Cadê a representatividade?

Eu gostaria de ter ficado surpresa quando eu vi um artigo no Buzzfeed falando sobre uma loja virtual que enfiou uma modelo petite (magra e de estrutura óssea pequena) em uma perna de um shorts plus size para apresentar a peça nem seu site, mas não fiquei.

Já estamos acostumadas a ver que marcas plus size não tem interesse em mostrar mulheres de tamanhos grandes usando suas roupas, mesmo que essas sejam suas consumidoras finais. Na verdade o que vemos essas marcas apresentando são modelos fora do padrão, longe de serem gordas, com cintura afinada e celulite alisada pela edição.

E isso já é uma merda, imaginem o quão repugnante é entrar em um site e ver produtos apresentados desta forma:

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E um exemplo do Aliexpress:

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Mas o mesmo artigo do Buzzfeed nos traz um silver lining, a estilista plus size Christina Ashman, responsável pela marca Interrobang, deu o troco com a mesma moeda e provou o quão ridículo e sem sentido é apresentar uma peça desta forma. Ela posou usando uma saia de tamanho pequeno em sua perna:

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E aí? Esse é um jeito válido de vender uma saia?

Pois é…

A imagem criada por Christina foi muito compartilhada e ganhou destaque no site Hello Giggles, o que nos traz esperança de que a nossa indignação chegue a alguma das marcas que teimam em insultar o poder de consumo do mercado plus size.

Quem trabalha com moda pode questionar a origem das peças e argumentar que esse tipo de confecção faz tudo com baixo orçamento, inclusive marketing, para diminuir gastos e baratear as peças. E eu, como pessoa formada em moda, que trabalhou em confecções no Brás e no Bom Retiro, vou dizer que NÃO JUSTIFICA.

*imagens: reprodução

**A imagem de destaque (no topo do post) é da Jes do The Militant Baker.

Fundadora e editora do O Cabide, formada em moda, fotógrafa iniciante, apaixonada por figurinos e história da moda. Futura jetsetter, feminista, gayzista, abortista, gorda, patrona do amor próprio e entusiasta da maquiagem para beleza e para a arte.

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