Flávia Durante, organizadora do Pop Plus, fala sobre a evolução do mercado de moda plus size

Recentemente tive uma experiência ruim com uma Fast Fashion. Fascinada pela possibilidade de ter acesso imediato a roupas do meu tamanho, investi em algumas peças que acabaram apresentando defeitos com menos de um mês de uso.

A experiência que mulheres gordas tem com a moda geralmente são assim, ruins. Sofremos com a falta de opções, com a falta de qualidade, com a falta de modelagem e acabamentos adequados, com preços abusivos e com a ausência de tamanhos grandes em lojas físicas.

Felizmente temos iniciativas como o Pop Plus, um evento de moda plus size que reúne marcas diversas e nos oferece a possibilidade de conhecer de perto os produtos que geralmente só temos disponíveis online.

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Eu já falei sobre o Pop Plus em outros posts (aqui e lá no Instagram), acompanhei sua evolução e desde as últimas edições venho percebendo o esforço da Flávia Durante, criadora e organizadora do evento, para tornar o Pop Plus em algo mais completo e inclusivo.

Tive a oportunidade de conversar com a Flávia sobre a situação atual do mercado de moda plus size no Brasil. O resultado foi um papo super válido tanto para quem consome moda plus size, quanto para quem a cria. Confira:

Na sua opinião, por que as grandes marcas hesitam tanto em aumentar suas grades de tamanho?

Flávia Durante: Pois a imagem da pessoa gorda é a de uma pessoa preguiçosa, doente, fracassada e ninguém gostaria de ligar sua marca a isso. Somos ativas, trabalhadoras, criativas, bem informadas como qualquer outra mulher e queremos consumir moda de qualidade. Por isso são importantes os movimentos que mostrem que essas imagens não condizem com a realidade.

Como as marcas desse segmento podem inovar em seus produtos?

FD: Sendo diversas e inclusivas de fato. Muitas marcas acham que fazer roupa até o tamanho 52 já é ser plus size, mas as mulheres que vestem acima do 54 ainda precisam ser incluídas. Ou seja, é a exclusão em cima da exclusão. Moda é identidade cultural e dignidade, afinal sem roupas as pessoas não conseguem nem sair de casa, quanto mais conseguir um trabalho ou se divertir. Não tem nada a ver com apologia a obesidade!

Você tem visto mudanças positivas nesse mercado?

FD: Já fui mais otimista. A cada gafe nas campanhas e novas linhas das grandes redes confesso que bate um desânimo. As mudanças de fato têm vindo das pequenas empresas e não das grandes marcas que sabem ouvir e acompanhar as mudanças de seu público. Antes realmente as próprias gordas estranhavam ver gente como elas nas campanhas mas isso virou passado. A nova geração quer representatividade real.

Marisa, Pernambucanas e Levi’s têm coleções mais amplas, mas ainda falta colocar as modelos plus size nas vitrines das flagship stores.

Quais conselhos você daria para quem deseja lançar sua própria marca plus size?

FD: OUVIR o público! Pensar na identidade visual e na comunicação da marca. E enxergar também o público masculino. Outra coisa que falta muito são calçados. Falta uma marca de calçados realmente especializada no público plus size. O problema não é o tamanho dos calçados e sim a largura!

O Pop Plus se transformou em uma referência para eventos de moda plus size, tenho certeza que você deve ter vários planos para o futuro. Pode compartilhar algum deles conosco?

FD: O Pop Plus começou como um simples mercado de moda mas virou muito mais do que isso. Acabou tomando forma de uma feira de moda e cultura plus size com todas as atrações artísticas e bate-papos com temas pertinentes ao público plus size. Mas não vamos ficar só nisso! A ideia entre eles é fazer ações como a #OcupaçãoPopPlus e workshops de dança, expressão corporal, além da criação de um banco de indicações de empregos pois muitas pessoas gordas são discriminadas em seleções de emprego. O Pop Plus quer empoderar a mulher gorda através da moda, das discussões, da arte e do mercado de trabalho.

Sobre a próxima edição do Pop Plus:
Onde: Club Homs, Av. Paulista, 735 (Metrô Brigadeiro)
Quando: Dias 17 e 18/09, sábado e domingo, das 11h às 21h.
Quanto: ENTRADA GRATUITA!

 

Mais de 50 expositores, moda de diversos estilos, faixas de preço e manequins do 46 ao 62 (ou mais). E ainda: Brechó de Blogueiras, desfile, atrações artísticas e bate-papos. Não perca!

 

Perguntei para a Flávia se ela tinha alguma dica para quem deseja aproveitar ao máximo o evento e ela disse para reservarmos pelo menos duas horas para garimpo pois, além dos lançamentos muitas marcas vão fazer ofertas especiais para o evento!

 

Veja mais dicas AQUI!

 

Obrigada pela entrevista, Flávia!

 

Estarei no Pop Plus amanhã a tarde, se você estiver por lá, me procure!

 

*imagens: reprodução
Fundadora e editora do O Cabide, formada em moda, fotógrafa iniciante, apaixonada por figurinos e história da moda. Futura jetsetter, feminista, gayzista, abortista, gorda, patrona do amor próprio e entusiasta da maquiagem para beleza e para a arte.

Jossana Lauria, da marca Joss, fala sobre mercado plus size e empreendedorismo

Se você acompanha o o blog há algum tempo, deve ter percebido que estão rolando mudanças no que publicamos e até em nossa aparência. Como parte dessas mudanças quero trazer para vocês um conteúdo mais sólido sobre empreendedorismo, desenvolvimento de produtos, processos criativos, etapas de confecção e tudo mais que seja relevante para compreendermos melhor a indústria da moda e seus segmentos.

Para isso vou conversar com profissionais que administrem suas próprias marcas, confecções ou projetos relacionados ao consumo ou a cultura da moda.

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Para o post de hoje conversei com a Jossana Lauria, estilista e proprietária da marca plus size Joss. Em nosso bate papo falamos sobre como surgiu sua marca e quais são os desafios em manter um negócio dentro desse segmento, confira:

  • Como surgiu a Joss?

A Joss surgiu com o meu sonho de montar a minha marca plus size com preços acessíveis para todos. Desde criança via que as roupas para gordos (as) não eram bacanas e me sentia muito mal com aquilo, pois também era uma gorda que consumia moda. Como desde pequena sempre sonhei em ser estilista, me formei em moda, me especializei em moda plus size e cá estou com esse sonho realizado, de ser estilista da minha própria marca!

  •  Como designer, você acredita que suas experiências pessoais com o mercado plus size influenciam nas decisões que você toma para sua marca?
Sim, com certeza absoluta! Como designer consigo ter o discernimento de como uma modelagem pode influenciar uma peça e o design também. Como gorda e consumidora, consigo juntar o útil ao agradável para criar meus produtos.
  •  Como você vê a questão da representatividade na apresentação de produtos em catálogos e campanhas de moda plus size?
Vejo que a cada dia mais marcas tendem a diminuir o plus size, chegando a numerações um tanto quanto ridículas, além de colocarem modelos de tamanho mediano em catálogos, logo acabam não representando as mulheres gordas que buscam isso atualmente. Realmente há uma necessidade enorme de gordas representativas nesse meio (como a Tess Holliday, por exemplo), e ainda são poucas as marcas que trabalham com essa representatividade, mas acredito que isso irá mudar um dia!
  • Além dos desafios típicos desse segmento, quais são suas dificuldades como mulher empreendedora?
A dificuldade é essa crise que o Brasil está passando, para empresários está sendo a morte. Mas isso vai se acertar (assim espero)!
  •  Tem algum conselho para quem deseja se aventurar nesse mercado?
Sim, seja diferente, inovador, esse é o diferencial!
  • Quais são seus planos para o futuro da Joss?
Bom, pretendemos abrir uma loja física em breve e ampliar os nossos produtos, temos planos gigantescos, mas é segredo! 😝 hahahaha
Gostaria de agradecer a Jossana pelo bate-papo, ela tem uma energia incrível e é uma querida! Desejo boa sorte com os seus planos e muito sucesso para sua marca! ♥
Conheça a Joss e seus produtos: www.jossplus.com.br
Compartilhe suas experiências conosco, deixe nos comentários sua visão sobre o mercado de moda plus e nos digam quem mais vocês gostariam que entrevistássemos.
*imagens: reprodução
Fundadora e editora do O Cabide, formada em moda, fotógrafa iniciante, apaixonada por figurinos e história da moda. Futura jetsetter, feminista, gayzista, abortista, gorda, patrona do amor próprio e entusiasta da maquiagem para beleza e para a arte.

Guilherme Rodrigues

Fazia muito tempo que O Cabide não trazia alguém para sentar na nossa poltrona, mas voltamos com uma entrevista que adorei fazer, por carinho ao entrevistado e pelo talento que ele tem.

Conheci Guilherme Rodrigues quando fui avaliadora da sua banca de avaliação final no TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) do curso Design de Moda da Belas Artes em dezembro de 2010.

Já tinha lido sua monografia e visto seu book de criação, que me foram enviados antecipadamente (e que guardo até hoje), e sinceramente não sabia o que esperar.

Seu tema era o Barroco Mineiro, sua coleção tinha como público alvo Drag Queens.

Apesar de ter achado o conteúdo de sua monografia ótimo, ainda tinha muitas dúvidas sobre a coleção e ansiava para ver o desfile ao vivo e conhecer o responsável por ideias tão inusitadas.

O desfile passou, correu tudo bem, mas só na sala de avaliação me dei conta da grandiosidade do trabalho que ele havia feito. Habilidoso, Guilherme havia escolhido tecidos e estampas lindos, e montou peças de cabeça incríveis para acompanhar os looks que apresentou.

Inseguro com relação a sua posição no mercado, aconselhei, de coração, que Guilherme apostasse em seus dotes como figurinista. Ao que tudo indica, deu certo.

Hoje, Guilherme é figurinista da cantora e queridinha do Tecnobrega, Gaby Amarantos, essa parte da entrevista o Gui queria que eu resumisse e editasse, mas acho importante que vocês conheçam a história completa de como ele investiu e se jogou de cabeça em uma possibilidade de trabalho.

Trouxe ele para nossa poltrona para que ele nos falasse mais sobre seu trabalho e sua evolução, pois tenho certeza que os caminhos pelos quais Guilherme tem passado servirá de inspiração para muitos cabideiros.

Nicole Duarte: Como você decidiu que queria a moda como profissão?

Guilherme Rodrigues: Bem, desde pequeno eu sempre tive interesse por tudo o que envolvesse arte. Desde essa época eu já desenhava vestidos. Meus desenhos de criança sempre tinham uma mocinha com um vestido diferente. Na adolescência, eu tive a dúvida entre artes plásticas e moda, mas com entre os 16 e 17 anos eu decidi que seria moda mesmo.

ND: Como foi sua experiência na faculdade de moda?

GR: Foi uma experiência boa, adquiri mtos conhecimentos, contribuiu mto para minha formação cultural e profissional. No entanto, como eu sempre tive gosto pelo diferente, pelo mais ousado, eu percebia que algumas pessoas ainda relutavam em aceitar o que eu fazia como moda. Muitas pessoas interpretavam meu trabalho como algo carnavalesco, e diziam que eu não acharia um nicho no mercado.

ND: Quais são suas principais referências? Quem inspira seu trabalho?

GR: Bom, como vc viu no meu TCC, eu gosto muito de arte barroca, e isso acaba influenciado muito meu trabalho. As características do período tem haver com a maneira que crio, com toda a história da dualidade, da maneira dramática de ver as coisas, do claro e escuro de Caravaggio, do luxo, da estética mais rebuscada. Creio que meu trabalho, independente da proposta que eu esteja trabalhando, sempre terá alguma dessas características. Quanto a estilistas que me influenciam, cito o Walério Araújo, Samuel Cirnansck, André Lima, Lino Villaventura. E internacionais Galliano, Gareth Pugh, Lie Sang Bong, Alexander McQueen e Thierry Mugler.

Guilherme Rodrigues

*Gaby Amarantos usando a primeira peça que Guilherme produziu para ela.

ND: Como começou sua parceria com a cantora Gaby Amarantos?

GR: Minha história com a Gaby começou no ano passado, no dia 17 de abril, na Virada Cultural de São Paulo. Depois do super incentivo que você me deu quando avaliou meu TCC, eu queria achar alguém que eu pudesse vestir, alguém que tivesse uma conectividade com meu trabalho. Meio que por acaso, eu resolvi ficar para assistir ao show dela, e um amigo meu me disse, você viu o estilo dela? Por que você não a procura, quem sabe não dá certo. Fiquei com aquilo na cabeça, vi que ela tinha uma atitude de palco, uma liberdade que me fez pensar que ela se identificaria com as minhas criações. Fiz um croqui e mandei pro email de contato que encontrei no site dela. O assessor dela me respondeu, e me convidou pra conhecê-la no próximo show que ela faria em São Paulo, em uma balada na Rua Augusta, no dia 17 de maio.

Conheci a Gaby, e foi como se a gente já se conhecesse há tempos. Ela adorou o meu trabalho, e eu prometi confeccionar um look para dar de presente a ela. Entretanto, o look não foi feito com base no croqui que eu fiz, esse eu acabei não confeccionando até hoje. Depois que eu a conheci, achei que ela merecia mais (risos).

Fiz um acessório de cabeça e entreguei de presente à ela, ela gostou muito e elogiou o meu trabalho.

Aí no dia 28/08, ela iria ter um show no Centro Cultural da Juventude, e eu propus maquiá-la. No início ela ficou meio receosa, porque ela sempre se maquiava sozinha para os shows, mas no fim ela acabou aceitando. Fiz uma maquiagem com folhas de ouro, e ela gostou demais, disse que nunca tinha visto algo igual, que ficou íncrivel, e foi a partir desse dia que eu senti que a confiança dela no meu trabalho se firmou.

Um mês antes do VMB, ela veio para São Paulo, para comprar matérias-primas para o look dela, ela queria investir nisso, pois ela encerraria a premiação junto com mais duas bandas. Ela me ligou, perguntou se eu conhecia lojas legais, e perguntou se eu não poderia ir com ela. Ela me passou mais ou menos a ideia do que e tinha em mente, ela queria uma roupa que acendesse, que tivesse um conceito de tecnologia, que usasse materiais diferentes. Fomos para o Bom Retiro, levei ela para ver uma malha, que ela já gostou (ela tinha em mente confeccionar uma calça, contudo depois eu sugeri que fosse um macacão), seguimos para a Santa Efigênia, já que ela queria leds, strobos, e alto falantes no peito (a ideia foi dela) e de lá fomos para o Brás. No metrô ela me fez o convite para confeccionar esse look. Me perguntou: “Você quer fazer essa roupa, você tá com tempo, quer se dedicar a isso?”. Aceitei na hora e ela emendou dizendo: “Bem, eu já tinha uma pessoa que faria esse look, mas ele está com muito trabalho, não sei se ele terá tempo de se dedicar, e também eu tô gostando muito do seu trabalho”.

No caminho do metrô até a loja, ela foi me contando que queria uma roupa que fosse inspirada nas Festas de Aparelhagem, que tivesse o conceito do Tecnobrega, e foi me explicando o que era tudo isso, como eram essas festas, enfim todos os detalhes. Entramos na loja e eu já tinha na cabeça como seria esse look, pensei em estruturar os alto falantes em um corset, usar a malha que compramos para criar um macacão que serviria como base para a roupa, e tornaria esse corset em uma verdadeira aparelhagem. Fui direto no material para o corset, eu já tinha visto esse material (um plástico poliuretano holográfico) há algumas semanas, e tinha ficado com ele na cabeça, ela amou tudo e já falou: “Compra o que você achar que tiver que comprar pra esse look!”.

Chegando em casa, me veio na cabeça: Caralho, eu nunca mexi com leds, como eu vou fazer isso tudo funcionar?!?!?! Fudeu! (risos). Aí eu comecei a ver vídeos das festas de aparelhagens, ler matérias sobre o assunto, e aperfeiçoei as ideias iniciais para o look, (detalhe também que até hoje eu ainda não fui ao Pará e não conheço essas festas pessoalmente). Comecei a pesquisar também sobre os leds, sobre baterias, sobre ligações eletônicas, contudo não foi o suficiente para eu conseguir entender. Meu pai me deu algumas dicas básicas, e eu voltei na Santa Efigênia para conversar com os vendedores e tentar conseguir mais informações. A partir daí que começou a minha história com os leds.

Tive muitas dificuldades com esse look, foi um grande desafio, que deu certo, ela amou o resultado! Muita gente elogiou, muita gente criticou, afinal é algo bem diferente, bem conceitual. Eu cuidei de cada detalhe, desde o sapato, que foi confeccionado no Pará pelo Jaime Bessa, até o cabelo frisado (eu havia comprado recentemente um frisador, sugeri de usarmos no VMB, ela ficou receosa, pois nunca tinha usado o cabelo assim, fiz uma mexa no camarim mesmo e ela amou o efeito), foi assim que nossa parceria se firmou de vez.

Guilherme Rodrigues

*Da esq. para dir.: Gaby com Guilherme no camarim do Domingão do faustão, o vestido para o baile da Vogue e a primeira vez que maquiou a cantora.

A partir disso criei muitas peças para ela, criei a saia vermelha com leds que ela usou em apresentações pra divulgar a música Xirley, me aventurei com as fibras óticas, quando criei o vestido que ela usou no baile da Vogue e o colete que ela usou no lançamento da programação 2012 da Rede Globo. Acabei conhecendo outros artistas. Hoje crio figurinos para a Maria Alcina, que é pra mim uma referência, é uma grande artista, é uma honra poder trabalhar para ela.

Guilherme Rodrigues

 *Acessório que Guilherme criou na faculdade

ND: E agora, quais são seus projetos para o futuro?

GR: Bem, ainda não cheguei a conclusões. Tudo aconteceu rápido demais, eu jamais esperaria que com dois anos de formado eu conseguiria tanta coisa. Eu queria muito estudar mais, fazer uma pós graduação, estudar um tempo na França. Claro que penso em ter uma marca, mas ainda não sei se eu lidaria bem com prêt-á-porter. O meu trabalho é muito artesanal, é muita coisa feita à mão. Trabalho muito com bordados, com acabamentos manuais. Mesmo a história do led, cada peça de led é única, tem todo um cuidado com a ligações elétricas, com a funcionalidade e com o design mesmo. Isso em grande escala não funcionaria. Tem também os casquetes, (que foi um talento que descobri ainda na faculdade, nas aulas da professora Thais Graciotti, que me elogiou e me disse para investir nisso). O que eu penso que pode funcionar é uma linha de camisetas, de vestidos que tragam a ideia do meu trabalho, mas isso é mais pra frente. Também penso em uma linha masculina com essa pegada mais conceitual.

Gui, adorei fazer essa entrevista, vibro com cada passo que você dá na sua carreira e morro de orgulho do seu sucesso como profissional da moda.

O Cabide torce por você e vai continuar sempre acreditando no seu talento!

Obrigada e parabéns!

*imagens: reprodução

Fundadora e editora do O Cabide, formada em moda, fotógrafa iniciante, apaixonada por figurinos e história da moda. Futura jetsetter, feminista, gayzista, abortista, gorda, patrona do amor próprio e entusiasta da maquiagem para beleza e para a arte.

Minina di Minas

A Minina de Minas funciona sob o comando da designer Graciella Starling e todas as peças da loja são criadas por ela.

Os produtos tem como foco complementar seu look, chapéus, casquetes, arranjos e acessórios para cabeça são o carro chefe da loja, que também oferece bolsas, colares, brincos e outros mimos exclusivos.

Conheci o trabalho da Graciella no desfile que aconteceu em março lá na Voga e me apaixonei, sou fascinada por acessórios para cabelos e cabeça, inevitavelmente adicionei a marca no facebook e comecei a acompanhar mais de perto o sucesso da marca que todos os dias enfeita a cabeça das mais diversas celebridades.

Com atenção voltada agora para a coleção de inverno, acabei não resistindo e pedi uma entrevista! Estava super curiosa para conhecer o processo de desenvolvimento dos produtos e o talento que estava por trás de tanta lindeza.

Minina di Minas

Fofa e simpática, Graciella respondeu à perguntas exclusivas para nós cabideiros, confiram:

Nicole Durte: Como começou a Minina di Minas?
Graciella Starling: Começou a 6 anos. Sempre fui uma apaixonada por cultura, arte, tradições. A cultura mineira é muito forte. O lance do resgate das raízes sempre esteve muito presente na minha vida e hoje nas minhas peças. Quando montei a Minina di minas (tudo com i” justamente porque é como mineiro fala) já morava em Sampa a 5 anos, e sentia falta de resgatar essa cultura tão rica e que pouca gente conhecia aplicada na moda. Hoje a moda mineira tem ganhado mais visibilidade. A criação sempre esteve comigo, sempre fui uma minina inventiva. Mamãe é artista plástica. Eu sempre amei a arte, cresci com ela. E ao mesmo tempo “o vestir” sempre foi uma grande brincadeira pra mim. As misturas do novo e retrô sempre me encantaram. Com a moda pude unir minhas grandes paixões. Historia(cultura) + Arte + estilo.

ND: Qual é a vibe do seu design? (sensação, estilo, inspirações)
GS: Minhas peças tem muito influência mineira, claro, as vezes na técnica, no material ou até mesmo na forma. O barroco sempre me inspirou, mas o mundo é muito mais que as montanhas mineiras. Gosto mesmo é da diversidade cultural. Culturas, hábitos de vida me inspiram. Com a arte é possível misturar hábitos e tradições tão diferentes. Isso me encanta.Com o acessório e as cabeças posso extrapolar para um universo a parte do “Não tecido”. Isso faz com que a criação seja ainda mais rica. Materiais naturais e recicláveis estão sempre de alguma forma inseridos no meu contexto criativo. Fibras naturais, cascas, folhas e principalmente o manual (com o crochê , tricot, macramê) adoro as técnicas manuais.

Minina di Minas

ND: O que inspira sua criatividade?
GS: Amo a estrada.. amo viajar. O movimento, movimenta minha mente. Acho que por isso gosto tanto de formas. Também as formas arrendondadas estão sempre presentes na minha criação.Meu ateliê é em Minas Gerais, vou pra lá de 15 em 15 dias. Isso já me ajuda no processo criativo
ND: Enfrentou algum tipo de dificuldade para a marca ser reconhecida no mercado?
GS: Sou conhecida?? Nem sabia disso… rs Acho que não, a Minina di minas tá começando ainda, o mais legal são as pessoas que gostam das peças. Identificam-se com a criação e assim vai… O boca a boca que leva a marca. Respaldo de clientes é incrível, elas contam historias sobre as peças, como as pessoas reagem ao ver elas vestidas. Isso daria um livro futuramente. Tenho bons personagens pra ele. 😉
O mercado no Brasil é muito dificil, costumo dizer que é o lugar mais difícil de vender ESTILO e o mais fácil de vender MODA. As pessoas aqui no Brasil são muito preocupadas com o que vão pensar delas. Isso é muito ruim para se criar ou comercializar algo diferenciado, as pessoas preferem a segurança do que está na novela. Mudar hábitos culturais é muito difícil num mercado tão engessado. E vender cabeças onde as pessoas nem sabem o que é um arranjo não é uma tarefa fácil… Cultura só se vende onde se tem cultura. Mas tenho muita esperança no meu Brasil, amo minha terra e cá estou… Dizem que brasileiro não desiste nunca, Minina Di Minas taí pra confirmar!!!!

Minina di Minas

ND: Na sua carreira, até agora, qual foi o momento mais marcante?

GS: Minha loja foi uma grande realização, um momento de superação tanto profissional, pois 6 meses antes sofri uma perda financeira muito grande, quanto pessoal, que tive que abrir mão da minha vida de cigana (cada vez em um lugar). E também porque quando olho pra trás vejo que qualquer sonho é possível. Comecei a Minina di minas com 500 reais, uma poupancinha de infância. Isso é ou não é um SONHO??? É muito amor e dedicação.
ND: Tem algum conselho para estudantes ou designers aspirantes que pretendem mostrar seus trabalhos e novas marcas?

GS: AMAR, acreditar e ter FÉ… Acreditem no que estão fazendo, não deixem se levar pelo oportunismo, busquem a oportunidade. A moda é mercado e mercado se conquista com diferencial. Seja vendendo roupa ou pneu de caminhão.!!!

ND: Existe algum acessório de cabeça que você considere icônico, tanto no passado quanto no presente da história da moda?
GS: Chapéus, coroas e acessórios de cabeça sempre foram icônicos. Temos muitos personagens que se vestiam com acessórios na cabeça. Todos eles são facilmente lembrados, Carmem Miranda, Cleópatra, Chaplin, entre outros. Tudo que iconifica esses personagens está na cabeça. A cabeça tá no topo da fisiologia humana. Para sustentar qualquer coisa no topo tem que ter personalidade e atitude, não dá pra achar que vai colocar um chapéu e passar despercebido né????
ND:Quais são seus planos para o futuro da marca?

GS: Considero a Minina di minas um bebê ainda. Tenho muitos projetos em vista e muitos já sendo realizados. Parcerias com marcas como a Fruit de La passion que já está em andamento e o lançamento de mais uma loja em breve, além disso um projeto incrível de vendas on line.
Estou indo para Londres mês que vem, fazer um curso de chapelaria de alta costura e arranjos. Hoje no Brasil não temos nenhum designer da nova geração especialista em cabeças e nem uma marca original do Brasil nesse ramo. Esse será um grande diferencial para a marca Minina di minas e para mim, Graciella, me dedicar ao que eu mais amo,  fazer “cabeças”!!! Isso desde chapéus a arranjos pra noivas. Brinco que fazer cabeças é mudar cabeças (mentes)!!!

Acompanhem a novidades da marca no site: http://www.mininadiminas.com.br/

No Twitter: @mininadiminas

No Facebook:  www.facebook.com/mininadiminas

*imagens: reprodução

Fundadora e editora do O Cabide, formada em moda, fotógrafa iniciante, apaixonada por figurinos e história da moda. Futura jetsetter, feminista, gayzista, abortista, gorda, patrona do amor próprio e entusiasta da maquiagem para beleza e para a arte.

Callicore

O Cabide teve o imenso prazer de entrevistar a queridíssima Andrêssa Faiad, uma das pioneiras da moda sustentável no país. Andrêssa  é brasiliense, vive há quatro anos em São Paulo e é estilista e figurinista, trabalha com moda há 14 ano em diversos segmentos.

Curiosa e insistente, a artista é autodidata, mas não abriu mão de uma formação concreta, é  formada pela Universidade Católica de Brasília em Comunicação Social, Publicidade e Propaganda, e acabou se desenvolvendo na fotografia e na direção de arte.
Charme e, criatividade são características de suas peças que por serem trabalhadas artesanalmente se tornam exclusivas e peculiares com muito estilo.

Andrêssa tem grande preocupação em difundir a cultura da moda sustentável e seu trabalho vem sendo reconhecido em vários lugares do Brasil. Os figurinos de Andrêssa já vestiram apresentadoras, cantoras e celebridades nacionais e internacionais.

A marca registrada de Andrêssa é a arte, suas peças oferecem a sensação de leveza e suavidade no corpo em sintonia com a natureza. Estar bem vestida é ter estilo com consciência.

Callicore

Saiba mais sobre essa designer mais do que multifuncional, com exclusividade, aqui no O cabide:

O Cabide: Fale um pouco sobre sua trajetória no mundo da moda.

Andrêssa Faiad: Eu trabalho com moda há 14 anos, desses, oito foram dedicados a sustentabilidade. Comecei muito cedo na moda e desde muito pequena já criava, costurava e inventava. Vivia em Brasília e trabalhar com moda na capital do Brasil era bem desafiador, pois lá não há indústrias como em São Paulo e produzir era caro.

Eu sempre gostei de moda, desde muito pequena já queria ser estilista e me dedicava a isso. Só que ao mesmo tempo sempre fui apegada a reciclar e renovar coisas, criar e inovar idéias, sempre pensando em dar utilidade às coisas que não eram mais usadas e há uma força maior em mim que sempre me conecta com a natureza e me faz pensar criativamente em coisas possíveis de se fazer com o que é natural ou com o que sobra, sejam retalhos ou matéria prima reciclável. Em mim há uma inquietação com a sociedade, um desejo contínuo de mudanças, que é bem característico da moda.

Além de tudo tive uma coleção de livros de artesanato que me trouxe muitos conhecimentos de moda e me mostravam passo a passo como fazer novas coisas, assim, eu sempre ocupava meu tempo aprendendo técnicas e fazeres manuais com pessoas de mais sabedoria, comunidades, e o mundo criativo que me fascinava de diversas formas, sou artesã e mundo das artes nos fomenta criatividade com a moda.

OC: Você é ligada a sustentabilidade há muitos anos, qual foi o primeiro passo que deu em relação à moda sustentável e por que acha que ele deu certo?

AF: Segui diversos caminhos com a moda, trabalhei em lojas de tecido até ateliês, sempre criei uma moda alta costura, exclusiva, com cara de arte, e tudo que me trouxesse informação, conteúdo ou experiências trabalhando com moda faziam parte da minha busca, mas, eu queria algo novo, algo do bem, diferenciado e que viesse de encontro com minha visão natural, antropológica e social. Essa era uma busca pelo belo, mas, tinha que algo que renovasse o que era velho e que fizesse das pessoas mais criativas. Fiz cursos técnicos e cursos livres de Moda e me formei em comunicação social, passei neste período quatro anos estudando continuamente o mercado de Moda, a Indústria, Moda e a sociedade, moda e cinema, moda e publicidade, moda em comunidades, e fui analisando quais eram as problemáticas, a partir disso comecei minha atividade de campo com oficinas, criei as Oficinas de Moda Sustentável. Isso começou a acontecer em 2002, registrei este projeto em 2004,.

Além de essa pesquisa ter sido a base do meu TCC em 2005, me impulsionou a ir às instituições, festivais, comunidades e cidades, através de ONGs e secretarias de cultura. Recebia pessoas no meu ateliê e ensinava e compartilhava nossos conhecimentos mútuos, valorizando cada ser e sua representação ali no grupo com o papel de reciclar roupas, era um momento onde nos reciclavamos intimamente e levantamos muitas questões que nos remetem e uma mudança social e com o planeta.

Buscamos uma consciência no uso desses recursos e aplicar ao máximo os conceitos de reaproveitamento e produção limpa, já que sabemos o custo dos materiais e recursos naturais. Quando vou a comunidades que só possuem recursos naturais e o mínimo de recursos têxteis e industriais, é um grande desafio, pois trazemos a elas algo novo e o lixo têxtil da indústria aqui em São Paulo é ouro para as mãos do artesão, mas a natureza é muito rica em recurso quando respeitada.

Ou seja, para criatividade não há limites, e o maior sucesso do meu trabalho acontece quando a explosão criativa do grupo unido com o desejo de mudança e criação se unem para comunicar através da moda, assim,  multiplicamos essa força.

Sou feliz em ser uma formiga trabalhando em busca da difusão da sustentabilidade, mesmo que pouco a pouco, vou caminhando. Mas ainda me chateio com a ganância das empresas e pessoas que menosprezam ou usam desse conceito verde para vender mais e muitas vezes desconsideram que a sustentabilidade é um Tripé: Ser integral, Vida e Sociedade, estes são vários pontos que caminham juntos para que a sustentabilidade seja verídica e funcional denominando os muitos cuidados com pequenos detalhes que devemos ter na produção para que o ecologicamente correto seja um conceito que vai além da etiqueta.

OC: Quais são seus projetos atuais?

AF: Sou estilista e figurinista, dou aula em ONGs e instituições, no momento curso pós graduação em Direção de Criação e tenho objetivo de dar aulas em universidades e empresas. Tenho minha marca de Moda sustentável, a Callicore, e estou formando um Grupo de Moda Sustentável, onde poderei capacitar pessoas à trabalharem, atendendo demandas maiores que não dou conta sozinha. Estou em parcerias para criar e desenvolver em maiores quantidades de forma consciente e sustentável para atender o mercado, pois meu trabalho artístico e de moda é muito artesanal e cuidadoso.

Callicore

OC: Qual é a maior dificuldade para implementar a moda sustentável num mercado mais amplo e acessível, considerando que mesmo com toda a repercussão sobre o assunto ainda não é fácil encontrar peças produzidas ecologicamente em grandes lojas ou com preços mais acessíveis?

AF: A indústria de moda é uma cadeia, que se comunica e entrelaça. Para ampliar a produção do algodão orgânico, e tecidos refibrilados ou tecelagens naturais é necessário grandes investimentos em nanotecnologia e é preciso conseguir diminuir o custo dessa produção, que é mais cara e necessita cuidados maiores.  Na produção os cuidados com sobras dos cortes, papéis, caixas e sacos, rolos e tudo que vemos espalhados nas ruas em frente as confecções inconscientes. O lixo é o maior problema,  mas, os grandes magazines pensam em quantidades e quantidade gera lixo e impacto. O ideal seria a gestão desses recursos em uma linha industrial sustentável, mas um algodão que passa por um processo fortemente químico para ficar branco ou jeans por lavagens extremamente prejudiciais a saúde, gera lucro, e o pensamento das pessoas é o lucro e o que vale é o preço. Eu levo 10 minutos para criar algo sem pensar na sustentabilidade, e levo um dia ou mais para criar algo sustentável, pois tenho que pensar no todo, e muitas vezes algo inviabiliza aquela produção por alguma barreira que seria impactante. O custo de produção no Brasil é muito alto, a quantidade de fornecedores de materiais ecológicos ou sustentável e a capacidade de atender demandas em grandes lojas acabam se tornando um pouco mais difícil. O crescimento desse mercado foi tão rápido que acredito que em menos de três anos chegaremos num mercado mais preparado para atender grandes lojas, e em cinco anos sermos mais sustentáveis industrialmente, mas isso requer grandes mudanças.

OC: Se para ser eco-fashion é preciso consumir menos, como você acha que as consumidoras de moda podem se manter ligadas as tendências sem prejudicar o planeta?

AF: Eu faço um trabalho de personal stylist sustentável e nele eu busco trabalhar a consciência do consumo e realizar um trabalho no armário das pessoas, onde você trabalha o que você tem e o que pode transformar. O comportamento consumista é prejudicial, mas consumir é necessário na humanidade, então ser fashionista é algo que realiza o ego, a vaidade e a efemeridade. Ser eco é uma atitude maior que a moda, e ser eco-fashion requer consumir produtos e fazeres manuais, que nem sempre são produzidos por grandes grifes e  marcas que ecologicamente corretas. Além disso, ser eco-fashion depende do desejo e a necessidade de consumir algo que seja bom para você e para seu planeta.  A tendência maior do eco-fashion é ser autêntico, valorizar mais fazeres manuais e a economia da energia e recursos.

OC: O que você sugere como prática sustentável simples e que qualquer pessoa pode implementar no seu cotidiano fashion?

AF: Reciclar seu armário, ser consciente ao comprar, doar à instituições assistenciais o que não usa ou vender ou trocar em brechós, comprar em lojas ecologicamente corretas, e mudar intimamente seu comportamento de consumo.

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Fundadora e editora do O Cabide, formada em moda, fotógrafa iniciante, apaixonada por figurinos e história da moda. Futura jetsetter, feminista, gayzista, abortista, gorda, patrona do amor próprio e entusiasta da maquiagem para beleza e para a arte.