BEDA #24 – Wishlist Fashion Nova Curve

Fashion Nova e a marca que explodiu no Instagram e já acumula quase 13 milhões de seguidores em seu pouco tempo de existência após campanhas e parcerias com nomes como Kylie Jenner, Kourtney Kardashian and Cardi B.

A velocidade com que a marca lança novos modelos desafio o fast fashion a ponta da mídia especializada criar uma nova categoria, o Ultrafast. E quando falo em velocidade nos lançamentos, não estou exagerando. A Fashion Nova chega a lançar CENTENAS de novos modelos por semana.

A varejista disse em entrevista recente para o BoF que trabalha com cerca de 1.000 fornecedores, a maioria deles localizados em Los Angeles e na China, que juntos confeccionam peças o suficiente para acompanhar o ritmo histérico das novidades.

Ainda que suas peças não sejam exatamente orginais, se tornam rapidamente eu objeto de desejo, afinal quando se trata de marketing a marca não brinca em serviço e tem um exército de influencerss, identificáveis pela hashtag #NovaBabe, que divulgam incansavelmente seus looks com peças da marca.

Quando eu digo que as peças não são originais é porque boa parte dos designs são dupes de outras marcas. Um bom exemplo tanto da velocidade dos lançamentos, quanto da falta de originalidade é a coleção cápsula inspirada nos looks que Kylie Jenner usou em seu aniversário de 21 anos, que foi anunciada menos de 48h depois da festa.

Eu estou de olho na Fashion Nova faz tempo porque eles têm uma seção plus size (Fashion Nova Curve) com MUITA variedade e que oferece inclusive lingerie e roupas de banho. E faz com seja possível que tendências de alta moda e streetstyle estivessem disponíveis para mulheres gordas do mundo todo.

A grade de tamanhos precisa muito melhorar, mas em algumas peças os tecidos e modelagens são versáteis o suficiente para que mulheres que vestem tamanhos maiores que o 3X (que é o maior tamanho da marca) usar as peças. Dá uma olhada:

Casey Snow | @discoveringcasey
Ashleigh Shackelford | @ashleighthelion
Simone Mariposa | @simonemariposa

Como comprar?

Sempre existem dúvidas sobre como comprar roupas plus size em um site internacional, então achei que um passo a passo seria útil para vocês:

Antes de comprar confira a tabela de tamanhos. Assim você já colocará no carrinho peças que sabe que vai poder comprar. A tabela de tamanhos plus esta abaixo da tabela regular na página Size Guide (que se encontra no rodapé da página principal).

Não se esqueçam que as medidas estão em polegadas e você terá que converter para centímetros. Cada polegada equivale a 2,54 centímetros (você pode calcular AQUI).

No Size Guide também podemos ver algumas considerações da marca sobre os tecidos, traduzi as que são relevantes para a compra:

  • Em geral as modelos da Fashion Nova estão usando tops e vestido no tamanho small e o jeans pode variar entre os tamanhos 1,3 e 5, dependendo do biotipo. Não existe nenhum padrão de tamanho para as modelos plus size.
  • A maior parte dos jeans e vestidos da marca possuem uma grande quantidade de elastano. Você pode ver os detalhes dos tecidos na descrição de cada peça.
  • Quando iniciar a navegação no site fique ligada nos pop ups, eles sempre oferecem códigos que dão de 10 a 20% de desconto.

No menu à esquerda da página você selecionará a opção Plus Size & Curve e aparecerá ums lista dos tipos de peças (vestido, saia, jeans, etc).

Agora que você já sabe o seu tamanho coloque as peças selecionadas na sacola (clique em add to bag).

Clique na sacola (canto direto da tela), lá já vão aparecer algumas opções de pagamento, dentre elas está o PayPal, que já uso há muitos anos e considero extremamente seguro para compras internacionais.

Ou você pode clicar diretamente em checkout. Preencha cuidadosamente os seus dados e escolha o tipo de shipping (frete) que você quer.

O frete internacional custa 15$, se a compra ultrapassar 150$ ele será gratuito.

Se tiver cupom de desconto clique no campo “Have a discount code? Click here to enter it”.

A Fashion Nova aceita devoluções. (SAIBA MAIS)

SE EU NÃO TIVESSE TANTO BOLETO PARA PAGAR (ser adulto é triste), ESSAS SERIAM AS PEÇAS QUE EU COMPRARIA AGORA:

Freshest On The Block Set

$39,99
R$164,17

In Between Moods ColorBlock Dress

$29,99
R$123,10

Out Of This Nova Jumpsuit

$59,99
R$246,26

Evalyn Metallic Windbreaker

$34,99
R$143,26

Over The Rainbow Skinny Jeans – Light Blue Wash

$29,99
R$123,10

Brighten My Way Jacket

$47,99
R$196,99

BEDA #23 – O que as principais publicações sobre moda e comportamento tem a dizer sobre “plus size”

Fiz uma pesquisa recentemente e percebi que as principais publicações especializadas em moda ou comportamento continuam negligenciando o plus size.

Esses são alguns exemplos do que temos encontrado sobre o assunto nos sites de tais publicações:

Vogue

Aparentemente a Vogue acredita que o universo plus size se resume a modelos famosas no Instagram, principalmente Tabria Majors e Ashley Graham.

Clique nas setas ou nas imagens para navegar na galeria:

Chic

A busca do site não aponta para resultados especificamente sobre plus size. Dentre as notícias presentes a grande maioria é do período entre 2010 e 2012, quando o Chic parece ver o segmento com mais seriedade. O passado do site é cheio de escorregões, principalmente nas varias vezes em que classificou como plus size notícias sobre perda de peso.

É engraçado que justamente neste momento em que vivemos, uma publicação desse porte escolha não falar sobre moda de forma mais diversa.

Clique nas setas ou nas imagens para navegar na galeria:

Marie Claire

A Marie Claire parece mais disposta a falar sobre moda com diversidade, sem mostrar o plus size de forma caricata. Ainda assim todas as notícias mais recentes da publicação são relacionadas à modelos, principalmente Ashley Graham (quelle surprise!).

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Glamour

Apesar de ter passado por alguns deslizes, a Glamour é a única revista dessa lista que trata as pautas do segmento plus size com a mesma seriedade que qualquer uma de suas editorias.

Clique nas setas ou nas imagens para navegar na galeria:

A conclusão que tiro dessa pesquisa é que nós, os gordos, precisamos ocupar mais espaço dentro do jornalismo de moda. Eu sei que a ideia de ser modelo plus size é tentadora, mas nós precisamos mais do que nunca de jornalistas, conteudistas, editores, diagramadores, designers e fotógrafos gordos, para assim termos a chance de aparecer em publicações especializadas de forma que não seja como um token de diversidade.

BEDA #22 – Noventismo para gordas

Mesmo que você não seja a pessoa mais ligada em tendências de moda, deve saber que estamos vivendo uma onda de estilo inspirado nos anos 1990.

E o revival não para por aí, também temos buscado filmes e séries da época, o que acabou despertando uma grande curiosidade sobre as celebridades vestiram nessa década.

Foi assim que encontrei o perfil @90sanxiety no Instagram, que tem causado comoção entre os editores de moda do mundo todo.

A curadoria é impecável e inclui imagens que mostram bem a estética da década. Porém não há imagens de pessoas fora do padrão. Parece até que na década de 1990 não haviam pessoas com deficiência ou pessoas gordas.

Então eu decidi me inspirar pelos estilos que o perfil mostra e encontrar referências de pessoas fora do padrão arrasando com elas!

Cher Horowitz

Camiseta empoderada

Underwear Calvin Klein

Animal print

Mom jeans

Listras

Vinil

#BEDA21 – Mulheres barbadas

Mulheres cisgêneros estão exibindo sua barbas para ajudar a mudar os estigmas contra mulheres que sofrem de distúrbios hormonais e são vitimas de padrões de beleza que nem aomenos reconhecem sua existência.

O excesso de pelos que cresce no corpo de pessoas do sexo feminino é chamado de hirsutismo. De acordo com a Sociedade Brasileira de Dermatologia, essa é uma condição rara que pode acometer mulheres durante seus anos fertéis e após o aparecimento da menopausa. Mudanças hormonais, infertilidade, acne e irregularidade menstrual estão associados ao hirsutismo.

Uma mulher com barba é visto como algo extremamente anormal em nossa sociedade, mas a verdade é que pelo facial feminino é comum, principalmente em pacientes de Síndrome do Ovário Policístico (entre 5 a 10% das mulheres com ovários policísticos lidam de alguma forma com hirsutismo).

Hoje trago uma galeria de fotos com mulheres belíssimas que exibem suas barbas com orgulho:

Little Bear Schwarz

www.instagram.com/thisislittlebear
(Já falei dela no post “Burlesco fora do padrão”)

Harnaam Kaur

www.instagram.com/harnaamkaur

Nova

www.instagram.com/novafuzzcheeks

BEDA #20 – Linha do tempo: Nicolismos since 1985

Eu sempre ouvi meus pais dizerem que eu fui fruto de uma gestação planejada em todos os detalhes, a última tentativa para que meu pai realizasse o sonho de ter uma menina.

Ultrassom | 23/07/1985

Mesmo assim minha mãe passou nove meses tendo a certeza de que eu era um menino e escolheu para mim o nome Nicolas. Ela soube que na verdade estava grávida de uma menina quando entrou na sala de parto, que a parteira tinha enfeitado de cor de rosa e escolhido a música F comme femme, de Salvatore Adamo, para tocar.

No dia da estreia! | 20/08/1985

Já cheguei ao mundo virando a vida de todos ao avesso, eu era delicada, mas era bruta. Era introvertida, mas o centros das atenções.

Quem gostou bate palma, quem não gostou, paciência! | 1986

Existe uma forma muito fácil de descrever o relacionamento que tenho com meus avós maternos: eu tenho 33 anos e uma vez por mês eles me mandam um pacote de bisnaguinhas e/ou dinheiro para comprar chocolate.

Menininha da vovó | 1986

2018 foi um ano que me fez entender ainda mais que a vida é algo que nunca temos sob controle. Ainda não consigo acreditar que você não está mais aqui. Te amo para sempre, Mari.

Prima/Irmã – 1989

Eu sempre falo da minha relação com a moda e isso se dá porque de certa forma ela sempre existiu. Eu sempre escolhi minhas roupas e fazia questão de estar presente em todas as compras. Eu não vestia nada que não tivesse escolhido.

Um amor chamado roupa nova | 1989
Bem Barbiezinha | 1991

E foi a moda que me fez querer conhecer outros mundos. Experimentei todos os estilos possíveis, mas a fase mais marcante foi a fase clubber. E eu acho que é com ela que  eu mais me identifico até hoje. Eu amava mudar a cor do cabelo, fazer piercings espontaneamente e dançar noites e dias inteiros em festas abarrotadas no meio do nada.

Comemorando o aniversário de 16 anos dançando durante um set do Rica Amaral, em Piracicaba. | 2001

Não fui a pessoa mais sociável durante o colégio, porém tive a sorte de viver essa fase rodeada por pessoas maravilhosas e mesmo que meu mundo  estivesse prestes a desabar, me diverti muito nessa época.

Novinha saliente | 2002

Depois do colégio a depressão passou a fazer parte do meu cotidiano, me afastei dos amigos, saí do estágio e fiquei bastante tempo perdida.

Toda trabalhada no barroco: exagerada, dramática e cheia de contrastes emocionais | 2003

Eu descobri a publicidade justamente quando fazia meu primeiro estágio e depois tive a oportunidade de acompanhar de perto o trabalho de um primo que tinha sua própria  agência. Decidi sair dessa fase de escuridão prestando vestibular para publicidade e propaganda na Universidade Metodista de São Paulo. Eu teria pela frente dois anos de muita luz (Eu disse luz? Na verdade foi muita pinga!).

Me descobrindo | 2003
Garota do Fotolog | 2004
Dias e noites regados a chapador (só os fortes entenderão)| 2004

Depois dessa fase de loucura e autodescoberta, decidi investir em algo que eu achei que sempre estaria fora do meu alcance: estudar moda. Se eu tivesse que escolher, escolheria a moda de novo. Eu amei minha faculdade, mesmo que tenha vivido essa fase em paralelo com varias relações tóxicas.

Até hoje não lembro porque descolori o cabelo nessa época | 2006
Varios tratamentos que não davam certo e varias amizades que eu deveria ter dispensado | 2009

O fim da faculdade foi um grande recomeço para mim. Eu estava solteira, conhecendo pessoas novas e curtindo mais a vida. Eu tive muitas crises de depressão durante a faculdade e consegui ficar bem por varios meses depois que me formei, quando fiquei ruim de novo conheci o médico que me daria o diagnóstico do Transtorno Bipolar e me daria esperanças de que essa era uma batalha que eu podia vencer.

Na exposição do meu tcc com a minha diva | 2009
Me preparando para a formatura | 2009

Eu teria muitos empregos diferentes nos anos seguintes, uns muito bons, outros muito ruins, e essa também foi a época em que O Cabide nasceu.

Com Costanza Pascolato no Fashion Mob | 2010
Avaliadora na banca de conclusão do curso Design de Moda – Belas Artes | 2010
Em entrevista para o programa Estilo de vida com Bebel Ferreira – Mulheres reais – a moda plus size | 18/04/2011
Evento da Shoestock | 2012

Passei os anos seguintes freelando, trabalhei um tempo para uma assessoria de imprensa, mas precisei me afastar para cuidar da saúde, nessa época eu iniciaria o tratamento que faço até hoje e foi a fase em que eu mais vi a minha vida mudar.

A molécula da serotonina | 2012
E agora, José? | 2014

Entre 2014 e 2015 vivi mais uma vez um recomeço, estava me preparando para iniciar uma nova jornada, começar tudo de novo em outro país e tudo o que fiz durante esses meses foi com foco nisso. Mas eu estava prestes a viver algo que jamais imaginei antes.

A fase de redescoberta trouxe amor pelo meu corpo, aceitação com a minha condição e uma vontade imensa de testar meus limites | 2015
Careca e com a Chanelzinha, a foto que foi para no Buzzfeed | 2015

No dia 11 de novembro saí para fazer uma entrega do meu brechó, geralmente era meu pai quem fazia isso, estávamos trabalhando juntos nessa época. Mas aquele dia estava insuportavelmente quente e meu pediu que eu fosse em seu lugar pois não estava se sentindo bem. Quarenta minutos depois,  cheguei em casa e encontrei meu pai sem vida em seu quarto.

Pôpai | a foto dele é de 1985 a minha é de 2014

Depois da morte do meu pai decidi ficar no Brasil ao lado da minha mãe e viver mais esse recomeço aqui. Fiquei desempregada por bastante tempo e minha situação financeira ficou bem complicada. Mas em 2016 comecei um trabalho que mudaria tudo e me traria para a fase que estou vivendo hoje.

Estudando moda mais uma vez, agora na ETEC | 2016
Eu e a Flávia Durante no primeiro Pop Plus em que estive a trabalho | dez/2016
Primeiro editorial com a Thaysa Wandeur | 2017

Depois de superar um momento tão difícil e de ver o meu trabalho crescer tanto e ser tão valorizado, passei a ter um orgulho de mim que nunca tive antes. E isso me permitiu ser cada vez mais quem eu sou, sem precisar de recomeços.

Um mulherão desses, bicho! | 2017
Pretty in pink | 2018
Neon lights | 2018

Estou na melhor fase da minha vida e mesmo em um ano horrível como esse, nunca me esqueço disso.