Mulheres gordas também transam

Comments (2) Gaveta de Calcinhas

Quando se fala da sexualidade da mulher gorda na internet o resultado é fetichismo e pornografia.

Quando se fala da sexualidade da mulher gorda em uma conversa casual é comum ouvir coisas como: “É mais fácil transar com mulheres gordas porque elas são desesperadas”, “Mulheres gordas se dedicam mais no sexo oral porque querem te convencer de que vale a pena transar com elas” ou “Transo com ‘gordinhas’ para praticar e ficar bom de cama para quem realmente merece”.

E quando é a vez do TV ou do cinema falar sobre a sexualidade da mulher gorda, nossa libido é vista como algo cômico, digno de deboche e ridicularização.

A sociedade como um todo não enxerga mulheres gordas como indivíduos completos e funcionais,  e nada na nossa cultura nos faz pensar que elas têm vidas sexuais que incluam experiências ricas e cheia de variação como as de qualquer outra pessoa.

Ou seja, não importa em qual situação, somos fetichizadas, objetificadas ou ignoradas, e inevitavelmente a nossa sexualidade sempre acaba parecendo um tabu.

artista desconhecido

A vida sexual da mulher gorda funciona como a de qualquer outra mulher, sentimos tesão, nos masturbamos, transamos em várias posições, temos fantasias, compramos brinquedinhos, usamos lingerie sensual e escolhemos nossos parceiros (ou parceiras) com base em afinidades e química.

Parem de tentar categorizar nossas transas, não existe “sexo gordo”!

Parem de presumir que por sermos gordas não somos confiantes, e não temos autoestima e controle sobre nossos corpos.

E parem de tentar enfiar (sem trocadilhos) o nosso tesão em moldes engessados e patriarcais, nosso corpo não existe para atender suas necessidades, nosso prazer não é condicionado por padrões estéticos e assim como qualquer outro ser humano, nós transamos para gozar.

 

*imagem: reprodução

 

 

 

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Pop plus

Comments (0) Agenda

Acontece no próximo final de semana, em São Paulo, a maior edição do Pop Plus! O evento que reúne as principais marcas do segmento plus size, e que está em sua 13ª edição, ocupará o Salão Nobre do Club Homs na Avenida Paulista e contará com a presença de 55 marcas, entre elas você poderá encontrar moda feminina jovem, urbana, contemporânea, clássica, básica, fitness, retrô, jeans, lingerie, moda praia, sleepwear, calçados, acessórios e moda masculina.

Desde as últimas edições venho percebendo o esforço da Flávia Durante, criadora do evento, para tornar o Pop Plus em algo mais completo e inclusivo, e é graças a esse esforço que a moda masculina está cada vez mais presente nos eventos.

Junto com a divulgação o evento lançou um editorial belíssimo estrelado por Nana Moura e Genize Ribeiro, mulheres incrivelmente lindas, que eu acompanho nas redes sociais e admiro bastante, com fotografia de Gabriel Quintão, styling de Samyra Oliveira e maquiagem da minha musa Alessandra Lira!

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Veja o ensaio completo!

Marcas que participarão:

Moda feminina: ChicaBolacha, Oh,Querida!, Lollaboo, Maria Abacaxita (jovem), La Lolitta, Melinde Brasil, Gracia Alonso Plus Size, Antonieta Plus Size, AsobimodeJapan AsobimodeJapan, Atual Plus e Nina Vazquez Moda E Estilo (contemporânea); For Love – Plus Size, Attribute Denim (jeans); Gamaia Esportes (fitness); Assens, NaBeca Tamanhos Reais (casual); Fashion4me Plus Size (premium); UPSY, Madeleines (retrô); Ela Desfila Moda Feminina (ponta de estoque); True E-motion (urbana); Coletivo de Dois, Ateliê Cretismo, Fleur Rose Blusas Bordadas (artesanal); Africa Plus Size Fashion Week, Rainha Nagô (afro); Flaminga, ZUYA+size, ClubPlus (multimarcas) e WE Love Ateliê (sob medida).

Moda masculina: BRUTO (camisetas); Rainha Nagô (afro); Loja Chico (jovem); Lili da ena: camisas e acessórios (camisas) e Coletivo de Dois (artesanal).

Lingerie/Moda Praia/Sleepwear: GG.rie, Morisco Lingerie (lingerie); For All Types (lingerie e moda praia); Vincullus (pijamas) e Cor de Jambo moda praia (moda praia).

Acessórios/Bijuteria: Mary Help! Acessórios Criativos (acessórios), Korukru by Lu Oliva – Cintos e Acessórios (cintos), Retalho Riscado (bolsas), Couro & Cores (calçados), Thalita Laleme, BASFONDQBela Biju (bijuterias).

O que mais vai rolar:

O evento também contará com apresentações de DJs, de dança (salsa, American Tribal Style, dança do ventre, burlesca) e de drag queens, uma exposição com fotos do Projeto Cada Uma e poesias de Rack Land (@historiadefogo), um desfile do Africa Plus Size Fashion Week Brasil e no encerramento (domingo, a partir das 19h)um show com a cantora Karla da Silva.

Estou ansiosa para ver as peças da Lollaboo, que acabou de lançar uma coleção linda:


 As lingeries super sensuais da GG.Rie:

Uma foto publicada por Loja GG.rie (@gg.rie) em


E as peças ultra modernas do Coletivo de Dois:


O evento é totalmente planejado para acolher, empoderar e divertir o público – feminino e masculino – que veste acima do 46. Vamos?

Clique aqui para ler algumas dicas para aproveitar o evento!

13º Pop Plus
Data: 18 e 19 de junho (sábado e domingo)
Horário: 10h às 20h
Local: Club Homs (Salão Nobre)
Endereço: Avenida Paulista, 735 – Jardim Paulista – São Paulo/SP (próximo ao Metro Brigadeiro)
Entrada: R$ 5,00 (somente em dinheiro)

Redes sociais: ‪#‎popplus‬
Fanpage www.facebook.com/popplusBR
Instagram www.instagram.com/popplusBR
Twitter www.twitter.com/popplusBR
Tumblr http://popplusBR.tumblr.com

 

Todas as últimas vezes em que eu me programei para ir ao Pop Plus tive imprevistos e não consegui ir, vamos torcer para que nessa edição dê tudo certo, eu compareça e traga de lá um conteúdo bem bacana para vocês!

 

*imagens: reprodução

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As mais ouvidas

Comments (0) Máquina de escrever

Não é raro chegar aqui em casa e me encontrar no sofá lendo alguma bobagem enquanto rola uma playlist de músicas na Smart TV (melhor aquisição de todos os tempos!). Eu cresci ouvindo música com os meus pais e depois sozinha, no último volume, quando era adolescente e tinha a casa só para mim.

Eu não sou o tipo de pessoa que é louca por música, inclusive eu não manjo nada de música e mesmo com as redes sociais, posso demorar anos para descobrir um cantor ou um a banda que todo mundo já ouve e é fã.

music the royal tenenbaums

Além disso eu sou uma pessoa obsessiva-compulsiva e as vezes acabo ouvindo as mesmas músicas por meses, o que obviamente não contribui para que eu encontre sons novos.

Mesmo assim, sempre acabam aparecendo trilhas sonoras novas para minha vida, aquelas músicas que são tão marcantes que eu não vejo problema algum em ouvir no repeat!

E foi dessa forma que descobri essas pérolas:

Rubel é um artista carioca de voz suave e músicas carregadas de sentimentos. O álbum Pearl foi lançado em 2013, mas tem chamado bastante atenção desde que o clipe da música Quando bate aquela saudade, dirigido pelo próprio Rubel e lançado no ano passado, chegou a um milhão de views no YouTube, e foi justamente por essa música que eu me apaixonei!

O premiado cantor recifense, Johnny Hooker, ficou conhecido por sua participação em trilhas sonoras de novelas globais, mas já vem chamando atenção dentro da música nacional há algum tempo. Performático, mistura referências como  glam rock, o pop e o tropicalismo. A música que escolhi para colocar entre as mais ouvidas é de seu primeiro álbum, ‘Eu Vou Fazer uma Macumba pra Te Amarrar, Maldito!‘, e  está na trilha sonora do filme Tatuagem.

Val Donato é uma cantora paraibana quebra todos os padrões! Seu visual foge daquele conceito forçado de feminilidade (que já debati por aqui), além disso ela é assumidamente lésbica, algo extremamente relevante quando pensamos na questão da representatividade dentro do mercado nacional de música. Val é extremamente talentosa, algo que ela prova com seu primeiro álbum, ‘Café Amargo’, que é totalmente autoral. Foi nele que conheci a música “Para mim, você’, que descreve um amor tão completo e tal intenso que vai te fazer querer amar também.

O cantor Liniker tem feito cada vez mais sucesso, sua banda, seu talento e tudo o que ele representa tomaram conta da internet e agora enchem casas de show. Atualmente é possível encontrar várias de suas músicas online (ele tem EP e uma álbum lançados), mas quando o conheci não havia muito mais do que um punhado de vídeos no YouTube. Eu poderia escolher para essa lista qualquer um dos seus hits mais atuais, mas fiz a escolha óbvia e coloquei ‘Zero’ (de seu EP, Cru) aqui. O motivo é simples: Eu nunca esqueço de como me senti na primeira vez em que ouvi essa música.

Sou completamente apaixonada pela Ana Muller, essa menina poderia cantar a lista telefônica que soaria lindo,´é  difícil resistir a delicadeza de sua voz e de sua música. A cantora – de Vitória – ES – tem seu projeto musical atual descrito como algo descompromissado, introspectivo e experimental, características fáceis de perceber em suas músicas. Escolhi para essa lista a música que eu acho que mais ouvi desde que conheci seu trabalho.

 

Acreditem ou não, é totalmente por acaso que todas as músicas nesta lista são nacionais!

Agora me digam, o que vocês têm ouvido?

 

*imagem e vídeo: reprodução

 

 

 

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Não consigo parar de falar sobre isso

Comments (0) Gaveta de Calcinhas

Na última semana uma garota de 16 anos foi estuprada por 33 homens no Rio de Janeiro.

Fiquei sabendo na quarta-feira (25/05), quando um post foi compartilhado em um grupo, a notícia veio como um soco no estômago. Mais ainda porque, além dessas informações, li que foi feito um vídeo que expunha o corpo desacordado da vítima, e que além de tudo, mostrava sua vagina machucada e sangrando. Li também os comentários de quem compartilhou o vídeo no Twitter e o deboche diante de tamanha violência fez meu coração sangrar.

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Me prometi que jamais veria o vídeo, qualquer foto ou print relacionado. Apesar de muitos pensarem como eu (em evitar a exposição de uma mulher em tal situação), não demorou para que esse vídeo circulasse em outras redes e a vítima tivesse seu corpo nu, arrasado e humilhado, exposto para milhares de pessoas em todo o país.

Desde que li essa notícia não consegui pensar em nada além disso, não havia nada, nenhuma outra notícia que pudesse afastar de mim o misto de medo e preocupação que essa barbárie deixou.

Desde que li essa notícia não consigo parar de falar sobre isso, e não deveria.

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Não bastasse tanta violência, a vítima ainda vai ter que lidar com o julgamento de pessoas que buscam de alguma forma usar seu comportamento como justificativa para o ocorrido.

Se não usasse roupas curtas não, seria estuprada.
Se estivesse na igreja não seria, estuprada.
Se não fosse para a balada não seria, estuprada.

Trinta e três homens estupram uma jovem e é ela quem é julgada.

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A cada onze minutos uma mulher é estuprada no Brasil. Não precisa procurar muito entre as notícias para ver que mulheres de todas as idades são estupradas em casa, no trabalho, na igreja, ma escola, na rua ou no metrô. Não existe um local sem medo, não existe sensação plena de segurança.

É muita loucura ficar pensando em coisas que uma mulher deve fazer para evitar o estupro, nós temos que falar sobre o estuprador, temos que falar sobre como a mulher é objetificada, sobre como a cultura machista da sociedade em que vivemos permite que violências como essa sejam impunes.

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Olhe ao seu redor, pense em quantas mulheres você conhece que já sofreram algum tipo de assédio.
Quantas mais vão ter que sofrer para lutarmos contra
Quantas mais vão chorar sozinhas?Quantas mais vão ser ridicularizadas por não aceitar?

Sabe porque essa notícia te deixa mal? Porque a vítima poderia ser você, e esse medo nos une.

Uma foto publicada por O Cabide (@ocabide) em

Somos irmãs e devemos lutar juntas.

Somos nós que vamos mudar essa cultura, somos nós que vamos encontrar formas de nos proteger e somos nós, unidas, que vamos inundar a internet, a mídia, o ministério público, as festas de família, os happy hours, a mesa de boteco e até a fila do pão, com denúncias.

Se você achava o feminismo chato antes, se prepare, nós mal começamos.

*imagens: reprodução

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Corpos dançantes

Comments (0) Máquina de escrever

A companhia de dança Force Majeure quebrou todas as regras quando criou uma apresentação teatral “plus size”. Kate Champion, diretora da companhia, se uniu a artista e ativista, Kelli Jean Drinkwater, para criar a produção do espetáculo “Nothing to Lose”, cujo casting é composto por sete bailarinos gordos, 5 mulheres e dois homens.

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O espetáculo aconteceu em janeiro do ano passado, durante o Sidney Festival na Austrália, e continua dando o que falar. O objetivo da apresentação era  mudar a percepção dominante de como deve ser o corpo de dançarinos.

  • Nothing to lose
  • Nothing to lose
  • Nothing to lose
  • Nothing to lose
  • Nothing to lose

Como um todo, esse foi mais do que um espetáculo de dança contemporânea, foi um símbolo da representatividade, algo que as vezes pode parecer inexistente no mundo da dança. Foi um show de alto impacto visual para exaltar o corpo gordo e tudo o que ele é capaz de superar e fazer.

 

 

Acho que dentro dessa pauta também dá para falar um pouquinho sobre Whitney Way Thore, uma dançarina que está dentro de um contexto mais pop e sempre vale a pena ser mencionada quando falamos sobre gordos que amam dançar e são bons nisso.

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Depois que um vídeo seu dançando viralizou, Whitney ganhou voz para falar sobre as problemáticas da vida de uma mulher gorda em um programa de TV.

Além do seu próprio reality show, hoje ela é ativista e responsável pela campanha No Body Shame.

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Ela não começou sua carreira falando sobre aceitação, pelo contrário. Mas com o tempo ela tem se mostrado cada vez mais dedicada à luta contra a gordofobia, tem falado abertamente sobre como ser vítima de distúrbios alimentares impactou o modo como vê seu corpo e agora mostra uma ligação mais forte com o feminismo.

E por último, já que estamos falando e dançarinos gordos, nós não poderíamos finalizar esse post sem mostrar um dos vídeos mais bonitos que vi na minha timeline recentemente:

 

Deu vontade de sair dançando?

*imagens e vídeo: reprodução

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