecidos do passado.  No geral o look ainda era magro, especialmente no torso, mas as curvas começam a fazer um retorno.

Como os anos 1930, essa década foi um marco e afastou os looks petite da década de 1960. Na sequência dos movimentos negros (que surgiram na década passada) surge Beverly Johnson que se torna a primeira mulher negra a aparecer na capa da Vogue.

 

1980 – Supermodel

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As supermodels reinam supremas. Essa mulheres altas, com pernas longas, passam a representar o ideal feminino. Mulheres como Elle MacPherson, Naomi Campbell e Linda Evangelista lideram das passarelas até o coração da cultura pop, dominando a mídia e os clipes musicais da época.

Os anos 1980 também é a era do fitness, graças ao pioneirismo de Jane Fonda. Aeróbica e corrida ganham a vez e pela primeira vez músculos são aceitáveis e desejados por mulheres. Foi ao mesmo empoderador e desencorajador –  esse era mais um padrão de beleza criado para aumentar a lista.

 

1990 – Androginia

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Querida, nós encolhemos as supermodels! Kate Moss inicia a era das meninas com aparência de moleques, época também conhecida como “heroin chic” por parecerem sempre embriagadas, imagem que também pode ser associada a cena grunge da música. Com seus 1,70 Kate Moss era inegavelmente petite para uma modelo e magra demais até para os padrões dessa indústria. Esse look era uma respostas as modelos amazônicas e super malhadas da década passada.

Jeans largos, suéter oversized puído e fragrâncias unissex ( como a CK One) complementam o visual de andrógino.

 

2000 – Bronze

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De acordo com a Vogue a modelo Giselle Bundchen foi responsável por trazer o sexy de volta para a moda. Ela ganha o crédito por ter enterrado a era do “heroin chic”,  dizer adeus para a palidez e embriaguez para entramos na era dos bronzeados artificiais, das tops brasileiras, de modelos magras mas com curvas. Bundchen mudou o mercado, foi escolhida como a mulher mais linda do mundo e a modelo mais bem paga do mercado por apresentar mais curvas e um visual mais saudável do que as modelos da década passada.

 

*traduzido e adaptado

**imagens: reprodução

Fundadora e editora do O Cabide, formada em moda, fotógrafa iniciante, apaixonada por figurinos e história da moda. Futura jetsetter, feminista, gayzista, abortista, gorda, patrona do amor próprio e entusiasta da maquiagem para beleza e para a arte.

Coisas que você não sabe sobre o filme As Patricinhas de Beverly Hills

O filme As Patricinhas de Beverly Hills completa 20 anos este mês e por mais que tenha sido icônico desde a década de 1990 ainda existem fatos não muito conhecidos sobre a produção.

Para a alegria dos fãs do filme neste mês o livro As If! The Oral History of Clueless as told by Amy Heckerling and the Cast and Crew chegou as prateleiras americanas. Recheado com imagens incríveis dos bastidores, polaroides antigas e cada factóide que você precisa conhecer sobre a comédia adolescente.

Nós ainda não temos o livro disponível nas livrarias brasileiras, mas tenho aqui cinco fatos curiosos sobre o filme:

1. Por que eles fizeram com que o Josh fosse meio-irmão da Cher? 

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para que você não fique perdido caso não se lembre do roteiro: A mãe de Josh se casou com o api de Cher e depois eles divorciaram. Eles eram meio-irmãos e depois não eram mais e esse divórcio aconteceu cinco anos antes do momento em que ekes estão no filme. Assim fica claro que a Cher e o Josh já foram parentes mas não eram irmãos biológicos.

Ainda assim há quem ache  o relacionamento estranho. De acordo com Heckerling, escritora e diretora do filme, não deveria ser. Os personagens Josh e Cher foram baseados em uma das uniões mais sólidas que a autora já conheceu: seus avós. “O lance é que os meus avós eram meio-irmãos, também não eram parentes de sangue e se conheciam desde a adolescência. Meu avô tinha quase 100 anos quando morreu, minha avó tinha quase 90. Eles mantiveram essa dinâmica agitada e cheia de discussões por quase 80 anos. E eles discutiam. Mas quando um deles ficava doente, eles ficavam totalmente perdidos. Eles eram dependentes um do outro e mesmo assim viviam discutindo”, conta a autora.

 2. De onde veio a ideia para o closet da Cher? Sabe aquele que organizado por cor, temporada e é ligado a um banco de dados no computador?

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O closet dos sonhoes de Cher teve duas inspirações principais. Uma delas foi o closet da casa de um produtor musical que “não queria que suas roupas ficassem escondidas no fundo do armário onde ele não as veria”. O produtor e designer Steven Jordan também encontrou uma ideia parecida com um colecionador de itens esportivos que era um dos donos dos Yankees. Escondido atrás de um quadro o coletor tinhas camisas e uniformes da virada do século passado, todos alinhados e com um mecanismo rotativo.

Para fazer o closet a produção alugou um sistema de suporte do tipo usado em lavanderias, depois todas as roupas de Cher foram fotografadas. Eles econtraram um designer gráfico para criar a animação das roupas sendo combinadas no computador. “Eu imagino que hoje em dia alguém consegueria fazer e terminar até a hora do almoço”, disse o designer. “Sabe como é, os computadores eram recentes; isso foi há 20 anos. Foi bem difícil de fazer.”

3. A história por trás de: “Isso é um Alaïa!”

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Esse assalto aconteceu na vida real. “Eu estava jantando com alguns agentes… e eles estavam me contando sobre um outro agente que eles conheciam que era um total desleixado e que casou com uma mulher que fez uma transformação em seu estilo e comprou vários ternos bacanas para ele. Ele tinha um terno Armani, ele foi abordado por um assaltante que pediu que ele se deitasse no chão. Obviamente ele recusou inicialmente – “Eu não posso deitar no chão, isso é Armani”, contou Heckerling.

A diretora gostou da ideia de que você poderia ser ameaçado em uma situação drástica  e algo tão estúpido significar tanto.

4. O que aconteceu com o cara que interpretou o Christian?

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Trata-se de Justin Walker, que retornou a vida como um cidadão normal. Ele é o presidente de uma organização sem fins lucrativos e vice presidente de uma associação histórica de um bairro. Após o filme, Walker fez um monte de pilotos, como ele contou no livro. “Eu fiz uma porção de filmes ruins… Eu topava qualquer coisa. QUALQUER COISA. Basicamente eu fiz qualquer filme adolescente que surgiu dois ou três anos após As Patricinhas de Beverly Hills”.

Ele ainda é reconhecido na rua – nem sempre de uma forma boa. Uma vez, em um evento em Ohio, ele lembra que “Um cara na estrada gritou ‘Hey você é a bicha de As Patricinhas de Beverly Hills, certo?'”

5. O beijo do Paul Rudd é bom ou não?

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Paul Rudd tinha 26 anos quando o filme foi lançado, e ele lembra dessa como uma das suas primeiras cenas de beijo. “Foi bem sem graça”, ele disse.

O ator tem três cenas de beijo: uma com a Heather, sua namorada da faculdade (interpretada por Susan Mohun) e duas com a Cher. “Ele não poderia ter sido mais legal… Eu me senti muito tranquila com ele”, disse Mohun. Ele também ganhou a aprovação de Alicia Silverstone. “Foi tudo muito fácil com o Paul – especialmente com a cena do beijo no casamento”, ela disse.

Da parte de Paul ele se lembra de sua preparação para o beijo com Alicia e pensar, “‘Eu vou beijar a garota dos clipes do Aerosmith’. E ficar muito animado por mim mesmo, eu lembro de pensar que isso era demais… Eu devo parecer como um total pervertido”.

Aproveitem essa onde maravilhosa que estamos vivendo em que a década de 1990 está moda e se jogue no xadrez e nas meias 7/8!

 

*imagens e vídeo: reprodução

**fonte

Fundadora e editora do O Cabide, formada em moda, fotógrafa iniciante, apaixonada por figurinos e história da moda. Futura jetsetter, feminista, gayzista, abortista, gorda, patrona do amor próprio e entusiasta da maquiagem para beleza e para a arte.

A história dos sapatos

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Esse post é um contribuição da Farfetch para o blog O Cabide.

 

*imagens: reprodução