Eu, mulher, e a representação na mídia

Na última sexta feira (07/10) fui surpreendida por um convite maravilhoso para participar do debate “Eu, mulher e a representação na mídia” do evento Artemicine, promovido pela ONG Artemis.

Fiquei super empolgada, não só por ter acompanhado o trabalho incrível da Artemis na campanha #tambéméviolência, feita em parceria com a marca de cosméticos Lush, mas porque eu realmente acredito que são em espaços como esse que surgem ideias que nos ajudam a transformar o mundo para mulheres em todos os tipos de condições, inclusive nós, que somos gordas.

Antes de falar sobre tudo o que rolou por lá, quero falar um pouco sobre o Artemicine, que ainda rola até o dia 13/10.

Trata-se da 1ª mostra de cinema da Artemis, onde seis dias de exibição de filmes, curtas e séries são combinados com diálogos que abordam temas que absolutamente devem ser debatidos à exaustão sobre as violências as quais somos submetidas diariamente simplesmente por sermos mulheres.

A mostra começou no dia de 01/10 e até agora a programação contou com:

  • Eu, mulher, e os novos rumos – 01/10

Com a presença de Fernanda Correia e Madalena Menezes do coletivo Nós, Madalenas; Marcella Datri, Ana Cavalcanti, Laís Teixeira e Gabi Santana da Equipe do curta Ser (HUMANO) e Rosana Urbes, ilustradora e animadora da RP Animation Films. Com mediação de Joyce Pais, jornalista e editora chefe do portal Cinemascope.

E a exibição de 3 minutos, Ser (HUMANO),  Guida e Mucamas.

No Cine Segall.

  • Eu, mulher, e do que tive que abrir mão (ou Eu, Mulher, e o que tive que conquistar) – 04/10

Com a presença de Gabriela Cunha Ferraz, advogada e mestre em Direitos Humanos; Maria Ileana Faguaga Iglesias, afrocubana, afrofeminista, ativista, antropóloga, historiadora, jornalista e pesquisadora; Ane Sarinara da Coletiva Luana Barbosa, professora e idealizadora do projeto Twerk de Minas e Giselle Cristina dos Santos do Instituto Locomotiva, do Coletivo Acampamento de feminisno interseccional e da organização da festa Don’t Touch My Hair. Com mediação de Angélica Kalil, roteirista e diretora do canal “Você é feminista e não sabe”.

E a exibição de Projeto de vidas refugiadas e Pariah.

No Cinusp Paulo Emílio

  • Eu, mulher, e a violência sexual – 06/10

Com a presença de Giovana Zimermann, artista visual. cineasta e pesquisadora e coordenação de Catharina Strobel, editora e produtora em Strada Filmes e ativista pelo direito das mulheres na Artemis.

E a exibição de BranCURA e Brave Miss Wolrd.

No Instituto Criar de TV, Cinema e Novas Mídias.

 

E assim chegamos ao evento em que participei no sábado (08/10), como vocês já viram também contou com a presença de Lívia Perez, da produtora Doctela; Carmen Lúcia Brandão Zafalon, psicanalista e psicológa hospitalar e com a mediação de Shimenny Moura dos Santos, que é diretora Administrativo Financeira da Artemis.

Primeiro tivemos a exibição do curta “Quem matou Eloá?”, que mostra o impacto que a cobertura da mídia teve no assassinato de uma menina de quinze anos, após ser mantida em cárcere privado por seu ex-namorado durante 100 horas.

Para mim o curta foi um soco no estômago! Eu sou de Santo André, cidade onde aconteceu o assassinato, e acompanhei com bastante intensidade toda a cobertura sensacionalista e perigosa feita pela imprensa durante o sequestro. Mas nunca tinha percebido o quanto eles haviam feito com que Eloá, a vítima que ficou presa e apanhou durante quatro dias, fosse completamente invisível e irrelevante. Toda a cobertura foi voltada para dizer que Lindemberg, o assassino, era um cara legal e que tudo aquilo não passava de uma crise amorosa.

Eloá morreu sem ninguém mencionar quanta resiliência essa menina teve para se recusar a voltar com o namorado. E que mesmo com uma arma apontada para si, resistiu a violência com uma força que poderia servir como exemplo, mas que jamais foi reconhecida.

Foi ela quem morreu, mas a única história que foi contada, foi a de Lindemberg.

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Na sequência assistimos aos 2 primeiros episódios da série My Mad Fat Diary, ambientada na década 1990 e que conta a história de Rae Earl, uma adolescente gorda que luta para se encaixar e lidar com as questões da adolescência após sair de um hospital psiquiátrico onde tratava um transtorno alimentar.

Essa série é extremamente importante dentro de um diálogo que fala sobre representação, até porque é nela que vimos algo raríssimo na tv e no cinema: uma protagonista gorda, que lida com questões reais relacionadas a autoimagem, sem humor apelativo, sem eufemismos, sem condescendência.

*Fotos do Snapchat: ocabide

Começamos o debate traçando um paralelo entre a violência cometida pela imprensa que ignorou quem era Eloá e a mídia que viabiliza a gordofobia diariamente com chamadas apelativas, patologização e perpetuação de padrões.

Questionamos e problematizamos o papel da mídia dentro de uma cultura que faz com as mulheres que são vítimas de todo tipo de violência sofram com o silenciamento e o apagamento não só na forma como essa violência é cometida, mas como ela é retratada.

Falamos sobre a importância do fim da rivalidade feminina e sobre a importância da empatia entre mulheres, pois acreditamos que esse seja um passo importantíssimo para ocuparmos os espaços que nos foram tomados. Juntas podemos muito mais!

*Fotos do Snapchat: ocabide

E quando falamos sobre como enfrentar a gordofobia, falamos sobre autoestima, acessibilidade, saúde mental, mercado de trabalho, de onde surgiram os padrões estéticos que nos são impostos hoje, sobre o impacto do movimento de blogueiras e vlogueiras na vida das mulheres que acompanham esse trabalho e usam esse tipo de conteúdo como apoio em seus próprios processos de aceitação.

Por fim falamos sobre representatividade além do mercado da moda e sobre a importância de nos reapropriarmos dos nossos corpos e de nossas histórias, afinal esse é um dos caminhos para derrubar esse preconceito.

 

Fiquei muito feliz por ter estado presente para esse bate papo, experiências assim fazem a gente crescer, alimentam e transformam em incêndio aquela faísca que nos faz brigar todos os dias por um mundo mais justo para mulheres.

*Imagens: reprodução

Flávia Durante, organizadora do Pop Plus, fala sobre a evolução do mercado de moda plus size

Recentemente tive uma experiência ruim com uma Fast Fashion. Fascinada pela possibilidade de ter acesso imediato a roupas do meu tamanho, investi em algumas peças que acabaram apresentando defeitos com menos de um mês de uso.

A experiência que mulheres gordas tem com a moda geralmente são assim, ruins. Sofremos com a falta de opções, com a falta de qualidade, com a falta de modelagem e acabamentos adequados, com preços abusivos e com a ausência de tamanhos grandes em lojas físicas.

Felizmente temos iniciativas como o Pop Plus, um evento de moda plus size que reúne marcas diversas e nos oferece a possibilidade de conhecer de perto os produtos que geralmente só temos disponíveis online.

Nenhum texto alternativo automático disponível.

Eu já falei sobre o Pop Plus em outros posts (aqui e lá no Instagram), acompanhei sua evolução e desde as últimas edições venho percebendo o esforço da Flávia Durante, criadora e organizadora do evento, para tornar o Pop Plus em algo mais completo e inclusivo.

Tive a oportunidade de conversar com a Flávia sobre a situação atual do mercado de moda plus size no Brasil. O resultado foi um papo super válido tanto para quem consome moda plus size, quanto para quem a cria. Confira:

Na sua opinião, por que as grandes marcas hesitam tanto em aumentar suas grades de tamanho?

Flávia Durante: Pois a imagem da pessoa gorda é a de uma pessoa preguiçosa, doente, fracassada e ninguém gostaria de ligar sua marca a isso. Somos ativas, trabalhadoras, criativas, bem informadas como qualquer outra mulher e queremos consumir moda de qualidade. Por isso são importantes os movimentos que mostrem que essas imagens não condizem com a realidade.

Como as marcas desse segmento podem inovar em seus produtos?

FD: Sendo diversas e inclusivas de fato. Muitas marcas acham que fazer roupa até o tamanho 52 já é ser plus size, mas as mulheres que vestem acima do 54 ainda precisam ser incluídas. Ou seja, é a exclusão em cima da exclusão. Moda é identidade cultural e dignidade, afinal sem roupas as pessoas não conseguem nem sair de casa, quanto mais conseguir um trabalho ou se divertir. Não tem nada a ver com apologia a obesidade!

Você tem visto mudanças positivas nesse mercado?

FD: Já fui mais otimista. A cada gafe nas campanhas e novas linhas das grandes redes confesso que bate um desânimo. As mudanças de fato têm vindo das pequenas empresas e não das grandes marcas que sabem ouvir e acompanhar as mudanças de seu público. Antes realmente as próprias gordas estranhavam ver gente como elas nas campanhas mas isso virou passado. A nova geração quer representatividade real.

Marisa, Pernambucanas e Levi’s têm coleções mais amplas, mas ainda falta colocar as modelos plus size nas vitrines das flagship stores.

Quais conselhos você daria para quem deseja lançar sua própria marca plus size?

FD: OUVIR o público! Pensar na identidade visual e na comunicação da marca. E enxergar também o público masculino. Outra coisa que falta muito são calçados. Falta uma marca de calçados realmente especializada no público plus size. O problema não é o tamanho dos calçados e sim a largura!

O Pop Plus se transformou em uma referência para eventos de moda plus size, tenho certeza que você deve ter vários planos para o futuro. Pode compartilhar algum deles conosco?

FD: O Pop Plus começou como um simples mercado de moda mas virou muito mais do que isso. Acabou tomando forma de uma feira de moda e cultura plus size com todas as atrações artísticas e bate-papos com temas pertinentes ao público plus size. Mas não vamos ficar só nisso! A ideia entre eles é fazer ações como a #OcupaçãoPopPlus e workshops de dança, expressão corporal, além da criação de um banco de indicações de empregos pois muitas pessoas gordas são discriminadas em seleções de emprego. O Pop Plus quer empoderar a mulher gorda através da moda, das discussões, da arte e do mercado de trabalho.

Sobre a próxima edição do Pop Plus:
Onde: Club Homs, Av. Paulista, 735 (Metrô Brigadeiro)
Quando: Dias 17 e 18/09, sábado e domingo, das 11h às 21h.
Quanto: ENTRADA GRATUITA!

 

Mais de 50 expositores, moda de diversos estilos, faixas de preço e manequins do 46 ao 62 (ou mais). E ainda: Brechó de Blogueiras, desfile, atrações artísticas e bate-papos. Não perca!

 

Perguntei para a Flávia se ela tinha alguma dica para quem deseja aproveitar ao máximo o evento e ela disse para reservarmos pelo menos duas horas para garimpo pois, além dos lançamentos muitas marcas vão fazer ofertas especiais para o evento!

 

Veja mais dicas AQUI!

 

Obrigada pela entrevista, Flávia!

 

Estarei no Pop Plus amanhã a tarde, se você estiver por lá, me procure!

 

*imagens: reprodução

#São Paulo | Modelagem, Estilo e Produção | Giselle Nasser

A estilista Giselle Nasser abriu vagas nas áreas de modelagem, estilo e produção em seu ateliê, Nouveau, especializado em em noivas e moda festa.

As vagas foram publicadas no perfil da própria Giselle:

giselle-nasser-vaga-oportunidade-moda-ocabide

A estilista está no mercado da moda há 16 anos, tendo desfilado coleções na SPFW. Seu ateliê, que existe desde 2013, é localizado em São Paulo, no bairro Perdizes, e conta com uma coleção fixa, bem como faz vestidos sob medida.

 

Conheça seu trabalho: www.nouveau.net.br

 

Boa sorte!

 

*imagens: reprodução

#SãoPaulo | Estágio | Lilian Pacce

O site Lilian Pacce, um dos principais no segmento de moda no país, abriu vaga parar estágio.

Quem divulgou a vaga foi Jorge Wakabara, editor do site:

“Adivinha só…
Tem uma vaga de estágio nova no site da Lilian!
É de 6 horas por dia + um plantãozinho que você faz de casa, bem sossegado, mais ou menos uma vez por mês no revezamento.

<3 Se você: . For legal; . Morar em SP-capital; . Estiver na graduação (1º ou 2º ano, preferência pra moda ou jornalismo); . Estiver com muita vontade de trabalhar e aprender; . Escrever bem; . Tiver um inglês bom; . Tiver pró-atividade e pegada pra fazer de tudo, desde filmar um vídeo até fazer café; . Souber os programas básicos de computador + Photoshop; . Tiver interesse não só em moda mas também na área de beleza; . Gostar de internet e da rapidez dela... Mande seu CV pra jorge@lilianpacce.com.br! Apreciaremos se, além de tudo isso, você: . Tiver noções de edição de vídeo e . Tiver redes sociais ativas e badaladíssimas." Que oportunidade incrível, aproveitem! Boa sorte ❤️

#São Paulo | Assistente de Estilo | Güle Güle

Marca de casual wear, localizada no Bom Retiro, em São Paulo, busca assistente de estilo.

gulegule.com.br

Requisitos:

“Estamos a procura de uma assistente de estilo com experiência, formada em moda para a marca de atacado (moda feminina minimalista/urbana). Buscamos alguém que seja criativa, proativa, se identifique com a identidade da marca.”

Enviar currículo com o assunto “Vaga Assistente de Estilo”, para: estermi@usegule.com

 

Boa sorte!

*imagens: reprodução