Flávia Durante, organizadora do Pop Plus, fala sobre a evolução do mercado de moda plus size

Recentemente tive uma experiência ruim com uma Fast Fashion. Fascinada pela possibilidade de ter acesso imediato a roupas do meu tamanho, investi em algumas peças que acabaram apresentando defeitos com menos de um mês de uso.

A experiência que mulheres gordas tem com a moda geralmente são assim, ruins. Sofremos com a falta de opções, com a falta de qualidade, com a falta de modelagem e acabamentos adequados, com preços abusivos e com a ausência de tamanhos grandes em lojas físicas.

Felizmente temos iniciativas como o Pop Plus, um evento de moda plus size que reúne marcas diversas e nos oferece a possibilidade de conhecer de perto os produtos que geralmente só temos disponíveis online.

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Eu já falei sobre o Pop Plus em outros posts (aqui e lá no Instagram), acompanhei sua evolução e desde as últimas edições venho percebendo o esforço da Flávia Durante, criadora e organizadora do evento, para tornar o Pop Plus em algo mais completo e inclusivo.

Tive a oportunidade de conversar com a Flávia sobre a situação atual do mercado de moda plus size no Brasil. O resultado foi um papo super válido tanto para quem consome moda plus size, quanto para quem a cria. Confira:

Na sua opinião, por que as grandes marcas hesitam tanto em aumentar suas grades de tamanho?

Flávia Durante: Pois a imagem da pessoa gorda é a de uma pessoa preguiçosa, doente, fracassada e ninguém gostaria de ligar sua marca a isso. Somos ativas, trabalhadoras, criativas, bem informadas como qualquer outra mulher e queremos consumir moda de qualidade. Por isso são importantes os movimentos que mostrem que essas imagens não condizem com a realidade.

Como as marcas desse segmento podem inovar em seus produtos?

FD: Sendo diversas e inclusivas de fato. Muitas marcas acham que fazer roupa até o tamanho 52 já é ser plus size, mas as mulheres que vestem acima do 54 ainda precisam ser incluídas. Ou seja, é a exclusão em cima da exclusão. Moda é identidade cultural e dignidade, afinal sem roupas as pessoas não conseguem nem sair de casa, quanto mais conseguir um trabalho ou se divertir. Não tem nada a ver com apologia a obesidade!

Você tem visto mudanças positivas nesse mercado?

FD: Já fui mais otimista. A cada gafe nas campanhas e novas linhas das grandes redes confesso que bate um desânimo. As mudanças de fato têm vindo das pequenas empresas e não das grandes marcas que sabem ouvir e acompanhar as mudanças de seu público. Antes realmente as próprias gordas estranhavam ver gente como elas nas campanhas mas isso virou passado. A nova geração quer representatividade real.

Marisa, Pernambucanas e Levi’s têm coleções mais amplas, mas ainda falta colocar as modelos plus size nas vitrines das flagship stores.

Quais conselhos você daria para quem deseja lançar sua própria marca plus size?

FD: OUVIR o público! Pensar na identidade visual e na comunicação da marca. E enxergar também o público masculino. Outra coisa que falta muito são calçados. Falta uma marca de calçados realmente especializada no público plus size. O problema não é o tamanho dos calçados e sim a largura!

O Pop Plus se transformou em uma referência para eventos de moda plus size, tenho certeza que você deve ter vários planos para o futuro. Pode compartilhar algum deles conosco?

FD: O Pop Plus começou como um simples mercado de moda mas virou muito mais do que isso. Acabou tomando forma de uma feira de moda e cultura plus size com todas as atrações artísticas e bate-papos com temas pertinentes ao público plus size. Mas não vamos ficar só nisso! A ideia entre eles é fazer ações como a #OcupaçãoPopPlus e workshops de dança, expressão corporal, além da criação de um banco de indicações de empregos pois muitas pessoas gordas são discriminadas em seleções de emprego. O Pop Plus quer empoderar a mulher gorda através da moda, das discussões, da arte e do mercado de trabalho.

Sobre a próxima edição do Pop Plus:
Onde: Club Homs, Av. Paulista, 735 (Metrô Brigadeiro)
Quando: Dias 17 e 18/09, sábado e domingo, das 11h às 21h.
Quanto: ENTRADA GRATUITA!

 

Mais de 50 expositores, moda de diversos estilos, faixas de preço e manequins do 46 ao 62 (ou mais). E ainda: Brechó de Blogueiras, desfile, atrações artísticas e bate-papos. Não perca!

 

Perguntei para a Flávia se ela tinha alguma dica para quem deseja aproveitar ao máximo o evento e ela disse para reservarmos pelo menos duas horas para garimpo pois, além dos lançamentos muitas marcas vão fazer ofertas especiais para o evento!

 

Veja mais dicas AQUI!

 

Obrigada pela entrevista, Flávia!

 

Estarei no Pop Plus amanhã a tarde, se você estiver por lá, me procure!

 

*imagens: reprodução
Fundadora e editora do O Cabide, formada em moda, fotógrafa iniciante, apaixonada por figurinos e história da moda. Futura jetsetter, feminista, gayzista, abortista, gorda, patrona do amor próprio e entusiasta da maquiagem para beleza e para a arte.

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