Tá barato?

A economia em outros países começa a ficar cada vez mais preocupante, e isso nos afeta de várias maneiras.

No entanto, o Brasil tem encontrado alguns benefícios na queda do poder aquisitivo europeu e americano. Isso porque temos recebido cada vez mais artistas internacionais para shows e até para publicidade, franquias desembarcam no país e cada vez mais nos vemos consumindo produtos que antes só adquiríamos durante viagens.

M.A.C

A M.A.C. já está aqui no Brasil há algum tempo, desde 2002, vendida em multimarcas e em lojas oficiais. Agora também temos a Sephora, e com isso várias outras marcas que não eram vendidas por aqui se tornarão disponíveis.

Isso tudo é ótimo, nós queríamos consumir esses produtos, é bom que as marcas estejam de olho no nosso mercado.

Infelizmente, como já era de se esperar, os preços desses produtos que tanto amamos só sobem, e fica cada vez mais interessante viajar para fazer umas comprinhas, afinal, nosso poder aquisitivo mudou, mas não somos bobos, já percebemos que ter alguns desses produtos aqui vale menos a pena a cada dia que passa.

Algumas marcas já perceberam isso, a já fencionada M.A.C por exemplo, baixou os preços dos seus produtos, essa semana, afirmando que o objetivo era se tornar mais competitiva.

Os batons que amamos tanto baixaram R$13, os desejados Ruby Woo e Russian Red agora custam R$66, antes custavam R$79.

Pois bem, a queda de preço é ótima, mas como eu disse, não somos bobos. Quando eu comecei a comprar M.A.C pagava R$69 nos batons. Essa queda de preços que a marca apresentou essa semana não chega a ser necessariamente vantajosa.

M.A.C

A Folha fez a seguinte comparação: “O preço não soa tão absurdo se postos ao lado dos R$43 cobrados pela nacional Contém 1g, ou dos R$59 pedidos pela L’Oreal, e R$47,90, pela Revlon. Os dois últimos marcas importadas que estão há mais tempo no Brasil.”

Eu vejo assim, a M.A.C baixou os preços, e isso é ótimo, mas a marca não está fazendo um favor a ninguém, se fossemos considerar o preço dos produtos quando a marca chegou no país, há pouco mais de uma década, dava para ficar um pouquinho mais barato, e isso pouco depende do preço das concorrentes.

Eu fui lá no site da M.A.C eu vi o valor do batom e fiz umas contas, bem rasas, afinal não manjo do assunto:

No site da própria M.A.C os batons custam $15. No dia em que escrevi esse post o dólar fechou a $2,59, somando o ICMS (com todos os impostos que estão em seu cálculo de base) o batom custaria mais ou menos R$54, 96!

Então fica aquela interrogação, por que o preço do produto importado é tão alto no Brasil? A ideia desse post era questionar a marca, questionar os preços, questionar o produto e tudo mais!

M.A.C

O final desse post já estava escrito, deletei uns 3 parágrafos e mudei tudo. Por que eu falei do ICMS com um embasamento muito raso, então achei que era melhor dar mais uma pesquisada e dar a informação completa para vocês.

Acabei pesquisando sobre impostos como um todo, e o resultado é que, é verdade, os produtos da M.A.C são muito caros, muito mais do que deveriam ser, mas a quantidade de impostos que uma empresa paga para distribuir seus produtos por aqui é surreal, vários impostos são pagos duas vezes, um em cima do outro, num cálculo absurdo (chamado tributação em cascata)!

O Brasil precisa proteger a indústria nacional? Com certeza.

Mas isso deveria ser inconstitucional!

Se o caminho certo fosse dificultar a entrada dos produtos tornando-os mais caros, o consumo de importados diminuiria, e não aumentaria. E aí, me diga? Para onde é que essa grana vai?

Para entender meu raciocínio recomendo ler:

País bate recorde em importação de cosméticos

Destrinchando a tributação de produtos importados

Impostos deixam a “beleza feminina” 51% mais cara

Sephora estreia no Brasil

*imagens: reprodução

Fundadora e editora do O Cabide, formada em moda, fotógrafa iniciante, apaixonada por figurinos e história da moda. Futura jetsetter, feminista, gayzista, abortista, gorda, patrona do amor próprio e entusiasta da maquiagem para beleza e para a arte.

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