Eu, mulher, e a representação na mídia

Na última sexta feira (07/10) fui surpreendida por um convite maravilhoso para participar do debate “Eu, mulher e a representação na mídia” do evento Artemicine, promovido pela ONG Artemis.

Fiquei super empolgada, não só por ter acompanhado o trabalho incrível da Artemis na campanha #tambéméviolência, feita em parceria com a marca de cosméticos Lush, mas porque eu realmente acredito que são em espaços como esse que surgem ideias que nos ajudam a transformar o mundo para mulheres em todos os tipos de condições, inclusive nós, que somos gordas.

Antes de falar sobre tudo o que rolou por lá, quero falar um pouco sobre o Artemicine, que ainda rola até o dia 13/10.

Trata-se da 1ª mostra de cinema da Artemis, onde seis dias de exibição de filmes, curtas e séries são combinados com diálogos que abordam temas que absolutamente devem ser debatidos à exaustão sobre as violências as quais somos submetidas diariamente simplesmente por sermos mulheres.

A mostra começou no dia de 01/10 e até agora a programação contou com:

  • Eu, mulher, e os novos rumos – 01/10

Com a presença de Fernanda Correia e Madalena Menezes do coletivo Nós, Madalenas; Marcella Datri, Ana Cavalcanti, Laís Teixeira e Gabi Santana da Equipe do curta Ser (HUMANO) e Rosana Urbes, ilustradora e animadora da RP Animation Films. Com mediação de Joyce Pais, jornalista e editora chefe do portal Cinemascope.

E a exibição de 3 minutos, Ser (HUMANO),  Guida e Mucamas.

No Cine Segall.

  • Eu, mulher, e do que tive que abrir mão (ou Eu, Mulher, e o que tive que conquistar) – 04/10

Com a presença de Gabriela Cunha Ferraz, advogada e mestre em Direitos Humanos; Maria Ileana Faguaga Iglesias, afrocubana, afrofeminista, ativista, antropóloga, historiadora, jornalista e pesquisadora; Ane Sarinara da Coletiva Luana Barbosa, professora e idealizadora do projeto Twerk de Minas e Giselle Cristina dos Santos do Instituto Locomotiva, do Coletivo Acampamento de feminisno interseccional e da organização da festa Don’t Touch My Hair. Com mediação de Angélica Kalil, roteirista e diretora do canal “Você é feminista e não sabe”.

E a exibição de Projeto de vidas refugiadas e Pariah.

No Cinusp Paulo Emílio

  • Eu, mulher, e a violência sexual – 06/10

Com a presença de Giovana Zimermann, artista visual. cineasta e pesquisadora e coordenação de Catharina Strobel, editora e produtora em Strada Filmes e ativista pelo direito das mulheres na Artemis.

E a exibição de BranCURA e Brave Miss Wolrd.

No Instituto Criar de TV, Cinema e Novas Mídias.

 

E assim chegamos ao evento em que participei no sábado (08/10), como vocês já viram também contou com a presença de Lívia Perez, da produtora Doctela; Carmen Lúcia Brandão Zafalon, psicanalista e psicológa hospitalar e com a mediação de Shimenny Moura dos Santos, que é diretora Administrativo Financeira da Artemis.

Primeiro tivemos a exibição do curta “Quem matou Eloá?”, que mostra o impacto que a cobertura da mídia teve no assassinato de uma menina de quinze anos, após ser mantida em cárcere privado por seu ex-namorado durante 100 horas.

Para mim o curta foi um soco no estômago! Eu sou de Santo André, cidade onde aconteceu o assassinato, e acompanhei com bastante intensidade toda a cobertura sensacionalista e perigosa feita pela imprensa durante o sequestro. Mas nunca tinha percebido o quanto eles haviam feito com que Eloá, a vítima que ficou presa e apanhou durante quatro dias, fosse completamente invisível e irrelevante. Toda a cobertura foi voltada para dizer que Lindemberg, o assassino, era um cara legal e que tudo aquilo não passava de uma crise amorosa.

Eloá morreu sem ninguém mencionar quanta resiliência essa menina teve para se recusar a voltar com o namorado. E que mesmo com uma arma apontada para si, resistiu a violência com uma força que poderia servir como exemplo, mas que jamais foi reconhecida.

Foi ela quem morreu, mas a única história que foi contada, foi a de Lindemberg.

Image result for my mad fat diary

Na sequência assistimos aos 2 primeiros episódios da série My Mad Fat Diary, ambientada na década 1990 e que conta a história de Rae Earl, uma adolescente gorda que luta para se encaixar e lidar com as questões da adolescência após sair de um hospital psiquiátrico onde tratava um transtorno alimentar.

Essa série é extremamente importante dentro de um diálogo que fala sobre representação, até porque é nela que vimos algo raríssimo na tv e no cinema: uma protagonista gorda, que lida com questões reais relacionadas a autoimagem, sem humor apelativo, sem eufemismos, sem condescendência.

*Fotos do Snapchat: ocabide

Começamos o debate traçando um paralelo entre a violência cometida pela imprensa que ignorou quem era Eloá e a mídia que viabiliza a gordofobia diariamente com chamadas apelativas, patologização e perpetuação de padrões.

Questionamos e problematizamos o papel da mídia dentro de uma cultura que faz com as mulheres que são vítimas de todo tipo de violência sofram com o silenciamento e o apagamento não só na forma como essa violência é cometida, mas como ela é retratada.

Falamos sobre a importância do fim da rivalidade feminina e sobre a importância da empatia entre mulheres, pois acreditamos que esse seja um passo importantíssimo para ocuparmos os espaços que nos foram tomados. Juntas podemos muito mais!

*Fotos do Snapchat: ocabide

E quando falamos sobre como enfrentar a gordofobia, falamos sobre autoestima, acessibilidade, saúde mental, mercado de trabalho, de onde surgiram os padrões estéticos que nos são impostos hoje, sobre o impacto do movimento de blogueiras e vlogueiras na vida das mulheres que acompanham esse trabalho e usam esse tipo de conteúdo como apoio em seus próprios processos de aceitação.

Por fim falamos sobre representatividade além do mercado da moda e sobre a importância de nos reapropriarmos dos nossos corpos e de nossas histórias, afinal esse é um dos caminhos para derrubar esse preconceito.

 

Fiquei muito feliz por ter estado presente para esse bate papo, experiências assim fazem a gente crescer, alimentam e transformam em incêndio aquela faísca que nos faz brigar todos os dias por um mundo mais justo para mulheres.

*Imagens: reprodução

Fundadora e editora do O Cabide, formada em moda, fotógrafa iniciante, apaixonada por figurinos e história da moda. Futura jetsetter, feminista, gayzista, abortista, gorda, patrona do amor próprio e entusiasta da maquiagem para beleza e para a arte.

As mais ouvidas

Não é raro chegar aqui em casa e me encontrar no sofá lendo alguma bobagem enquanto rola uma playlist de músicas na Smart TV (melhor aquisição de todos os tempos!). Eu cresci ouvindo música com os meus pais e depois sozinha, no último volume, quando era adolescente e tinha a casa só para mim.

Eu não sou o tipo de pessoa que é louca por música, inclusive eu não manjo nada de música e mesmo com as redes sociais, posso demorar anos para descobrir um cantor ou um a banda que todo mundo já ouve e é fã.

music the royal tenenbaums

Além disso eu sou uma pessoa obsessiva-compulsiva e as vezes acabo ouvindo as mesmas músicas por meses, o que obviamente não contribui para que eu encontre sons novos.

Mesmo assim, sempre acabam aparecendo trilhas sonoras novas para minha vida, aquelas músicas que são tão marcantes que eu não vejo problema algum em ouvir no repeat!

E foi dessa forma que descobri essas pérolas:

Rubel é um artista carioca de voz suave e músicas carregadas de sentimentos. O álbum Pearl foi lançado em 2013, mas tem chamado bastante atenção desde que o clipe da música Quando bate aquela saudade, dirigido pelo próprio Rubel e lançado no ano passado, chegou a um milhão de views no YouTube, e foi justamente por essa música que eu me apaixonei!

O premiado cantor recifense, Johnny Hooker, ficou conhecido por sua participação em trilhas sonoras de novelas globais, mas já vem chamando atenção dentro da música nacional há algum tempo. Performático, mistura referências como  glam rock, o pop e o tropicalismo. A música que escolhi para colocar entre as mais ouvidas é de seu primeiro álbum, ‘Eu Vou Fazer uma Macumba pra Te Amarrar, Maldito!‘, e  está na trilha sonora do filme Tatuagem.

Val Donato é uma cantora paraibana quebra todos os padrões! Seu visual foge daquele conceito forçado de feminilidade (que já debati por aqui), além disso ela é assumidamente lésbica, algo extremamente relevante quando pensamos na questão da representatividade dentro do mercado nacional de música. Val é extremamente talentosa, algo que ela prova com seu primeiro álbum, ‘Café Amargo’, que é totalmente autoral. Foi nele que conheci a música “Para mim, você’, que descreve um amor tão completo e tal intenso que vai te fazer querer amar também.

O cantor Liniker tem feito cada vez mais sucesso, sua banda, seu talento e tudo o que ele representa tomaram conta da internet e agora enchem casas de show. Atualmente é possível encontrar várias de suas músicas online (ele tem EP e uma álbum lançados), mas quando o conheci não havia muito mais do que um punhado de vídeos no YouTube. Eu poderia escolher para essa lista qualquer um dos seus hits mais atuais, mas fiz a escolha óbvia e coloquei ‘Zero’ (de seu EP, Cru) aqui. O motivo é simples: Eu nunca esqueço de como me senti na primeira vez em que ouvi essa música.

Sou completamente apaixonada pela Ana Muller, essa menina poderia cantar a lista telefônica que soaria lindo,´é  difícil resistir a delicadeza de sua voz e de sua música. A cantora – de Vitória – ES – tem seu projeto musical atual descrito como algo descompromissado, introspectivo e experimental, características fáceis de perceber em suas músicas. Escolhi para essa lista a música que eu acho que mais ouvi desde que conheci seu trabalho.

 

Acreditem ou não, é totalmente por acaso que todas as músicas nesta lista são nacionais!

Agora me digam, o que vocês têm ouvido?

 

*imagem e vídeo: reprodução

 

 

 

Fundadora e editora do O Cabide, formada em moda, fotógrafa iniciante, apaixonada por figurinos e história da moda. Futura jetsetter, feminista, gayzista, abortista, gorda, patrona do amor próprio e entusiasta da maquiagem para beleza e para a arte.

Corpos dançantes

A companhia de dança Force Majeure quebrou todas as regras quando criou uma apresentação teatral “plus size”. Kate Champion, diretora da companhia, se uniu a artista e ativista, Kelli Jean Drinkwater, para criar a produção do espetáculo “Nothing to Lose”, cujo casting é composto por sete bailarinos gordos, 5 mulheres e dois homens.

nothing-to-lose-danca-plus-size-bailarinos-ocabide-2
O espetáculo aconteceu em janeiro do ano passado, durante o Sidney Festival na Austrália, e continua dando o que falar. O objetivo da apresentação era  mudar a percepção dominante de como deve ser o corpo de dançarinos.

Como um todo, esse foi mais do que um espetáculo de dança contemporânea, foi um símbolo da representatividade, algo que as vezes pode parecer inexistente no mundo da dança. Foi um show de alto impacto visual para exaltar o corpo gordo e tudo o que ele é capaz de superar e fazer.

 

 

Acho que dentro dessa pauta também dá para falar um pouquinho sobre Whitney Way Thore, uma dançarina que está dentro de um contexto mais pop e sempre vale a pena ser mencionada quando falamos sobre gordos que amam dançar e são bons nisso.

whitney-way-thore-ocabide-2

Depois que um vídeo seu dançando viralizou, Whitney ganhou voz para falar sobre as problemáticas da vida de uma mulher gorda em um programa de TV.

Além do seu próprio reality show, hoje ela é ativista e responsável pela campanha No Body Shame.

whitney-way-thore-ocabide

Ela não começou sua carreira falando sobre aceitação, pelo contrário. Mas com o tempo ela tem se mostrado cada vez mais dedicada à luta contra a gordofobia, tem falado abertamente sobre como ser vítima de distúrbios alimentares impactou o modo como vê seu corpo e agora mostra uma ligação mais forte com o feminismo.

E por último, já que estamos falando e dançarinos gordos, nós não poderíamos finalizar esse post sem mostrar um dos vídeos mais bonitos que vi na minha timeline recentemente:

 

Deu vontade de sair dançando?

*imagens e vídeo: reprodução

Fundadora e editora do O Cabide, formada em moda, fotógrafa iniciante, apaixonada por figurinos e história da moda. Futura jetsetter, feminista, gayzista, abortista, gorda, patrona do amor próprio e entusiasta da maquiagem para beleza e para a arte.

‘Tatau’

Ooi ooi!

Sabe aquela série, reality, programa de TV ou filme que parece que nenhum dos seus amigos assiste e você não consegue trocar ideias com nenhum deles sobre o que tá rolando, o que você pensa, saber o que os outros pensam e tudo o que te resta são os grupos no Facebook? Pois é, eu sou mestre nisso! E hoje quero falar sobre um dos realities que eu mais adoro: Ink Master.

Apresentado por Dave Navarro, Oliver Peck e Chris Nunez (também jurados do programa), Ink Master é um reality show de tatuadores que competem por um prêmio de 100 mil dólares. Em cada programa é realizado o desafio relâmpago e, em seguida, o desafio da eliminação, onde será feita a tatuagem que irá eliminar alguém da competição.

Oliver Peck, Dave Navarro e Chris Nunez

Quem são as pessoas tatuadas? São voluntários! Você preenche uma ficha que inclui coisas como: qual estilo de tatuagem você gostaria, cores de sua preferência e afins. Você pode acessar o Human Canvas Application e ser um voluntário para o programa. Assim como já estão abertas as inscrições para ser um tatuador competidor na próxima – oitava –  temporada!

Canvas

Kyle Dunbar

O que acontece quando algumas tatuagens ficam ruins ou os ‘canvas’ não ficam satisfeitos? Bem, existe uma ramificação do programa: Ink Master Redemption. Nesse programa o ‘canvas’ e a pessoa que o tatuou se reencontram e tem a chance de conversar , se o ‘canvas’ concordar, pode ser tatuado novamente pelo mesmo tatuador que terá a chance de redimir.

Jesse Smith

Joshua Hibbard

Chris Blinston

Halo

Assim como Ink Master Redemption, rolam outras edições, como especiais para o Valentine’s Day ou para o Halloween, teve também um especial para o 100º episódio chamado “Sirens of Ink”, que reuniu as melhores tatuadoras que passaram pela competição. É uma pena que a quantidade de mulheres no Ink Master ainda seja pequena, cada vez mais essa indústria abre as portas para tatuadoras e o casting do programa poderia mostrar melhor a qualidade do trabalho e o espaço conquistado por mulheres que tatuam.

Emily Elegado, Jackie Jennings, Sarah Miller e Lea Vendetta em “Sirens of Ink”

Eu não sou super entendedora de tatuagens, na verdade ainda nem tenho uma, mas assisto o programa com uma felicidade enorme. Vejo o trabalho que essas pessoas tem e admiro taaaanto o que eles conseguem fazer, passar do papel para pele desenhos absolutamente incríveis! Acho sempre uma droga que eu não consiga conversar com meus amigos sobre isso, sobre os tatuadores que eu acho simplesmente incríveis e sobre os que eu escolheria para me tatuar (dá-lhe Sarah Miller!! <3)

Sarah Miller

Pesquisei sobre tatuagens para me inteirar melhor e achei alguns fatos bem interessantes:

A palavra tatuagem se originou do inglês “tattoo”, quando em uma expedição para a Polinésia, em 1769, o capitão James Cook registrou em seu diário de bordo que naquela região o ato de pintar o corpo era chamado de tatau.

“Cem anos depois, Charles Darwin afirmaria que nenhuma nação desconhecia a arte da tatuagem. De fato, dos índios americanos aos esquimós, da Malásia à Tunísia, a maioria dos povos praticava ou havia praticado algum tipo de tatuagem. Com a invenção da máquina elétrica de tatuar, em 1891, o hábito se espalhou ainda mais pela Europa e pelos Estados Unidos. No final do século XX, a pele desenhada, até então uma característica quase exclusiva de marinheiros e presidiários, tornou-se uma das mais duradouras modas jovens.”

TAITI

No Taiti, acredita-se que a arte de tatuar tenha sido ensinada pelos deuses, e, por conta disso, ao serem realizadas devem seguir rituais especiais. As mulheres só podem tatuar os braços, as pernas e o rosto, já os homens tem a liberdade de tatuar o corpo inteiro. No geral, na Polinésia, a tatuagem é utilizada como símbolo de classe social.

JAPÃO

O Japão foi um dos países que mais desenvolveram novas técnicas de tatuagem, onde as sessões podem chegar a durar anos e os desenhos cobrirem o corpo inteiro, exceto as mãos e os pés. A tatuagem também é associada à máfia Yakuza e a criminalidade.

Foi desenvolvida também no Japão a kakoushibori, uma tatuagem feita com produtos químicos que fazem com que a tatuagem apareça apenas em algumas situações mais singulares, como, por exemplo, quando a pessoa toma alguma bebida alcoólica ou após o ato sexual.

NOVA ZELÂNDIA

Os nativos da Nova Zelândia são chamados de maori, suas tatuagens típicas em forma de espirais tinham como objetivo distinguir as pessoas das diferentes classes sociais existentes, onde cada espiral simbolizava um nível hierárquico, também distinguiam guerreiros. Escravos não podiam se tatuar.

Depois que líderes maoris morriam, suas famílias conservavam a cabeça tatuada como uma relíquia.

ÁFRICA

A prática mais comum nas tribos africanas (e que vem se tornando mais comum também hoje em dia), é a escarificação, que é a realização de incisões na pele que produzem cicatrizes. Ela pode ser utilizada para fins terapêuticos (colocar medicamentos diretamente no corpo) e para marcar ritos de passagem. No Sudão, por exemplo, as mulheres passam por três escarificações: elas marcam o peito aos 10 anos, os seios após a primeira menstruação e braços, pernas e costas após a gestação.

“No Brasil, o precursor da tatuagem moderna foi um cidadão dinamarquês chamado Knud Harald Lucky Gegersen. Ele ficou conhecido como Mr. Tattoo, ou apenas Lucky.

ink-master-série-tatuagem-tv-netflix-ocabide-3

O dinamarquês chegou no país em 1959 e morou em Santos, no litoral paulista. Manteve-se financeiramente utilizando seu talento como desenhista e pintor profissional.

Lucky teve grande importância no mundo da tatuagem nacional. Os tatuadores associam a ele a chegada da tatuagem no Brasil, assim como a sua populariação e, por isso, dizem que por mais imperfeita que seja a tatuagem de Lucky, ela vale muito. Ele foi notícia em vários jornais nacionais, e em 1975 foi personagem de uma matéria do jornal “O Globo” que o nomeou como único tatuador profissional da América do Sul.”

Fuçando mais um pouquinho, encontrei  o Polaco Tattoo, o estúdio que abriga o chamado Museu da Tatuagem aqui em São Paulo. Você pode visitá-lo realizando agendamento prévio. Uma descrição mais detalhada do que é a exposição:

“Idealizado pelo colecionador e tatuador profissional Polaco, o museu possui cerca de  500 itens de sua coleção pessoal e de doações de amigos. Na seleção das obras estão desenhos preparatórios, objetos que ilustram a tatuagem entre povos primitivos, gravuras, projetos finalizados além de fotografias, recortes de jornais e revistas, máquinas manuais e usadas em cadeias brasileiras e em antigos presídios da Rússia, improvisadas com barbeadores, cordas de violão e ampolas de seringa, além de uma reprodução da patente da caneta elétrica de Thomaz Edson, em 1.805, entre outros. 

O objetivo do museu é de informar a origem e a evolução da tatuagem , costumes e usos, mostrando que esta ornamentação dos corpos está presente como uma forma de linguagem do ser humano, que se expressa em desenhos fixados eternamente na pele,  tendo o corpo como suporte de uma obra de arte que atravessou milênios ao lado do homem até os dias de hoje.

O Museu Tattoo Brasil está localizado no Estúdio Polaco Tattoo, na Rua Vinte e Quatro de Maio, 225, 1º andar, Centro. Para visitação é necessário prévio agendamento pelos fones (11) 3222-8049 e 3333-4220.” 

Dá uma olhada em um rolê que o canal Andando por SP fez no Museu:

Se mais alguém assiste a série me diga o que acha e quem é o seu tatuador preferido aqui nos comentários! Estou feliz pois, de alguma forma, eu pude compartilhar meu amor por Ink Master! <3

A Netflix tem a primeira temporada disponível, as outras eu assisti online aqui, assim como os episódios especiais!

Espero que curtam! Beijo! (:

Fonte 1
Fonte 2
*imagens: reprodução

Estudante de psicologia, fanática pelas mentes mais loucas imagináveis. Adoro um bom livro, um ótimo filme, fones de ouvido e uma música pra dançar.

Coisas que você aprende quando perde seu pai

Era um dia como outro qualquer, sempre é né? Saí para resolver algumas coisas, quando voltei, meia hora depois, meu pai tinha morrido. As vezes eu tenho a impressão que o desespero e a dor desses instantes vão me perseguir para sempre.

Eu nunca tinha imaginado minha vida sem meu pai, nunca conversamos muito sobre isso. Ele não estava doente, tinha 60 anos e apesar de nunca ter se cuidado, tinha uma saúde invejável.

pai-luto-ocabide-3

meu irmão, meu pai e eu

Muita coisa aconteceu entre o momento em que encontrei o meu pai até nossas mentes (minha e da minha mãe) aceitarem o que realmente tinha acontecido. Eu entrei em piloto automático, fiz as devidas ligações e só quando a minha cunhada e minha prima/irmã assumiram a situação senti o baque de que a pessoa que geralmente lidava com tudo isso não estava mais aqui. Só chorei de verdade quando minhas amigas chegaram. Como eu estava fazendo de tudo para manter o controle e para a minha mãe desesperada não ver a filha bipolar lidar com a morte do pai, quem sofreu o impacto foi meu corpo.

Aquele foi um dia quente e eu suava em bicas, meu corpo todo tremia, minha cabeça estava dormente e o tempo todo eu sentia como se fosse desmaiar.

pai-luto-ocabide-4

58 dias depois esses momentos as vezes doem mais do que a saudade que não me deixa em nenhum segundo.

Passar por tudo isso tem sido horrível, por mais ajuda e carinho que eu receba, eu perdi meu pai, sabe? É um vazio que nada vai preencher.

pai-luto-ocabide-2

Mas eu aprendi algumas coisas (tenho certeza de que ainda vou aprender muito mais) com essa perda, a dor transforma a gente e de repente a gente se pega vendo o mundo de uma forma que nunca imaginaríamos em outras circunstâncias.

Gostaria de compartilhar algumas dessas coisas que aprendi com vocês:

Você passa a ter medo

Ninguém quer perder um ente querido, na verdade ninguém quer perder nada, quanto mais alguém. Mas quando isso acontece de verdade, você passa a sentir um medo completamente irracional e visceral de perder alguém. No meu caso o meu medo era, e continua sendo, de perder minha mãe também.

Inevitavelmente esse medo fará você reavaliar a sua relação com algumas pessoas, nada pode mudar mais um relacionamento do que a possibilidade de não ter mais alguém perto de você para sempre.

Você não está sozinho

Eu sempre digo que por ser bipolar sou phd em choro e tristeza. Já chorei muito nessa vida, e se já não é fácil explicar a tristeza em certas ocasiões, imagine como é explicar uma tristeza que te acomete todos os dias? Foi assim que aprendi a chorar sozinha. Só que, quando você está chorando por causa de uma dor como essa, se isolar (por mais que esse seja o seu modo automático) pode ser perigoso.  Ainda que você seja uma pessoa emocionalmente independente, seja lá por qual razão, chorar sozinho é uma roubada.

Mesmo que você relute, deixe-se sentir aquela sensação de como é bom ter alguém querendo cuidar ou ficar perto de você. Eu digo isso pois, se você for uma pessoa que resiste a esse tipo de carinho como eu costumo resistir, se imaginar precisando de alguém vai soar absurdo, mas quando isso parte de outra pessoa, mesmo que você não consiga permitir, pode ser um afago diretamente no seu coração. Meu pai sempre me dizia para não chorar sozinha, ele teria ficado orgulhoso de me ver chorando de soluçar nos ombros dos meus amigos na virada do ano e para mim esse choro envolto de tanto amor mudou tudo.

Síndrome de Michael Corleone

Meu pai era uma pessoa incrivelmente generosa e prestativa, de tal forma que para algumas pessoas ele era indispensável. Sabe aquele cara para quem todo mundo liga quando precisa de ajuda? Esse era o meu pai.

Ele se foi e deixou muita gente carente dessa atenção desmedida que só ele sabia dar. De uma forma muito natural quem passou a atender essa demanda de amor foi eu. Muitas pessoas, incluindo a minha mãe e meus avós (de quem ele cuidava com enorme dedicação), passaram a ver em mim essa figura solicita e disposta.

E foi assim que a caçula rebelde se tornou um porto seguro.

Você vai descobrir o que o seu pai realmente pensava sobre você

Eu e meu pai éramos muito próximos, vivíamos juntos e trabalhávamos juntos. Conversávamos sobre muitas coisas, mas raramente falávamos sobre sentimentos, principalmente sobre o que sentíamos um pelo outro (até porque esse era o tipo de conversa que acabava em briga).

Durante o velório e os dias seguintes ao falecimento do meu pai conversei com muitas pessoas com quem eu nunca tinha conversado antes e todas elas tinham o mesmo a dizer: “Seu pai era louco por você!”

Aparentemente meu pai falava sobre mim e sobre todas as minhas conquistas com todos os seus amigos e parentes, eu sempre era o seu assunto favorito e ele se orgulhava imensamente de quem eu era e de tudo que eu era capaz de fazer.

Ele nunca tinha me dito nada disso. Eu cheguei a achar que ele tinha ido embora sem eu ter lhe dado algo para se orgulhar, pelo menos no sentido tradicional. Eu não tive filhos, não casei, não fiz nada como todas as outras filhas costumam fazer, e eu nem pretendia. Eu achava que ele precisa dos netos e do genro e na verdade meu pai só precisava de mim.

Você vai querer sentir saudades

Uma das coisas que me deixa mais dividida no momento é a saudade. Dói pensar no meu pai, dói ver o vazio que ele deixou, dói ouvir nossas músicas, assistir nossos filmes, contar suas piadas. Sonhar com ele é como tomar um soco no estômago, dói, me tira o ar e o equilíbrio.

Mas eu morro de medo de parar de me sentir assim, de parar de sentir tanta saudade. Eu morro de medo de me acostumar a viver sem meu pai, de não ver mais ele em tudo que faço e em tudo que eu sou.

A saudade mantém ele presente no meu dia a dia e ela pode até doer, mas eu prefiro ter ele comigo a todo momento a ter que viver em um mundo em que ele não existe mais.

 

As melhores palavras para encerrar esse post já haviam sido publicadas no meu Facebook muito antes de eu imaginar que escreveria tudo isso:

pai-luto-ocabide-5

 

Fundadora e editora do O Cabide, formada em moda, fotógrafa iniciante, apaixonada por figurinos e história da moda. Futura jetsetter, feminista, gayzista, abortista, gorda, patrona do amor próprio e entusiasta da maquiagem para beleza e para a arte.