BEDA | O clube dos cinco

“E essas crianças em que você cospe enquanto elas tentam mudar seus mundos,
são imunes aos seus conselhos, elas sabem muito bem pelo o que estão passando.”
– David Bowie

Hoje decidi fazer uma “viagem” de volta aos anos 1980 para falar sobre um dos melhores filmes da época: “O clube dos cinco”.

O filme foi dirigido por John Hughes, que foi também diretor de “Curtindo a vida adoidado”, “Gatinhas & Gatões” e “Mulher nota 1000”, ou seja, alguns dos filmes da época. O Clube dos Cinco estrelou Emilio Estevez (Andrew Clark – atleta), Judd Nelson (John Bender – criminoso), Anthony Michael Hall (Brian Johnson – nerd), Molly Ringwald (Claire Standish – princesa) e Ally Sheedy (Allison Reynolds – esquisita)

O elenco do do filme e o diretor e roteirista John Hughes

O filme que possui roteiro e história bem claros. Um dos poucos que consegue te cativar durante o filme inteiro mesmo acontecendo praticamente apenas um cenário: a biblioteca para onde os cinco alunos, de personalidades completamente diferentes, ficara em detenção.

Uma sinopse rápida: “Em virtude de terem cometido pequenos delitos, cinco adolescentes são confinados no colégio em um sábado, com a tarefa de escrever uma redação de mil palavras sobre o que pensam de si mesmos. Apesar de serem pessoas completamente diferentes, enquanto o dia transcorre eles passam a aceitar uns aos outros, fazendo várias confissões e tornando-se amigos.”

No início, o filme mostra nitidamente a preocupação adolescente sobre o que os outros pensam e o que vão falar se você passar a conversar com determinada pessoa ou as consequências sociais dee um simples oi no corredor (da qual me referi quando falei sobre meu ensino médio e Meninas Malvadas); mas no decorrer da história a convivência forçada entre as personagens mostra que pessoas extremamente diferentes podem se tornar amigas ou até algo além disso.

O diretor do colégio pede para que os alunos escrevam uma redação dizendo quem eles pensam que são. O pedido é simples, mas como resumir tanto de nós em tão pouco? Dá pra nos limitarmos a uma palavra ou, simplesmente, algumas linhas? Somos pessoas tão complexas, que é incrivelmente difícil dizer quem somos, sem contar as constantes mudanças pelas quais estamos sempre passando, e, mesmo assim, ainda acho que Brian fez um bom trabalho em seu texto final ao dizer que somos um pouco de tudo:

Bender começa a satirizar as famílias dos outros quatro presentes ali na sala, e, em seguida, a sua própria, e os problemas familiares de cada um deles começam a surgir durante a trama e aproxima os personagens.

Apesar de não dizer nada durante os primeiros 30 minutos de filme, Allison trás uma das falas mais interessantes do filme ao se dirigir a Claire em um dos momentos em que estão todos sentados no chão discutindo os motivos pelos quais estão lá. “É como uma faca de dois gumes. Se disser que não [se disser que é virgem], é puritana; se disser que sim [que já fez sexo], é uma vadia”, e nessas duas linhas Allison consegue resumir o que é uma parte do mundo feminino, e de certa forma masculino, onde tudo é colocado nos extremos. Eu não entendo porque é tão difícil aceitar que as mulheres também fazem sexo e sentem prazer nisso, sem que isso as torne vadias. Ou uma mulher escolher não transar por algum motivo particular e por isso ela ser taxada como puritana ou ignorante que não entende nada do assunto. Não dá pra aceitar de maneira natural que o mundo feminino também tem sexo? Um pequeno detalhe: o filme é de 1985, acho meio triste ainda termos que reforçar isso 30 anos depois.

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No filme, Claire e Andrew ainda se vêem na posição de achar que precisam fazer tudo o que os outros querem que eles façam o tempo inteiro, e são questionados por seus colegas. “Se você não quer, então porque você faz?”, é a pergunta que fazem. E não é de se surpreender, que, ainda hoje, muitas e muitas pessoas vivam da mesma forma; com essa constante necessidade de tentar agradar a todos, sem perceber que não é bem assim que a banda toca. O próprio John Hughes aconselha: “Passe mais tempo tentando fazer algo por você mesmo e menos tempo tentando impressionar as pessoas.”

Tentar agradar a todos só vai resultar em mais pressão sobre si mesmo e um estresse totalmente desnecessário, e você vai ser a única pessoa a ser prejudicada com isso, afinal, os outros estão tendo o que eles querem.

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Todo o trabalho em torno dos estereótipos no roteiro coloca ao final que as pessoas vão muito além daquilo que é posto a elas pela sociedade. Que os nossos amigos podem ser incrivelmente diferentes de nós, mas mesmo assim pode ser uma das melhores amizades que vai existir.  Que aquilo que as pessoas falam sobre você não é necessariamente o que você é, cada um é muito mais do que aquele “título” que a sociedade nos coloca, ou, simplesmente, aquilo que as pessoas vêem ao olhar para nós, seja na rua ou nos corredores da escola.

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Algumas curiosidades: 

– O filme foi filmado em Rosemont. Eles usaram um colégio de verdade para filmar as cenas, mas o cenário de biblioteca foi montado no ginásio do local.

– A placa do carro de Brian Johnson é “EMC2”, para combinar com sua imagem de nerd. A placa do carro de Andrew Clark, papel de Emilio Estevez, é “OHIOST” (Ohio State), para manter sua imagem de atleta.

– O personagem de Hall, Brian Johnson, é deixado no colégio logo no começo do filme pela sua mãe e sua irmã verdadeiras. E quem faz  o papel de seu pai no final do filme é ninguém menos que John Hughes.

– Judd Nelson zoava tanto com Molly Ringwald fora das câmeras que quase foi demitido do filme. Seus colegas de elenco o defenderam, dizendo que ele estava apenas tentando não sair do papel.

– O zelador da escola foi eleito o Homem do Ano em 1969. A foto dele aparece na sala de troféus entre as fotos de outros alunos agraciados pelo prêmio no início do filme.

– Dos cinco protagonistas, apenas Hall e Ringwald eram adolescentes na época, com 17 anos. Estevez e Sheedy tinham 23 anos e Nelson tinha 26.

– Os atores foram deixados bem à vontade para improvisar, já que o diretor John Hughes queria a colaboração do elenco no filme. A cena em que eles fumam maconha é altamente improvisada. Mais de 60 mil metros de filme foram usados nas filmagens devido a tantos improvisos e colaborações entre os atores e o diretor. Na época, isso era uma marca incrível para um filme adolescente. O filme também foi gravado inteiramente na sequência, o que permitiu que os atores pudessem realmente viver seus personagens.

– Os produtores pediram a Billy Idol para gravar a música Don’t You (Forget About Me), a música-ícone que encerra o filme. O artista, no entanto, recusou o pedido e a quem gravou o hit foi a banda Simple Minds.

– O roteiro foi escrito em apenas dois dias.

*fonte

Conclusão:

As pessoas são mais do que seus estereótipos, quebre todos os padrões possíveis e não tenha medo de conhecer pessoas diferentes de você.

Não tente agradar todo mundo, isso não funciona, nem todos vão sair felizes em todas as situações.

A sexualidade ainda é tabu e alguns discursos ainda são os mesmos dos anos 1980, quanto antes isso mudar, melhor para todo mundo.

E, bom, mesmo com tantas coisas diferentes, podemos encontrar algo em comum com as pessoas que menos esperamos e dalí surgirem grandes amizades. Não é porque alguém é muito diferente de você que vocês não podem ser grandes amigos.

Não à toa, um dos meus filmes preferidos e, felizmente, disponível no Netflix!

 

*imagens: reprodução

**Saiba mais sobre o BEDA

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Estudante de psicologia, fanática pelas mentes mais loucas imagináveis. Adoro um bom livro, um ótimo filme, fones de ouvido e uma música pra dançar.

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