George Hoyningen-Huene

Quem acompanha a página do O Cabide no Facebook deve ter percebido (e se encantado) com fotos vintage de catálogos e anúncios de moda, e ainda estrelas e divas do cinema. As fotos são incríveis, esse é mais um conteúdo que eu estou tendo o maior prazer em pesquisar. Como tudo que se trata de imagens, algumas chamam mais atenção do que as outras, seja pela luz, pelas cores, pelas sombras ou até pela composição do cenário, é raro ver fotos feitas com maestria e cheia de efeitos sem os recursos que temos hoje em dia.

Nessa semana postei uma imagem tão maravilhosa que seria impossível não ter curiosidade sobre quem a fez.

Descobri entre os grandes nomes da fotografia no início do século passado, como Man Ray e Richard Avedon, o trabalho de George Hoyningen-Huene.

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George Hoyningen-Huene

Nascido em São Petersburgo, quando criança passava as férias na propriedade da família na Estônia, jantava com a corte russa e observava como sua mãe e irmãs se vestiam de forma elaborada entre um baile e outro. Não ia bem na escola, então buscava refúgio em livros de arte e em visitas ao Hermitage, onde o curador o tomou como pupilo e o ensinou sobre a história da Grécia e de Roma.

Depois da Revolução de Outubro, George deixou de viver uma vida privilegiada, como muitos dos refugiados que foram parar em Paris ele começou a trabalhar em empregos peculiares, foi tradutor, garçom em uma loja de chás e inspetor de gravatas. Como ele possuía um smoking, uma das poucas coisas que conseguiu levar da Rússia, acabou conseguindo emprego em um cinema.

A experiência o ensinou a iluminar a plateia e os cenários, e o deixou fascinado por filmes e por fotografia, tanto que no futuro viria a ter uma segunda carreira como consultor de cores em Hollywood.

1935

Atraído pelos salários do trabalho de ilustradores de moda como Georges Lepape e Eduardo Benito, Hoyningen-Huene começou a desenhar roupas para a costureira de sua irmã. Em pouco tempo já fazia cópias de looks inteiros usados em clubes noturnos e corridas, para que fábricas pudessem reproduzir.

Junto a Man Ray, seu amigo, montou um portfólio de imagens das mulheres mais bonitas de Paris. O editor de moda da Vogue francesa na época, percebeu o trabalho de Hoyningen-Huene e o instalou em um estúdio para preparar e criar cenários para sessões fotográficas. A oportunidade não foi desperdiçada, como iniciante George fez de tudo para aprender e logo foi promovido a fotógrafo principal.

Seguindo a linha de Edward Steichen, fotógrafo da Vogue e da Vanity Fair, começou a usar uma luz mais realista para fotografar as modelos. Na época os fotógrafos ficavam limitados a tecnologia das câmeras que exigiam muitas manobras e longas exposições.

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Fotografia de George Hoyningen-Huene para Vogue, 1933

Toda vez que uma modelo posava, parecia que ela estava posando para um retrato, essa não era a melhor forma de retratar uma mulher estilosa na época, mas Hoyningen-Huene havia estudado acrobacia, ele entendia a dinâmica do movimento, conseguia posicionar as modelos justamente naquele momento de transição em que um gesto se transforma em outro.

Seu trabalho para Vogue é caracterizado por essa sensação de movimentos restritos, modelos que posaram para ele, como Lisa Fonssagrives, descreviam esse movimento como dançar parada.

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A modelo Lisa Fonssagrives fotografada por George Hoyningen-Huene para Harper’s Bazaar

Uma outra figura lendária da fotografia que passou pela trajetória de Hoyningen-Huene foi Horst P. Horst. Eles se conheceram em um café de Paris em 1930, quando Horst ainda era um aprendiz do arquiteto Le Corbusier, do movimento Bauhaus. Os dois passaram tanto tempo juntos que Horst largou seu emprego e começa a trabalhar como modelo e assistente de Hoyningen-Huene, além de morarem juntos.

Quatro anos após se conhecerem, Hoyningen-Huene abandona a Vogue francesa e se muda para Nova Iorque como empregado da Harper’s Bazaar, Horst assume seu lugar.

George Hoyningen-Huene foi um fotógrafo com olhar incomparável, instinto unicamente chique e elegância verdadeira. Liderou um período de criatividade sem igual para a moda e para a arte em Paris.

Confira algumas imagens criadas por George Hoyningen-Huene, e vejam o porquê de seu trabalho ser tão especialmente distinto e tão inovador:

*imagens: reprodução

Fundadora e editora do O Cabide, formada em moda, fotógrafa iniciante, apaixonada por figurinos e história da moda. Futura jetsetter, feminista, gayzista, abortista, gorda, patrona do amor próprio e entusiasta da maquiagem para beleza e para a arte.

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