A história secreta das mulheres tatuadas

Olive Oatman, foi a primeira mulher branca tatuada dos EUA em 1858. Após sua família ser assassinada por índios Yavapais, ela acabou sendo adotada por índios Mohave, que lhe deram sua tradicional tatuagem tribal. Ela foi resgatada com 19 anos e se tornou uma celebridade.

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cortesia de Arizona Historical Society, Tucson, 1927

Com o passar dos anos o estigma da tatuagem vem mudando, ainda que algum preconceito tenha conseguido ultrapassar gerações, o número de pessoas tatuadas cresce cada vez mais, principalmente entre mulheres. O livro de Margot Mifflin, “Bodies of Subversion: A Secret History of Women and Tattoo” (Corpos da subversão: A história secreta da mulher e a tatuagem), lançado em 1997, analisa essa tendência, que pode ter nascido há muito tempo atrás.

Na terceira edição do livro encontramos fotografias de mulheres tatuadas e mulheres tatuadoras através dos tempos, começando pela cultura de Nativo Americana, como é o caso da tatuagem no queixo de Olivia Oatman. Tais fotos examinam como a cultura da tatuagem se desenvolveu durante os anos e como elas afetam os emblemas da mulher contemporânea, como o empoderamento na era do feminismo ou como distintivo da auto-determinação em um tempo em que as controvérsias sobre aborto, estupro, assédio sexual nos faz pensar sobre o controle que temos sobre nosso próprio corpo.

Apesar de as tatuagens serem cada dia mais comuns e mais visiveis, aparecendo até como elemento de estilo, são alguns dos exemplos históricos mais escondidos – das mulheres Vitorianas até atrações de circo – que nos surpreendem.

As imagens desse livro nos permitem ver como as tatuagens foram de proibidas a tendência de moda, Mifflin (que não é tatuada) diz que: “Eu vi a tatuagem como um incrível barômetro dos sonhos, medos e paixões da mulher naqueles tempos, e isso me fez imaginar o que as tatuagens das mulheres, desde o século XIX, quando mulheres européias e americanas começaram a se tatuar.

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Nora Hildebrandt, a primeira americana tatuada a ser atração em circo,no final dos anos 1880. Como muitas das primeiras atrações desse tipo Hildebrandt afirmava que tinha sido tatuada a força por índios. Na verdade ela foi tatuada em Nova Iorque, por seu marido, Martin Hildebrandt, um dos primeiros donos de estúdios de tatuagens nos EUA. A imagem é cortesia de Tattoo Archive.

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Maud Wagner, a primeira tatuadora dos EUA, essa foto foi tirada em 1911. Em 1907, ela trocou um encontro com o seu marido por aulas de tatuagem. A filha deles, Lotteva Wagner, também é tatuadora. A imagem é cortesia da autora.

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Mildred Hull, uma das primeiras mulheres a apreender a tatuar, a intenção era judar o namorado mas ela trabalhou em Bowery por duas décadas tatuando muitas mulheres, inclusive debutantes e universitárias. Elas costumavam pedir por corações com o nome de seus amantes ou a palavra “Mãe”. A imagem é cortesia Tattoo Archive.

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Assim como muiyas das atrações de circo tatuadas, Anna Mae Burlington Gibbons era uma mulher de classe trabalhadora que tatuava em tempos de economia difícil. Ela e o marido, o tatuador Charles (Red) Gibbons, viajaram e trabalharam como um time, começando a partir dos anos 1920. No seu corpo estavam tatuados parte da Anunciação de Botticelli, uma parte da Sagrada Família de  Michelangelo e no peito um retrato de George Washington. A imagem é cortosia de Circus World Museum, Baraboo, Wisconsin.

BROADBENT, BETTY (TATOOED LADY-BEAUTY CONTEST)

Betty Broadbent foi uma das mais conhecidas e mais fotografadas atração de circo. Ela fez história por aparecer na TV para um concurso de beleza – com o corpo todo tatuado – na World’s Fair de 1937. A imagem é cortesia do The New York Daily News.

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Elizabeth Weinzirl, 1961. Ela era a esposa de um médico que começou a tatuar as 47 anos de idade, e foi uma das primeiras mulheres a mostrar suas tatuagens como entretenimento. A imagem é cortesia de Mary Jane Haake.

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Bobbie Libarry, 1976, fotografada por Imogen Cunningham. Ela foi uma atrtação que se transformou em tatuadora em São Francisco. Nessa foto Libarry tinha 83 anos, esse foi um dos últimos retratos que ela fez, vindo a falcer pouco depois. A imagem é cortesia do Imogen Cunningham Trust.

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Conhecida como “Miss Technicolor” e “The Classy Lassy with the Tattooed Chassis,” a australiana Cindy Ray fez uma turnê pela Austrália e Nova Zelândia no início dos anos 1960, até aprender a tatuar, seu trabalho desde então. Adora com setenta anos, ela atende pelo seu nome de batismo, Bev Nicholas, e trabalha aos fins de semana no Moving Pictures Tattoo Studio, perto de Melbourne, onde ela já tatua há quarenta anos. A imagem é cortesia de Randy Johnson.

E você, é uma das mulheres tatuadas que estão quebrando paradigmas nesta geração?

*magens: reprodução

Fundadora e editora do O Cabide, formada em moda, fotógrafa iniciante, apaixonada por figurinos e história da moda. Futura jetsetter, feminista, gayzista, abortista, gorda, patrona do amor próprio e entusiasta da maquiagem para beleza e para a arte.

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